A cozinha é o lugar mais reconfortante da casa porque nele encontramos alimento para o corpo e para a alma. Deixe a Natureza entrar na sua e esqueça os produtos feitos pela indústria alimentícia em geral, que não coloca amor nesse ato nem está preocupada com a saúde do seu organismo e o de sua família!

Esse é um dos segredos de manter o bem-estar - não entregue essa função vital a terceiros - ponha a mão na massa, deixe a preguiça de lado e estabeleça como prioridade fazer a comida que vai mantê-lo longe das doenças!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Nostalgia

Esse não é o melhor papel para embalar o puxa-puxa, mas o papel manteiga

Lendo uma crônica escrita em ZH, pela Katia Suman, radialista e apresentadora de TV, fui transportada ao passado por uma das gostosuras que comíamos antigamente: segundo ela, o puxa-puxa, era uma instituição das praias do litoral do Sul.
Como na minha infância não passávamos os verões na orla gaúcha, minha convivência com o puxa-puxa foi aqui na cidade mesmo, no armazém do qual minha mãe era dona. Os balcões eram feitos de madeira e vidro e neles podíamos enxergar as "delícias" comercializadas na época, além do puxa-puxa (feito com açúcar mascavo): o Beijo de Moça (uma espécie de alfajor magrinho, recheado com uma meleca branca, cuja composição desconhecíamos e com cobertura de chocolate), o Beijo Africano (irmão do outro Beijo, mas seu interior era feito de pão de mel), as balas azedinhas com listrinhas coloridas, os pirulitos em formato de chupeta com apito, as balas de goma, as de leite, os doces de abóbora e batata-doce, molinhos por dentro e com uma casquinha crocante por fora...
Mas não pensem que por termos esse paraíso açucarado tão próximo, ele estava liberado para consumo total e irrestrito... Minha mãe era uma guardiã severa dessas maravilhas e ganhávamos, raramente, uma delas, geralmente aos domingos. Tinhamos pouco açúcar na nossa dieta, os doces eram raridades que valorizávamos.
Uma das minhas diversões era, depois de chegar da escola e fazer os "deveres de casa", ir para o armazém e debruçar-me nos balcões envidraçados, namorando todas aquelas iguarias, tão caras aos olhos infantis!

Mas voltando à crônica da Katia: ela fez uma pesquisa árdua em uma das praias para descobrir porque os puxa-puxas tinham desaparecido do cotidiano dos verões gaúchos e nessa busca, encontrou a dona Avani, catarinense "que se criou em engenho de açúcar mascavo, fazia o doce e os filhos vendiam todo final de semana". Segundo ela, "os guris vendiam uns 200 puxas por dia". E é ela também que explica por que isso não acontece mais: "eu acho que é porque agora as casas são todas cercadas, antes era mais fácil de chegar às casas. Agora todo mundo tem medo".
E além de me deliciar com essas reminiscências, fiquei mais contente ainda porque a dona Avani cedeu "a famosa receita do puxa-puxa, o autêntico, o único, verdadeiro":

Açúcar mascavo

Ingredientes

1 quilo de açúcar mascavo
uma xícara de água
1/2 xícara de vinagre branco


Como fazer


Mexer todos os ingredientes antes de botar no fogo.
Terminantemente proibido mexer depois de botar no fogo, porque açucara.
Quando começa a ferver a mistura fica bem líquida e é hora de baixar o fogo e esperar engrossar.
O grande segredo é o ponto e o truque é pegar uma colherinha de chá da calda, esfriar na água e ver se está sequinha, quebradiça. Mas atenção, não pode ficar muito seca.
Então, ponha essa massa marrom num tabuleiro de madeira ou numa assadeira untada com manteiga, deixa esfriar um pouco (não muito) e começa a esticar, puxando até clarear.
Vá puxando e cortando do tamanho que quiser.
Enrolar em papel manteiga (tem que ser esse, caso contrário, gruda no doce).

Obrigada à Katia Suman e à dona Avani por me proporcionarem essa viagem à minha infância.
Essa receita vou fazer num dia daqueles em que dá uma baita vontade de comer uma coisinha doce, por puro prazer...

8 comentários:

Vânia Ma'iitsoh disse...

Nossa! Que legal essa receita!
Me lembro dos doces da minha infância também, como esse de batata doce, o de abóbora, aquele doce de gelatina colorida (muito açucarada por fora)e o Beijinho branco. Tinha também a bala Klep’s que vinha em tirinha, com desenho de animaizinhos na embalagem. Adorava essa, me distraía com os desenhos, rsrs. Vou experimentar essa receita do Puxa-puxa. É como você disse, para aqueles dias em que dá uma vontade de comer algo doce.

