A cozinha é o lugar mais reconfortante da casa porque nele encontramos alimento para o corpo e para a alma. Deixe a Natureza entrar na sua e esqueça os produtos feitos pela indústria alimentícia em geral, que não coloca amor nesse ato nem está preocupada com a saúde do seu organismo e o de sua família!
Esse é um dos segredos de manter o bem-estar - não entregue essa função vital a terceiros - ponha a mão na massa, deixe a preguiça de lado e estabeleça como prioridade fazer a comida que vai mantê-lo longe das doenças!
Esse é um dos segredos de manter o bem-estar - não entregue essa função vital a terceiros - ponha a mão na massa, deixe a preguiça de lado e estabeleça como prioridade fazer a comida que vai mantê-lo longe das doenças!
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terça-feira, 5 de novembro de 2019
Bolo Salgado
Ingredientes
3 xícaras de farinha de trigo (uma da branca e duas da integral fina)
1 CS de cúrcuma em pó
1 cc de sal com ervas e pimenta moída a gosto
1/4 xícara de óleo
uma xícara de água (talvez use um pouco mais)
1 CS de fermento caseiro
2 CS de gel de linhaça (substitui 2 ovos)
azeite de oliva
Recheio: ele pode ser variado e com os itens de sua preferência, picados finamente não devem ultrapassar a medida de duas xícaras de chá. Nesse bolo, usei alho, cebolinha, tomate seco, azeitonas pretas, milho e ervilha.
Como fazer
Bem antes de iniciar o preparo, faça o gel de linhaça, colocando uma colher de sopa cheia de sementes em meia xícara de água e aguarde. Quando estiver pronto, coe e use duas CS dele. Se sobrar, utilize para outros fins, como misturar em um suco de frutas, mas faça isso logo.
Prepare o recheio, picando tudo miudinho e adicionando um pouco de azeite de oliva.
Já falei várias vezes aqui sobre o "fermento caseiro", sem alumínio, facílimo de fazer, basta unir cremor tártaro e bicarbonato de sódio. Duas porções de cremor para um do bicarbonato, faça até atingir o volume de uma colher de sopa. Se quiser faça maior quantidade e guarde em vidro bem fechado. Prefiro fazer sempre na hora do consumo.
Vamos então juntar todos os ingredientes.
Numa vasilha grande, misture as farinhas, devidamente peneiradas, a cúrcuma, o sal com ervas, a pimenta moída e o fermento.
Adicione o recheio e vá misturando tudo até conseguir uma massa coesa.
Adicione a água e o óleo, alternadamente, não coloque tudo de uma vez só, use a xícara de água e, se necessário, um pouco mais. A massa não deve ficar mole como a de bolos doces, mas bem encorpada, consistente e firme.
Por último, adicione o gel de linhaça.
Coloque a massa em assadeira untada e enfarinhada e asse por uns 45 minutos, é o tempo que leva no meu forno pra ficar bem dourada, mas já sabemos que cada forno funciona de forma diferente, pode ser necessário um pouco menos ou mais de tempo no seu.
Após 30 minutos da massa no forno, ele pode ser aberto para testarmos com o palito, nunca abra antes disso. Eu espero os 45 minutos e sempre está perfeito, nem testo mais, só de olhar já sei que está nos trinques.
Dá pra comer puro, com molho, com uma pasta ou até acompanhando uma sopa.
sábado, 26 de outubro de 2019
Hambúrguer de feijão azuki
Ingredientes
2 xícaras de feijão azuki cozido
uma cebola média
azeite de oliva
sal de ervas, páprica picante e fumaça líquida
farinha de mandioca suficiente pra dar liga
uma mão cheia de cebolinha verde picada
Como fazer
Refogar a cebola no azeite de oliva.
Temperar o feijão com o sal, a páprica picante e a fumaça líquida.
Pra quem não sabe o que é essa fumaça, ela deixa os alimentos com sabor defumado, basta pingar algumas gotas ou jatos do spray no ingrediente antes do cozimento.
Depois de refogar bem o feijão, retirar do fogo, deixar esfriar um pouco, juntar a cebolinha picada e ir adicionando a farinha de mandioca até que a massa fique coesa, perfeita para modelar os hambúrgueres. Dá pra fazê-os fofinhos ou mais espraiados.
Fritar em pouco óleo dos dois lados, só para deixar crocante.
Pra acompanhar, fiz um macarrão integral com tomate seco e azeitonas pretas.
