A cozinha é o lugar mais reconfortante da casa porque nele encontramos alimento para o corpo e para a alma. Deixe a Natureza entrar na sua e esqueça os produtos feitos pela indústria alimentícia em geral, que não coloca amor nesse ato nem está preocupada com a saúde do seu organismo e o de sua família!

Esse é um dos segredos de manter o bem-estar - não entregue essa função vital a terceiros - ponha a mão na massa, deixe a preguiça de lado e estabeleça como prioridade fazer a comida que vai mantê-lo longe das doenças!
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sábado, 16 de março de 2013

Fim de férias

Voltei!
Cheia de vontade de escrever aqui!

Pra começar, um lembrete: Olho vivo e faro fino na hora de comprar o alimento para sua família!

OLHO VIVO E FARO FINO: ande sempre com essa dupla ao seu lado, principalmente na hora em que for adquirir algum produto, escolher um serviço ou optar por um profissional!




Agora, uma boa notícia: Soja é desnecessária para o vegetariano, diz especialista Eric Slywitch

Até que enfim, os vegetarianos deram-se conta de que a soja não é necessária na alimentação diária! Aleluia!

Durante as férias, cozinhei muito, bastante tempo para curtir a cozinha - forno e fogão a 1000!

Pão de queijo sem queijo:

















Pastéis assados:

















Bolos:

















Sopa cremosa de abóbora com muito alho:

















Estávamos com saudades do Harry e ele de nós.


















Sentindo saudades também de ver o mar e o céu, principalmente este último, que não se consegue observar na cidade, tantos são os prédios e obstáculos que impedem a visão. De dia, eram nuvens de mil desenhos desfilando suavemente sobre o fundo azul turquesa e à noite, mil e uma estrelas e a lua, enorme e leitosa, penduradas na escuridão. Sem esquecer das longas caminhadas pelos morros... aqui caminha-se pelo asfalto e cercada por automóveis. Mas, existem as compensações. Nada é perfeito e tudo vale a pena.






domingo, 11 de dezembro de 2011

Antepasto de berinjela e agito na cozinha


Quem acha que "festa do pijama" é só para adolescentes, enganou-se... ela pode ser curtida em qualquer fase da vida, basta ter animação de sobra e amigas (ou parentes) legais pra armar a bagunça!

Assim, fizemos uma reunião na quinta-feira passada, na casa de uma prima em segundo grau, Maria Helena Scheibe Frusciante (a Babi); fomos minha filha caçula, Ísis, minha tia, Marly Noronha e eu. Planejávamos dormir cedo para acordar também cedo e participar de um brechó. Mas quem disse que conseguimos ir pra cama sem agitar nada antes? Ela tem uma casa linda, bem espaçosa, com um pátio maravilhoso e situada num bairro bem distante, parecia que estávamos no interior: muito silêncio e sossego!

Babi queria preparar um antepasto de berinjela pra ser degustado na sua festa de Natal, ela é uma cozinheira experiente e gosta de agradar a família com suas especialidades, principalmente os filhos. É claro que concordei em participar, seria a chance de aprender mais uma receita e me divertir.

Minha prima já havia comprado os ingredientes: 10 berinjelas grandes, 6 pimentões grandes, duas cabeças de alho e os temperos que guardava em sua cozinha: orégano, pimenta preta, gengibre, vinagre de vinho, azeite de oliva e sal.

Depois de fazermos um lanche e assistirmos à novela (que torcida pelo beijo dos personagens!), pegamos o rumo da cozinha.

Inicialmente, tínhamos que picar bem a berinjela, cortá-la bem fininha. Pra ajudar, um processador é indispensável (vi que o dela era da marca NKS Home, procurei a página  mas não tinham mais esse aparelho na lista; uma pena, pois era muito eficiente e rápido). Depois disso, ela passou as fatias de berinjela na máquina de fazer massa, pra ficarem mais fininhas ainda, mas acho que só a fase do processador é suficiente... Colocamos as fatias numa peneira e esprememos, para que saísse todo o líquido. O próximo passo foi despejar água quente sobre elas, espremendo novamente. Enquanto fazíamos isso, muita conversa e risadas nos movimentavam.

A seguir, fatiar bem os pimentões e o alho. Chegou a hora de temperar.

Uma bacia continha a berinjela, outra os pimentões.
Sem medidas rígidas para temperar, você é quem decide, seguindo a função de cada tempero e a sua experiência: vinagre e azeite para conservar (mais ou menos 1/2 xícara de vinagre e 1/2 xícara de azeite), orégano e pimenta preta em pó para dar sabor (duas colheres de sopa bem cheias do primeiro e uma colher de chá da segunda) e o sal, a gosto. Misturar bem e adicionar muito alho picado.

Aí, separamos uma porção da berinjela, na qual juntamos passas (3 CS) e gengibre ralado (umas duas colheres de sopa).
Outra porção foi misturada ao pimentão. Ficamos, então, com 3 tipos de antepasto: berinjela pura, com pimentão e com passas (ela disse já ter também adicionado nozes a essa e ficou muito bom).

Último passo: colocar em vidros. Dois ficaram para nós, as visitas e a Babi decidiu colocar as três variedades num só vidro, em camadas alternadas. Gosto disso nela, a facilidade pra inventar e até mudar a direção de um planejamento, sem seguir um caminho rígido (mesmo assim, tudo acaba bem organizado, no final). Finalizando, coloca-se mais azeite de oliva sobre o antepasto. Guardar na geladeira e depois de 3 dias, já pode-se comer. Vou deixar o meu mais tempo, pra ficar bem curtido...

A essa altura, minha filha já estava dormindo e minha tia cambaleando em direção à cama.
Babi e eu ainda estávamos cheias de energia para gastar...
Ela sugeriu fazer um pão para o café da manhã! Preparou a mistura, colocou na máquina e programou-a.
Assistimos o noticiário da madrugada, conversando e quando já eram duas horas, fomos dormir, porque senão seria quase impossível acordar cedo... rs

Fui a primeira a despertar às 6 e levei quase uma hora pra tirar minhas queridas companheiras dos braços de Morfeu! Tomamos o café com o pão integral delicioso e saímos em disparada para o brechó e... bem, aí já é outra história!