Vera Falcão disse...

Vânia, o Beijinho Branco que você fala deve ser o Beijo de Moça - as minhas lembranças são da década de 50... da época em que criança podia andar sozinha na rua, em que ia de bonde estudar piano na casa da minha tia, que morava num bairro bem distante! Bem, o título do post é nostalgia... rs

Lully disse...

Oi Vania
Achei te achei procurando a receita do puxa-puxa e gostaria de saber se você tem a receita da bombom beijo de moça, que agora é chamado de beijoquinha doce. Quem fazia lá em Porto Alegre, parece que estava querendo vender a marca.
Bjs

Thania disse...

Oi Vania
Sou do tempo do bombom beijo de moça como nunca mais o encontrei gostaria de saber se você tem a receita, eu era maluca por aquele doce e nunca mais o encontrei se você souber pode me mandar por gentileza ou se souber de alguém que saiba. Fico agradecida desejando a você muito amor, paz e felicidade, ja fiz a receita do puxa-puxa ficou uma delicia Bjs....

Melissa disse...

Oi, Vania
Agora voltei no tempo, à infância na década de 70 em Pelotas, o bar pertinho da casa da minha avó onde deixavam eu ir sozinha, com aquele baleiro de vidro giratório de 3 andares, com tudo isso aí que vc citou. E mais...balas Soft, chicletes Ploc e Ping Pong que diziam pra eu não engolir ou ía grudar nas tripas...kkkkkkkkk...balas Mocinho, balas de banana, rapadurinha, tudo que o dono do bar embrulhava em papel branco, e eu saía toda orgulhosa com meu tesouro. Mas o Beijo de Moça, esse aí me dá calafrios só de lembrar, quando mordia aquele recheio branco, parece que mordia cimento, argamassa, sei lá, arrepiava até a alma. Nunca mais vi, nem sei se fabricam. Hoje moro em Florianópolis e mostrei pro meu filho de 9 anos, o puxa-puxa. Ele tá aqui comigo, deitado no sofá, com aquele fiapão de puxa-puxa na boca, encantado.
Valeu por compartilhar suas lembranças conosco, e tb a receita. Um dia farei.
Beijos.

Vera Falcão disse...

Eu curtia muito o Beijo Africano, que era pão de mel com cobertura de chocolate e também a bala quebra-queijo - lembram? hahahahaha O Beijo de Moça achava muito enjoativo, doce demais (Lully, não tenho essa receita)! Sempre apreciei os doces com melado. Mas também recordo que as gostosuras eram bem controladas, quando ganhávamos uma, era como um prêmio! Que legal que curtiram a receita do puxa-puxa, Thania e Melissa, fico feliz!

Anônimo disse...

Nossa!! *¬*
Cheguei aqui no site agorinha, e olha que eu tava procurando uma imagem de um joguinho chamado neopets (algo completamente sem conexão com esse site..), mas quando li 'receita','vegetariana' e ainda 'puxa-puxa'(!!), não deu pra passar reto!!
Eu, por pena, não sou dessa época que parece tão boa. Acho que só ouvi falar desse tal puxa-puxa nos livros antigos, mas sempre quis experimentar.
Eu já tentei fazer balinha de açúcar e acabou açucarando, como os ingredientes da bala eram quase os mesmos que os dessa receita (a diferença é só o vinagre), vou tentar fazer a bala como diz essa receita. Mas claro, só depois de fazer o puxa-puxa!
Muito obrigada pela receita!! Já até coloquei o seu blog nos favoritos.

Vera Falcão disse...

Oi, Anônimo, Neopets está conectado com Cozinha Natureba, sim! hahahaha Jogo lá desde 2008, entrei com a minha filha, ela já saiu e eu continuo. Infelizmente, o site está decaindo depois que foi vendido, perdendo toda a movimentação que tinha, fiquei bem triste com isso. E veja que ilustrei uma receita com a Fada do Sopão: http://cozinhanatureba.blogspot.com.br/2008/11/sopa-de-cevadinha.html Legal essas "coincidências", não? Espero que a receita dê certo, há muito tempo não como puxa-puxa, hoje acho que é muito doce, meu paladar mudou bastante com o tempo. Mas lembro que era legal comer esse treco que espicha e gruda nos dentes... hahahaha Abração pra ti!