A combinação ficou incrivelmente saborosa e perfeita - modéstia à parte!
Hambúrguer de feijão preto
Essa imagem é da página Cozinha Natureba lá no face, já temos aqui a receita do hambúrguer com feijão branco, é só substituir pelo feijão preto para termos o burger da foto.
E logo posto o hambúrguer que fiz usando o feijão azuki.
Alternativas vegetais para hambúrgueres - temos, sim!
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
Bolinhas de aipim
Receita facílima de fazer, cruelty free. Podemos usar outros tubérculos, como batata inglesa e batata doce, mandioquinha, inhame, cará, o segredo é não cozinhá-los demais para não ter que adicionar farinha às bolinhas.
Cozinhar 1 quilo de aipim com sal, não deixar macio demais, que fique numa consistência firme. Faça isso na véspera e reserve. Já prepare também o gel de linhaça, colocando as sementes de molho, ele irá substituir os ovos para fornecer a liga.
Coloque o aipim no processador até produzir uma massa homogênea. Passe para uma vasilha grande, use seus temperos favoritos (coloquei orégano, salsa picadinha e cúrcuma, para dar o tom amarelado) e junte aproximadamente 3 CS do gel de linhaça, misturando bem. Adicione leite vegetal (usei o de arroz) aos poucos, para encorpar mais a massa. Se desejar, adicione também "queijo vegano" ralado. A massa não pode ficar muito mole, isso acontecerá se cozinhar demais os tubérculos ou se exagerar na quantidade do líquido.
Passe azeite de oliva nas mãos e vá fazendo as bolinhas, colocando-as numa forma grande, forno pré-aquecido a 200º, retire quando ficarem douradas. Servem para um lanche, como aperitivo ou pra comer assistindo a um filme de suspense, que foi o que fiz! :)
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Pão de queijo sem queijo
Quase todo mundo que abandona o consumo de laticínios, sente falta de algum prato feito com eles, como o pão de queijo, por exemplo.
É uma tentação: fofinho, quentinho, fumegante e saboroso...
Algumas receitas de "pão de queijo sem queijo" dão um resultado bem satisfatório e muito próximo ao original: o sabor fica parecido, a textura e a aparência ficam iguais, como provam estas imagens.
Quando bate a vontade de saborear um pãozinho de queijo, faço essa receita, e o desejo vai embora, deixando a satisfação de tê-lo realizado - com prazer e sem laticínios.
"Pão de queijo" com mandioquinha e polvilhos
Ingredientes (a medida da xícara é de 250 ml)
duas xícaras de polvilho doce
1/2 xícara de polvilho azedo
uma xícara e 1/2 de mandioquinha cozida e esmagada
1/3 de xícara de óleo vegetal
1/4 de xícara de água morna
sal a gosto
temperos a gosto, se desejar fazer uma parte da massa com outro sabor
Como fazer
Cozinhar a mandioquinha até ficar bem mole, amassar com um garfo
para que vire um purê.
Assim que ficar morno, adicione todos os outros ingredientes.
Coloquei nessa ordem, sobre o purê de mandioquinha: os polvilhos,
o sal, o óleo e a água.
Misturar com as mãos, criando uma massa homogênea.
Divida essa massa ao meio, se quiser fazer diferentes sabores de pão.
Coloquei numa das metades: cúrcuma, páprica, mangerona, salsa, alho e manjericão (as duas primeiras em pó, os demais bem picadinhos).
Enquanto o forno aquece, faça as bolinhas e coloque numa assadeira, levemente untada.
Fiz 40 bolinhas de tamanho pequeno.
Pela lógica, deve render 20 pãezinhos de tamanho médio.
Assar por aproximadamente 45 minutos, em forno médio.
Eles ficam no ponto quando apresentam a casquinha crocante e a característica rachadura na superfície.
É uma tentação: fofinho, quentinho, fumegante e saboroso...
Algumas receitas de "pão de queijo sem queijo" dão um resultado bem satisfatório e muito próximo ao original: o sabor fica parecido, a textura e a aparência ficam iguais, como provam estas imagens.
"Pão de queijo" com mandioquinha e polvilhos
Ingredientes (a medida da xícara é de 250 ml)
duas xícaras de polvilho doce
1/2 xícara de polvilho azedo
uma xícara e 1/2 de mandioquinha cozida e esmagada
1/3 de xícara de óleo vegetal
1/4 de xícara de água morna
sal a gosto
temperos a gosto, se desejar fazer uma parte da massa com outro sabor
Como fazer
Cozinhar a mandioquinha até ficar bem mole, amassar com um garfo
para que vire um purê.