Foi muito divertido e enriquecedor o nosso encontro e agradeço, mais uma vez, à Babi, a hospedagem acolhedora, onde recebemos alimento para o corpo e para a alma, graças à sua generosidade, disposição e alegria!
E, vocês, ganharam uma bela receita!


Depois que estiver pronto, coloco outra foto, mostrando melhor o antepasto... aguardem!

Olha ela aí!

domingo, 7 de agosto de 2011

Festa vegetariana fake

                                                                          Peixe vegetal/V. Falcão

Hoje à tarde, folheando livros na Saraiva, fiquei frente a frente com a Festa Vegetariana da chef inglesa Celia Brooks Brown, que comentei no post anterior, como sendo uma publicação vegetariana fake, já que contém receitas com peixes e frutos do mar. O vegetarianismo, essencial e basicamente, não envolve o consumo da carne dos animais - sem levarmos em conta as divergências dentro do grupo, separando aqueles que se alimentam de leite, laticínios e mel dos que não ingerem nada de origem animal. A questão aqui não é discutir tais divergências mas deixar bem claro que a classificação, piscovegetariano, é inadequada, paradoxal e, quiçá, ridícula!
Muito me espanta que uma chef de nível internacional cometa um desserviço tão grande para os vegetarianos em geral, confundindo a população sobre o que comer ou não para praticar o vegetarianismo.

O livro tem um capítulo especial para o consumo de animais, no caso, peixes e frutos do mar (não acredito que estou escrevendo isso...):

"Vegetarianos que comem peixe - receitas para piscovegetarianos

Pode parecer contraditório, mas, na verdade, eles formam um grupo em franco crescimento. Ainda que as pessoas tenham motivos para restringir a alimentação, algumas não são tão rígidas. Muitas vezes, a escolha do tipo de dieta é apenas uma questão de paladar. Este capítulo é para quem gosta de peixe! (...) Para este capítulo selecionei espécies sustentáveis de peixes e frutos do mar."

Seguindo essa lógica, ela poderia ter escrito: "esse capítulo é para quem gosta de vaca", "esse capítulo é para quem gosta de coelho", "esse capítulo é para quem gosta de rã" e por aí vai... qual a diferença do peixe para outro animal, quando qualquer um deles será morto e devorado? E, certamente, o livro é um estímulo para que o grupo de "comedores de animais intitulando-se vegetarianos" continue em franco crescimento...

Enviei um e-mail para editora do caderno de Gastronomia, Bete Duarte e transcrevo abaixo, juntamente com a resposta dela:

Olá, Bete, sou uma assídua leitora do Caderno de Gastronomia e como vegetariana há mais de 30 anos, gostaria de comentar a matéria da edição de hoje, 5 de agosto, sobre o livro Festa Vegetariana. Em primeiro lugar, o título está incorreto: Sem Carne... uma das receitas publicadas contém atum e sabemos que atum é um peixe, considerado por alguns como "carne branca" mas, efetivamente, trata-se de proteína animal. "Vegetarianismo é o regime alimentar segundo o qual nada que implique o sacrifício de vidas animais deve servir à alimentação". (Fundamentos do Vegetarianismo, Winckler, Marly - Ed. Expressão e Cultura). Poderia citar uma imensa bibliografia, mas creio que não é o caso, acredito que essa definição, simples e objetiva, seja suficiente para contestar a festa vegetariana da chef Celia Brooks Brown. E termos paradoxais como "pisci, pesco ou pisco-vegetariano" ou "polo-vegetariano" ou ainda pior, "semi-vegetariano", são termos criados por aqueles que não querem abandonar totalmente o consumo da carne dos animais. São conceitos que existem, mas não são reconhecidos por nenhuma associação vegetariana como sendo tipos de vegetarianismo. São apenas tipos de alimentação mais próximos do vegetarianismo, digamos, um passo no processo para aqueles que não conseguem largar o consumo de carne animal bruscamente. Tais publicações confundem a cabeça das pessoas e tornam a questão nebulosa quanto ao que é, verdadeiramente, ser vegetariano. E se formos entrar no campo do veganismo, a questão torna-se mais radical ainda... Mas, gostaria que ficasse bem claro para os leitores do caderno que, ao comer peixe, a pessoa não é um vegetariano mas um onívoro. Lamentável que muitas pessoas ainda não tenham entendido isso, muitas por falta de informação, outras por modismo, algumas por cara-de-pau mesmo... 
Se tiveres interesse em ler o comentário em meu blog, Cozinha Natureba, que inclusive cita o "verdadeiro" Festa Vegetariana, aqui vai o link: Verdadeira Festa Vegetariana 

Grata pela atenção, 
Vera Falcão 

****************

Prezada Vera, 

É notório que quem é vegetariano não come qualquer tipo de carne, seja ela carne vermelha, aves ou peixes. Mas a autora do livro Festa Vegetariana é uma chef vegetariana, mas que resolveu ceder espaço, em seu livro, a pratos também para quem come peixe. E isso foi destacado no texto. Seria possível fazer a reportagem sem colocar qualquer dessas receitas, mas seria descaracterizar o livro, que foi feito com essa concessão. 
A chef Celis Brown é reconhecida como uma importante profissional que atende celebridades vegetarianas, mas que acredita ser possível fazer uma festa que não seja tão radical na opção de cozinha, o que aliás não é o caso dela, que é vegetariana. Por isso ela usa a expressão piscovegetariana, que muitos não aceitam. Mas realmente a importância da chef não pode ser ignorada. 

Atenciosamente, 
Bete Duarte 

Para mim, a primeira frase é suficiente para definir o erro contido no livro: "É notório que quem é vegetariano não come qualquer tipo de carne, seja ela carne vermelha, aves ou peixes."
Agora, se a chef é "reconhecida como uma importante profissional que atende celebridades" e se isso permite que ela erre e sejamos obrigados a engolir o erro dela, inferimos que ser VIP permite que se diga qualquer besteira e sejamos aplaudidas pela massa desinformada!
Não desfaço a importância da chef ou sua competência profissional, desde que ela seja correta ao usar as palavras, pois FESTA VEGETARIANA NÃO CONTÉM PRATOS COM CADÁVERES DE ANIMAIS.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Festas vegetarianas: mesmo título, dois enfoques!

O lançamento de dois livros com o mesmo título - Festa Vegetariana - oferece aos leitores inúmeras receitas vegetarianas, mas há uma grande diferença entre eles...

Festa Vegetariana, da britânica Celia Brooks Brown, contém "80 receitas sofisticadas, com ingredientes frescos, molhos encorpados e sabores marcantes", mas entre esses ingredientes há a inclusão de peixe, o que beneficiaria a estranha categoria dos "pisco vegetarianos" - peixes, por definição, são "animais vertebrados, aquáticos...", portanto, são carne, sim e essa constatação anula o título da matéria que Zero Hora publicou em seu caderno ZH Gastronomia de hoje, 5 de agosto:


Já o Festa Vegetariana 2ª edição, não contém receitas com carne, o que é o princípio básico do vegetarianismo - não consumir carne... existem os vegetarianos que consomem ovos, leite, mel e os que não consomem nenhum produto de origem animal, mas rotular alguém que come carne de peixe como vegetariano é um paradoxo!


O livro de receitas Festa Vegetariana 2, produzido pela Sociedade Vegetariana Brasileira, acaba de ser lançado durante a bem sucedida VII NaturalTech - Feira Internacional de Alimentação Saudável, Produtos Naturais e Saúde, em São Paulo. A nova edição, revista e ampliada, traz três capítulos inéditos: Festa Junina, Churrasco Veg e Depois da Festa, com várias receitinhas para saudar São João, curtir um espetinho sem crueldade e ainda recuperar o corpo e a alma após baladinhas extravagantes. O capítulo Lista de Compras também está recheado de novos ingredientes transados, capazes de tornar sua cozinha ainda mais saborosa.
O livro custa 20 reais e está a venda no site da SVB: Festa Vegetariana 2

Aqui também é possível comprar o primeiro volume de Festa Vegetariana, juntamente com a Cartilha de Impactos Ambientais da Produção de Carne, pelo valor de 15 reais.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Banderas na cozinha: viva Espanha!


Qual mulher não gostaria de ter esse cozinheiro pilotando seu fogão?
Se a Ana Maria Braga conseguiu levar o Antonio Banderas para a cozinha dela, para fazer a sua famosa paella, agora até posso sonhar em arrastar todo aquele esplendor latino para a minha, a fim de ensinar a ele a paella vegetariana que faço... rs

Sonhar não custa nada e faz bem à alma!

Aqui você aprende a fazer a paella vegetariana, enquanto o Antonio Banderas não vem te visitar...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Vive la France!


14 de Julho, festa na França!

A culinária francesa é considerada a mais elegante e refinada do mundo e bastante criticada pelos defensores da alimentação saudável pelo uso excessivo das gorduras do leite, nas formas de manteiga e creme, banha de porco, gordura de pato e a maldade na execução do foie gras (fígado hipertrofiado de gansos).
Na verdade, cada região da França tem a sua culinária distinta:

* Noroeste usa manteiga, creme (crème fraiche) e maçãs.
* Sudeste usa óleo de oliva, ervas e tomates.
* Sudoeste usa gordura de pato, foie gras, cogumelos (cèpes) e moela de ave.
* Nordeste usa banha de porco, salsinha, cerveja e chucrute, sendo influenciada pela comida alemã.


Além dessas quatro áreas gerais, há muitas culinárias locais, como a do Vale Loire e a comida Basca.

Também achei interessante as divisões da culinária feitas em restaurantes, que esclarecem muitas visões errôneas que temos a respeito da comida francesa:

Cuisine bourgeoise
A cuisine bourgeoise inclui todos os pratos franceses clássicos que não são especificamente regionais e foram adaptados durante os anos para o paladar das classes mais afluentes. Esse tipo de comida inclui técnicas de cozinhar ricas e complexas, baseadas em molhos, que muita gente associa à culinária francesa. Uma vez que esse tipo de prato é o que geralmente é servido no exterior com o nome de "culinária francesa", muitos erroneamente pensam que a comida francesa típica envolve técnicas complexas e pratos ricos. Na verdade, tais pratos são geralmente reservados para ocasiões especiais, enquanto as refeições típicas são mais simples.

Cuisine du terroir
A cuisine du terroir engloba especialidades regionais com um forte foco na qualidade do produto local e tradição camponesa. Muitos pratos que entram nessa categoria não se enquadram no estereótipo da "comida francesa", uma vez que muitas vezes não são tão elaborados.

Cuisine nouvelle
A Cuisine nouvelle, ou nouvelle cuisine, foi desenvolvida nos anos 70 como uma reação à culinária tradicional. Esse tipo de cozinha é caracterizada por tempos de preparo menores, molhos mais leves e porções menores apresentadas de forma refinada e decorativa.

Há poucos dias assisti ao filme Julia & Julie, que mostra como a americana Julia Child adaptou a culinária francesa para as donas-de-casa de seu país a desfrutarem de uma forma descomplicada e, paralelamente, o projeto de Julie Powell, que criou um blog para fazer todas as 524 receitas de Mastering the Art of French Cooking, o livro de Julia. Apesar das inúmeras receitas usando carne (a última delas contém a tarefa de como desossar um pato), o filme tem dicas interessantes sobre cozinha, relacionamentos e escolhas profissionais e/ou vivenciais. Mais sobre Julia & Julie, aqui.

Esse video mostra a Julia Child original fazendo omeletes e dá para comparar com a atuação da Meryl Streep, que achei perfeita!



Há muitos videos dela no youtube, inclusive esse aqui, hilário, onde ela queima a comida ao vivo, no seu programa The French Chef:



E para finalizar, lembramos da figura do engraçadinho rato chef do desenho animado Ratatouille, acompanhado de uma receita desse prato francês, que segue a linha da região mediterrânea da França, com o uso de muitos vegetais:



Ingredientes

6 CS de azeite de oliva
5 cebolas picadas
3 pimentões vermelhos cortados em quadrados
2 berinjelas cortadas em cubos
3 abobrinhas italianas cortadas em cubos
6 tomates médios cortados em meia-lua
Sal a gosto
1 limão
1/2 xícara (chá) de salsinha fresca fresca picada
1 buquê garni: Coloque 10 ramos de salsinha, 8 grãos de pimenta-do-reino, 1/2 cc de tomilho, 1/2 cc de erva-doce e 1 folha de louro sobre um pedaço de pano fino - algodão como o usado em fraldas - e amarre, formando uma trouxinha.


Como fazer

Numa panela, aqueça duas colheres de azeite de oliva, acrescente a cebola e o buquê garni e refogue até a cebola ficar dourada. Adicione o pimentão e cozinhe até ficar macio, mas não mole. Transfira para uma tigela e reserve. Deixe o buquê garni na panela.

Na mesma panela, aqueça mais 2 colheres de azeite e refogue a berinjela. Retire do fogo, coloque em outra tigela e reserve. Adicione o azeite restante, refogue a abobrinha, retire do fogo, coloque em outra tigela e reserve.

Volte a mistura de cebola e pimentão à panela, junte o tomate e refoque por 10 minutos. Adicione os refogados de berinjela e abobrinha e deixe no fogo por 5 minutos. Tempere com sal, transfira para uma tigela e leve à geladeira por 24 horas.

Retire o buquê garni e sirva em temperatura ambiente ou quente. Esprema por cima o suco de limão, regue com azeite de oliva extravirgem e polvilhe a salsinha. Sirva com pão.

Fonte: Revista Menu

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Nostalgia

Esse não é o melhor papel para embalar o puxa-puxa, mas o papel manteiga

Lendo uma crônica escrita em ZH, pela Katia Suman, radialista e apresentadora de TV, fui transportada ao passado por uma das gostosuras que comíamos antigamente: segundo ela, o puxa-puxa, era uma instituição das praias do litoral do Sul.
Como na minha infância não passávamos os verões na orla gaúcha, minha convivência com o puxa-puxa foi aqui na cidade mesmo, no armazém do qual minha mãe era dona. Os balcões eram feitos de madeira e vidro e neles podíamos enxergar as "delícias" comercializadas na época, além do puxa-puxa (feito com açúcar mascavo): o Beijo de Moça (uma espécie de alfajor magrinho, recheado com uma meleca branca, cuja composição desconhecíamos e com cobertura de chocolate), o Beijo Africano (irmão do outro Beijo, mas seu interior era feito de pão de mel), as balas azedinhas com listrinhas coloridas, os pirulitos em formato de chupeta com apito, as balas de goma, as de leite, os doces de abóbora e batata-doce, molinhos por dentro e com uma casquinha crocante por fora...
Mas não pensem que por termos esse paraíso açucarado tão próximo, ele estava liberado para consumo total e irrestrito... Minha mãe era uma guardiã severa dessas maravilhas e ganhávamos, raramente, uma delas, geralmente aos domingos. Tinhamos pouco açúcar na nossa dieta, os doces eram raridades que valorizávamos.
Uma das minhas diversões era, depois de chegar da escola e fazer os "deveres de casa", ir para o armazém e debruçar-me nos balcões envidraçados, namorando todas aquelas iguarias, tão caras aos olhos infantis!

Mas voltando à crônica da Katia: ela fez uma pesquisa árdua em uma das praias para descobrir porque os puxa-puxas tinham desaparecido do cotidiano dos verões gaúchos e nessa busca, encontrou a dona Avani, catarinense "que se criou em engenho de açúcar mascavo, fazia o doce e os filhos vendiam todo final de semana". Segundo ela, "os guris vendiam uns 200 puxas por dia". E é ela também que explica por que isso não acontece mais: "eu acho que é porque agora as casas são todas cercadas, antes era mais fácil de chegar às casas. Agora todo mundo tem medo".
E além de me deliciar com essas reminiscências, fiquei mais contente ainda porque a dona Avani cedeu "a famosa receita do puxa-puxa, o autêntico, o único, verdadeiro":

Açúcar mascavo

Ingredientes

1 quilo de açúcar mascavo
uma xícara de água
1/2 xícara de vinagre branco


Como fazer


Mexer todos os ingredientes antes de botar no fogo.
Terminantemente proibido mexer depois de botar no fogo, porque açucara.
Quando começa a ferver a mistura fica bem líquida e é hora de baixar o fogo e esperar engrossar.
O grande segredo é o ponto e o truque é pegar uma colherinha de chá da calda, esfriar na água e ver se está sequinha, quebradiça. Mas atenção, não pode ficar muito seca.
Então, ponha essa massa marrom num tabuleiro de madeira ou numa assadeira untada com manteiga, deixa esfriar um pouco (não muito) e começa a esticar, puxando até clarear.
Vá puxando e cortando do tamanho que quiser.
Enrolar em papel manteiga (tem que ser esse, caso contrário, gruda no doce).

Obrigada à Katia Suman e à dona Avani por me proporcionarem essa viagem à minha infância.
Essa receita vou fazer num dia daqueles em que dá uma baita vontade de comer uma coisinha doce, por puro prazer...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Férias e netos


Desde que meus netos nasceram, as férias, para mim, têm a cara deles, pois é a época em que me visitam, em que temos contato real e não telefônico ou virtual.
A cada ano que passa, eles chegam maiores, diferentes, cheios de novidades, mas o nosso relacionamento já engata no primeiro abraço e quando vão embora deixam um buraco no meu coração, choro vários dias até que a falta deles acabe sendo sufocada por novas rotinas.
Minha filha mais velha, a mãe do Angel e da Joana, também deixa saudades, ok? rsssss
Às vezes, fico triste porque somos obrigados a morar em cidades diferentes e tão distantes uma da outra, mas me consolo ao ver que tantos avós convivem diariamente com seus netos e não parecem apreciar tanto esse privilégio ou tirar muitas vantagens disso...
Durante esses 30 dias de convívio, aproveito para fazer muitos pratos diferentes, que eles não costumam comer em casa: a comida da Baba (assim eles me chamam) faz sucesso, pelo menos me esforço para tal! rsssssss
Meu neto é louco por massa com molho de tomates, então apresentei a ele a macarronada com molho vermelho cru, que fica uma delícia, simplifica o preparo e guarda mais nutrientes, pois não cozinha o molho.
É muito fácil de fazer: cozinhar a massa da maneira tradicional e reservar mantendo-a aquecida, regada com azeite de oliva para não ressecar.
Colocar no liquidificador alguns tomates orgânicos (agora é a safra deles na feira ecológica, tenho comprado muitos a um preço razoável), com a casca e bem lavados, dentes de alho bem picadinhos, folhas de manjericão (ou se quiser, use outras ervas, como orégano), sal marinho, uma colherinha de açúcar mascavo e um tantinho de água, só para dar o ponto, pois os tomates já possuem bastante líquido no seu interior.
Bater até ficar bem cremoso e derramar sobre a massa quente, regando com mais azeite de oliva e queijo parmesão ralado (se não for vegano).
Mais tarde vou postar uma foto dele comendo um prato da massa, dá prazer em ver a sua satisfação!

Outra receita bem fácil de fazer é a Flocada de Bananas (ou use maçãs, se preferir, ou ainda, ambas):

Use uma travessa grande, de vidro, para montar as camadas e levar ao forno.
Deixe uma quantidade de passas de molho em água filtrada, por uma hora.
Misture aveia integral em flocos, açúcar mascavo e canela em pó - costumo usar a seguinte proporção: para cada xícara de aveia, adiciono 3 colheres de sopa de açúcar mascavo e uma colherinha de canela em pó. Calcule a quantidade conforme o tamanho do seu prato - o meu comporta 3 xícaras de aveia, mais o espaço destinado às frutas.
Unte levemente a travessa e coloque a primeira camada da mistura com a aveia, mais ou menos um dedo de espessura. Sobre ela, coloque banana caturra fatiada na vertical, até preencher todo o espaço.
Coloque mais uma camada da aveia.
Umedeça com a água do molho de passas e adicione-as também. Deixe a massa bem molhadinha, mas não exagere, não é uma papa!
Vá seguindo essa ordem: aveia, bananas, aveia e a água com as passas, encerre com a aveia umedecida.
Coloque para assar em forno médio, por aproximadamente 45 minutos ou ao verificar que a aveia está crocante, com um tom levemente dourado.
Espere esfriar para consumir.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Paella Vegetariana


Domingo à noite, recebi alguns amigos veganos para o jantar, o prato principal escolhido foi uma paella (sem frutos do mar, é claro...).
Não colocarei fotos do encontro e nem do cardápio, pois, novamente, estou sem uma câmera, motivo pelo qual escolhi para ilustrar esse post, um dos quadros da Bernadeth Rocha, os quais me dão muito prazer ao admirá-los. Quem desejar conhecer mais do trabalho dela, visite http://bernadethrocha.com/

Tanto a receita dessa paella bem como a da bebida (Nuvem de abacaxi com hortelã) foram criadas por mim, especialmente para esse jantar.

Paella vegetariana

Ingredientes

2 xícaras de arroz integral cateto (grão curto)
250 g de grão-de-bico
3 pimentões médios (amarelo, verde e vermelho)
800 g de tomates italianos
1 abobrinha verde média
250 g de cogumelos
2 litros de caldo de legumes (louro, folhas de couve, talos e folhas de aipo, cebola)
uma cebola grande
uma colher de sobremesa de curcuma em pó (açafrão-da-terra)
uma colher de chá de gengibre em pó
uma colher de chá de orégano
meia colher de chá de pimenta vermelha em flocos
folhas de coentro
sal marinho
azeite-de-oliva prensado a frio
temperos para o vinagrete: vinagre de maçã, noz moscada, pimenta vermelha, alecrim, cravo e pimenta jamaicana

Como fazer


Na véspera

Faça o caldo de legumes, usando os ingredientes relacionados na lista acima para esse item; cozinhe em bastante líquido e vá corrigindo, para que complete os 2 litros solicitados. Coe e reserve na geladeira.
Cozinhe também com antecedência o grão-de-bico (em panela sem pressão) e reserve o liquído que restar - no máximo, meio litro.
A cebola deve ser picada em pedaços grandes e colocada no vinagrete.

Depois de uma boa noite de sono...

Comece a cozinhar umas quatro horas antes de servir, porque a paella tem que ser servida logo que pronta, para que não fique seca, tem que manter aquele molhadinho que lhe é particular.

Corte os tomates, sem pele, em quatro.
Corte os pimentões em fatias finas.
A abobrinha deve ser cortada em quadradinhos de tamanho médio.
Cogumelos - fatiados.

Como o arroz é integral, tem que ser cozido parcialmente antes de ser misturado aos demais ingredientes. Cozinhe as duas xícaras de arroz com 4 xícaras do caldo de legumes e pouco sal, retirando do fogo quando o líquido secar.

Existe a vasilha correta para fazer paella, que naturalmente é a paellera; já tive uma enorme de barro, que quebrou em uma das 400 mudanças que fiz durante minha vida, até agora... procurei exaustivamente pelo comérico local e só encontrei algumas, com o famigerado teflon ou com "quatro camadas anti-aderentes". Então, desisti, por hora (aliás, se alguém quiser me presentear com uma... hehehehehehe) e utilizei uma frigideira esmaltada enorme, larga e com pouca altura, o que permite que todos os ingedientes cozinhem com uniformidade.

Então, arregaçando as mangas, vamos lá:

Colocar uma colher de azeite na panela e refogar a cebola, retirada do vinagrete.
Refogar a abobrinha, acrescentar um pouco do caldo de legumes para cozinhá-la, até que fique crocante.
Acrescentar os cogumelos, deixar cozinhando alguns minutos.
Acrescentar o grão-de-bico e adicionar a água em que foi cozido.
Salgar e adicionar a curcuma, o gengibre, o orégano e a pimenta.
Deixar cozinhando por uns 10 minutos.
Adicionar os pimentões fatiados, corrigir o sal e deixar mais 10 minutos cozinhando, antes de acrescentar o arroz.
Coloque o arroz previamente cozido e mexa levemente, apenas para incorporar o arroz aos outros itens, sem desmanchá-los.
Coloque os tomates por cima do arroz; experimente o molho e veja se é necessário corrigir o tempero. Regue generosamente os tomates com o azeite de oliva.
Adicione caldo de legumes suficiente para cobrir toda a paella e deixar bastante molho sobre ela. Cozinhe mais 10 minutos, com o fogo baixo.
Aqueça o forno a 180º e coloque ali a paella por mais 10 minutos.
Retire do forno, adicione mais azeite de oliva e folhas de coentro, antes de servir.

Nuvem de abacaxi com hortelã

Faça dois litros de chá de hortelã, não muito forte.
Deixe esfriar.
Bata no liquidificador um abacaxi médio, beeeeeem maduro, pois assim não haverá necessidade de acrescentar açúcar.
Junte o chá ao suco e coloque numa vasilha grande que possa ir ao fogo.
Antes de iniciar o cozimento, adicione uma CS bem cheia de agar-agar, dissolva e cozinhe até levantar fervura, baixando o fogo e deixando cozinhar por mais 20 minutos.
Espere esfriar e coloque na geladeira, para que gelifique.
Quando for servir, retire uma quantidade do creme, adicione água e bata no liquidificador (uma xicara do creme para três de água). Se quiser, pode substituir a água por água de coco.
Vira uma espuma refrescante!

São duas opções que podem ser utilizadas nas ceias de fim-de-ano!

sábado, 21 de novembro de 2009

É primavera... chove chuva!


cute kawaii

Bem que eu queria estar naquele balanço, sob o sol e os vento suaves da primavera... mas não pára de chover canivetes! Nem piquenique dá para fazer...

domingo, 8 de novembro de 2009

Feira do Livro na Praça da Alfândega - com pipoca!


Passamos o domingo na Feira do Livro - olhei muito e comprei pouco - até queria comprar mais livros, mas o preço (mesmo com os 20% de desconto) torna o prazer proibitivo.

Mas valeu olhar, folhear, ficar a par das novidades, rever os clássicos, tomar sol, ver gente estranha, encontrar conhecidos, comer pipoca salgada com orégano (encontrei um pipoqueiro muito sofisticado, que oferecia uma grande variedade de temperos para colocar no saquinho das pipocas; queijo ralado, orégano, pimenta, canela em pó, coco ralado...) - pena que todos eles tenham a mão pesada para medir o sal, mas isso é culpa do povo, que gosta de comer pipoca bem salgada!



Assistimos a um quarteto constituído só por instrumentos de sopro - Barlavento, Quarteto de Saxofones - tocando jazz, blues, chorinho, milonga e até o tema musical do desenho do Pernalonga (muito ecléticos...)!



E fiquei feliz em saber que a Área Infantil da Feira tem sido a mais movimentada e a que mais está vendendo - é isso, crianças, vamos ler e muito!

Ganhando autógrafo da Léia Cassol, autora gaúcha.

E para finalizar, encontrei minha poeta brasileira preferida, a Cora Coralina, com seu nome imortalizado entre tantos outros da nossa literatura e caprichei na foto:

"Versos... não. Poesia... não. Um modo diferente de contar velhas histórias."

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Galhos cheinhos de pitangas


Feriado cheio de sol, calor escaldante, momento propício para subir nas árvores carregadinhas de pitangas e colhê-las, antes que se esborrachem no chão e sejam comidas pelas formigas.


Lindas, coloridas, suculentas - prontas pra serem saboreadas...



Trouxe um montão delas pra casa - pretendo fazer uma geléia, se resistir a comê-las na sua forma natural... são tão doces, maduras... será que precisam ficar mais doces? rsssss



As gurias ficaram na piscina, tentando me molhar com a mangueira enquanto estava empoleirada na árvore catando as pitangas. Molecas danadinhas...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Quando setembro vier


O inverno agoniza, um restinho de frio ainda teima em ficar, mas setembro chegou e com ele as promessas de renovação e a força da primavera que faz nascer brotinhos nos galhos das árvores (algumas já estão cheias de flores, como os ipês - roxo, amarelo e rosa).
Pra comemorar a mudança que se aproxima, escolhi uma linda história da Cora Coralina, que fala de verde, de coisinhas brotando da terra, de nutrição, do fantástico e do cotidiano.

Chama-se "Os Meninos Verdes".

- E a história dos Meninos Verdes, vovó?
- Então vocês querem saber a estória dos Meninos Verdes? Mas não é uma estória, é um acontecimento. Me pediram para não divulgar o assunto, esperando para ver o que acontece, porque o caso é muito sério! Vou contar só pra vocês. Foi assim:
"No quintal da Casa Velha da Ponte sempre tivemos horta com verduras, legumes. Também pomar com árvores de frutas variadas e jardins com flores.
O quintal é o mundo de seu Vicente, um homem que viveu sempre plantando, cultivando, colhendo. É prestadio e metediço.
Certo dia, entre plantas que nascem lá, boas ou más, apareceram duas plantas diferentes. Seu Vicente estranhou, queria arrancá-las. Eu disse:
- Não, deixe crescer, vamos ver o que sai daí.
Com o passar dos dias, as plantas se desenvolviam de forma estranha, não eram conhecidas de ninguém.
Certo foi que um dia, de manhã cedo ainda, no tempo de frio, vem seu Vicente com uma cara de espanto e me diz:
- Dona Cora, Dona Cora, vem ver uma coisa!
Eu estava acendendo o fogo para fazer o café e disse:
- Espera um bocado, depois do café eu vou.
- Não, não, a senhora vem já. Venha ver!
Impressionada com aquele chamado urgente fui até o quintal. E lá, debaixo das tais plantas estranhas, vi umas coisinhas que se mexiam, buliam. Umas coisas vivas.
Na primeira olhada não pude definir o que seria aquilo. Pareciam bichos, filhotes de passarinho, qualquer coisa que tivesse caído por ali, que tivesse despencado de um galho de árvore. E tinham se juntado na sombra daquelas duas plantas.
Depois me abaixei e examinei melhor. Eram seres vivos, com todas as formas de crianças em miniatura! Tomei um nas mãos, senti que era gelatinoso, com movimentos muito vivos, como querendo escapar da minha mão.
Assombrada, achei que precisava retirá-los da terra, porque estavam bem sujinhos!
Seu Vicente apanhou o balaio que ele usa para os trabalhos no quintal. Forrou-o com panos e cobertas vermelhas e acomodou aqueles seres. Eram sete, e, achando que eles estavam com frio, seu Vicente rebuçou. Examinando de perto, perguntou:
- É bicho, é passarinho ou é gente?
- Velho, isso é uma coisa que nós vamos indagar e não fale pra ninguém!
- É salta-caminho! - falou assombrado.
- Cubra com mais um cobertor e leve para o outro lado da casa. Depois do café vou resolver o que se faz.
Voltei para o fogão, fiz o café e comecei a imaginar o que seria aquilo. Fui vê-los. Estavam juntinhos e já não tremiam.
Tomei um nas mãos e vi que tinha a cabeça verde, olhos verdes, boquinha verde, dentinhos verdes em ponta, orelhas verdes e o cabelinho como de milho, mas verde. Os pés e as mãos tinham unhas como garras de passarinho. Na barriguinha lisa, o um bigo era apenas uma manchinha verde mais escura.
Eram dois grupos. Um grupo tinha a cabecinha chata e o cabelo pendendo para baixo. O outro grupo tinha a cabeça pontuda, cabelo em ponta, tendendo para cima. Os sinais sexuais estaavam um tanto indefinidos, mas notava-se a diferença entre um grupo e outro.
Tornei a agasalhá-los e disse:
- Velho, precisamos dar alimento pra eles.
Seu Vicente, sempre pronto a dar comida a todo bicho que aparece, falou:
- Vou fazer uma papa de farinha!
- Não, não faça de farinha, vou fazer mucilagem.
Seu Vicente alimentou os serezinhos às dedadas - à moda nordestina - passando na boca e empurrando. Assim, ele e os serezinhos ficaram todos lambuzados.
Aí, considerando que aquele mistério tinha que ser mantido em segredo, pensei que era muito pesado para mim só. Fiz um chamadinho para uma vizinha muito boa, que veio à minha casa. Contei a ela o acontecido.
- Preciso de sua ajuda.
Ela ficou admirada quando viu o conteúdo do balaio e compreendeu a necessidade de guardar segredo.
- Dona Cora, vou fazer uns macacõezinhos de flanela, parece que eles estão com frio.
Costurou quatro macacões rosa e três azuis, achou que eram meninas e meninos. Eles aceitaram as roupas.
Mais tarde, quando voltamos lá, eles tinham estraçalhado as flanelas com os dentinhos. Continuavam juntinhos, meio tremendo.
Depois passaram a não querer mais a mucilagem.
Vi que em vez de aumentarem de peso e de tamanho, estavam diminuindo.
Aí eu pensei: "E agora, deixar morrer à miungua não é possível".
Minha vizinha sugeriu falar com seu irmão, um médico conceituado.
Dr. Passos veio mais tarde, olhou, espantou-se e deu uma orientação muito inteligente:
- Tudo é verde neles. Como estão rejeitando alimento, vamos colorir a mucilagem de verde e vamos vesti-los de verde.
Minha vizinha costurou macacõezinhos verdes e passamos a alimentá-los com sopas e purês de espinafre, repolho, alface, agrião, chicória. Eles gostaram do verde das comidinhas e das roupas.
Seu Vicente transformou o balaio numa casinha, enfeitada de folhas verdes, com camas-beliche, cadeirinhas e mesinhas, tudo pintadinho de verde. Aí a coisa foi melhorando, começaram a se desenvolver e perderam aquele aspecto gelatinoso.
Foram se firmando, a gente via que eles tinham mais vitalidade. Brincavam entre si e quando um começava a chiar, os outros respondiam num chiado diferente. Numa hora parecia que aquele chiado era um risada, noutra, um grito ou uma conversinha entre eles. Agarrando a beira do balaio, saíam, espalhando-se pela casa. Batizei-os como Meninos Verdes.
Muito ocupada com meus doces, um dia, mexendo com o tachos, um dos meninos começou a subir pela minha perna, pela minha roupa e quando vi, estava no meu pescoço, olhando para dentro do tacho. Passei uma dedada de açúcar pela boquinha dele. Gostou."Oi, que danado!"


Não podia mantê-los em minha casa, sempre com a porta da rua e a porta do meio abertas. Passei a manter fechada a porta do meio.
O tempo passando, o problema se agravando, os meninos cada vez mais vitalizados. Seu Vicente cansado, sentindo-se importunado.
- Dona Cora, olhe o que os danados estão fazendo comigo, minhas mãos arranhadas, eu sem tempo até para fazer um cigarro de palha. A senhora vai fazer criação desses salta-caminhos?
- Paciência, isso veio para mim, mas não tenho como resolver.
- Deixe, Dona Cora, num dia de chuva, coloco todos numa caixa de papelão e solto rio abaixo.
- Velho, não fale isso outra vez. É um crime. Os Meninos Verdes vieram para mim. Tenho de resolver o problema.
Pedi socorro para minha boa vizinha.
- Converse com a mulher do Presidente da República. É criatura muito humana, já esteve aqui na cidade, conhece a senhora.
Carteei com a Primeira-dama. Em resposta dizia-se muito admirada e pedia fotos. O filho de minha vizinha tirou fotos muito nítidas. Eu as enviei.
A resposta chegou antes do que eu esperava: ia mandar buscar os Meninos Verdes.
Eu disse a ela que o carro deveria parar longe de casa para não despertar suspeitas.
Os portadores - um médico, uma enfermeira e uma assistente social - cgefaram como se fossem comprar doces. Ficaram pasmos, absurdos com o que viam!
Meus Meninos Verdes foram acomodados pela enfermeira em uma caixa acolchoada e rumaram para o Planalto.
Assim, me achei aliviada, mas não liberta. Espiritualmente estava ligada a eles e já sentindo sua falta. Acompanhava à distância a nova vida dos Meninos Verdes.
Quando chegaram ao Palácio, foi um espanto geral. O Presidente mandara construir, na parte do Palácio reservada à família, uma casa especial com auditores e visores. Quando não estava ocupado, gostava de sentar-se na frente da casa dos Meninos Verdes.
Uma enfermeira os acompanhava permanentemente. A alimentação estava a cargo da nutricionista. Pedagogos, psicólogos e antropólogos faziam parte da equipe de estudos. Os serezinhos crecsiam devagar.
O Presidente da época foi substituído e todos os presidentes depois dele continuaram a cuidar dos meninos.
Foi quando resolveram criar a Cidade dos Meninos Verdes, um pólo de turismo que seria mais interessante que a Disneylândia, na América do Norte. Chamaram um grande arquiteto para projetar a cidade.
Quando estava para iniciar-se a construção da cidade, cientistas brasileiros convidaram cientistas estrangeiros para conhecerem aqueles seres que surpreendiam a todos pelo seu desenvolvimento.
Vieram cientistas de muitos países e ficaram assombrados, sem saber o que eram e de onde tinham vindo aqueles serezinhos. Examinaram, fotografaram, radiografaram, observaram, indagaram.
Mas a ideia de criar uma Cidade dos Meninos Verdes como atração turística não foi aprovada. Os serezinhos eram um fenômeno científico obscuro, de imprevisível futuro, assim, decidiram continuar observando suas vidas, o que poderia significar grandes avanços na Ciência.
Países estrangeiros ofereceram tecnologia científica para acompanhar o caso e queriam levar os Meninos Verdes para a Europa, Ásia, Estados Unidos.
Ofereceram até indenização!
O Brasil rejeitou a proposta.
O governo aceitou apenas a colaboração científica, técnica e cultural de todos os países do mundo, declarando os Meninos Verdes patrimônio universal da Ciência.
A companho à distância meus Meninos Verdes.
Estão crescendo devagarinho, dão sinais de inteligência e vivacidade, já estão com 12 centímetros!"

Disse Carlos Drummond de Andrade sobre Cora:
"Cora Coralina é a pessoa mais importante de Goiás. Mais que o governador, as excelências, os homens ricos e influentes do Estado..."


Eu concordo com o poeta.

E para completar o clima primaveril, uma receita verde:

Suco AAA - uma tríplice dose de vitamina A para reforçar o sistema imunológico

Ingredientes

3 cenouras
1 talo de salsão
1 maçã
1/2 beterraba, com as folhas
1 punhado de grama de trigo
1 punhado de salsa

Procure utilizar ingredientes orgânicos, para aproveitar as cascas e as folhas.
Pique em pedaços as cenouras, o salsão, a maçã e a beterraba - ponha na centrífuga, adicionando por último o trigo, as folhas da beterraba e a salsa.
Se usar o liquidificador, terá que acrescentar um pouco de água.

Faça um brinde à primavera!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Doces poesias


Cora Coralina fazia poemas como quem faz doces.
Fazia doces como quem faz poemas.
Também escrevia contos, mas foram os versos que a consagraram.
Goiana, morreu às vésperas de completar 96 anos - reverenciada em todo o Brasil pelos seus escritos, na terra natal, ninguém esquece que, antes de tudo, ela criava doces deliciosos.
Doces com muito açúcar branco - ai!
Recolhi uma de suas receitas e troquei a brancura do refinado pelo castanho do mascavo - Docinhos de mamão maduro - um doce tão doce que é pra ter guardado a sete chaves e comer um pedacinho só quando bate aquela vontade de reviver a infância.

Ingredientes

Para 4 quilos de docinhos, aproximadamente

3 mamões maduros (não demais), pesando 5 quilos no total
2 quilos de açúcar mascavo marrom-clarinho
uma colher de sopa de cal virgem
3 folhas de figueira (opcional)
água o quanto baste
mais açúcar para passar nos docinhos
uma colher de sopa de maisena (ou araruta)


Como fazer


Descascar os mamões, retirar as sementes e cortar em quadradinhos.

Colocá-los em uma bacia grande, cobrir com água, dissolvendo nela a colher de cal.
Deixar de molho por 5 a 10 minutos e quando os pedaços estiverem durinhos, escorrer e lavar em bastante água corrente, para retirar toda a cal.

Depois de bem lavados, furá-los com um garfo e colocar em um tacho, com as folhas de figueira. Juntar água até cobrir e adicionar o açúcar.

Levar ao fogo alto e cozinhar, sem mexer, por duas horas, aproximadamente. Balançar o tacho de vez em quando. Quando der o ponto, baixar o fogo.

Quando a calda estiver grossa, virar os docinhos numa peneira de taquara ou plástica (não usar peneira de metal). Espalhar os quadradinhos de mamão sobre a peneira e deixar ao sol, por aproximadamente um dia, até ficarem secos por fora (Nem pense em fazer tais docinhos durante um inverno chuvoso...).

Não reaproveitar a calda.

Peneirar o açúcar adicional numa peneira fina e depois misturar a maisena (ou araruta).

Quando os docinhos estiverem secos, passá-los nessa mistura.

Podem ser servidos em seguida ou guardados.

Mora dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.

Cora Coralina