Assim que ficar morno, adicione todos os outros ingredientes.
Coloquei nessa ordem, sobre o purê de mandioquinha: os polvilhos,
o sal, o óleo e a água.
Misturar com as mãos, criando uma massa homogênea.
Divida essa massa ao meio, se quiser fazer diferentes sabores de pão.
Coloquei numa das metades: cúrcuma, páprica, mangerona, salsa, alho e manjericão (as duas primeiras em pó, os demais bem picadinhos).
Enquanto o forno aquece, faça as bolinhas e coloque numa assadeira, levemente untada.
Fiz 40 bolinhas de tamanho pequeno.
Pela lógica, deve render 20 pãezinhos de tamanho médio.
Assar por aproximadamente 45 minutos, em forno médio.
Eles ficam no ponto quando apresentam a casquinha crocante e a característica rachadura na superfície.
sábado, 6 de outubro de 2012
Hambúrguer de quinoa e a Dra. T. Bones Brennam
A quinoa (ou quinua) é um pseudo cereal que contém muita proteína, ideal para fazer parte de dietas vegetarianas: Quinua (Chenopodium quinoa)
Quem já me conhece bem, sabe que sou fã de séries televisivas e umas das minhas preferidas é Bones, onde a Dra. Temperance "Bones" Brennan investiga casos de assassinatos analisando ossos (a personagem é inspirada na vida da médica legista Kathy Reichs). A doutora Bones é casada com o agente do FBI Seeley Joseph Booth e eles, apesar de terem personalidades muito distintas, buscam atenuar suas diferenças e chegar a um consenso.
Bones é vegetariana. Booth, não é.
Nesse interessante diálogo entre os dois, ele fica conhecendo a quinoa, sendo apresentada pela esposa. Amei o interesse dele e a disposição de aceitar uma novidade na sua alimentação!

Aqui vai uma receita de hambúrguer de quinoa (Receitas GNT), para a Bones e o Booth e todos os leitores do blog:
Ingredientes
½ xícara de quinoa
½ cenora ralada
1 abobrinha verde ralada (só a casca)
½ xícara de brócolis
1 cebola picada
1 colher de amido de arroz ou milho
1 colher de óleo de coco
Modo de fazer
Cozinhe a quinoa em dois copos de água. Reserve. Doure bem a cebola no óleo de coco e coloque todos os legumes. Mexa deixando-os al dente.
Coloque a quinoa já cozida, acrescente o amido (se necessário, um pouco de água) mexendo sempre até criar liga. Espere esfriar e faça hambúrgueres do tamanho de um pires de xícara de café.
Grelhe em uma frigideira untada de óleo.Sirva com molho de tomate.
Foto ilustrativa: Getty Images
Quem já me conhece bem, sabe que sou fã de séries televisivas e umas das minhas preferidas é Bones, onde a Dra. Temperance "Bones" Brennan investiga casos de assassinatos analisando ossos (a personagem é inspirada na vida da médica legista Kathy Reichs). A doutora Bones é casada com o agente do FBI Seeley Joseph Booth e eles, apesar de terem personalidades muito distintas, buscam atenuar suas diferenças e chegar a um consenso.
Bones é vegetariana. Booth, não é.
Nesse interessante diálogo entre os dois, ele fica conhecendo a quinoa, sendo apresentada pela esposa. Amei o interesse dele e a disposição de aceitar uma novidade na sua alimentação!

Aqui vai uma receita de hambúrguer de quinoa (Receitas GNT), para a Bones e o Booth e todos os leitores do blog:
Ingredientes
½ xícara de quinoa
½ cenora ralada
1 abobrinha verde ralada (só a casca)
½ xícara de brócolis
1 cebola picada
1 colher de amido de arroz ou milho
1 colher de óleo de coco
Modo de fazer
Cozinhe a quinoa em dois copos de água. Reserve. Doure bem a cebola no óleo de coco e coloque todos os legumes. Mexa deixando-os al dente.
Coloque a quinoa já cozida, acrescente o amido (se necessário, um pouco de água) mexendo sempre até criar liga. Espere esfriar e faça hambúrgueres do tamanho de um pires de xícara de café.
Grelhe em uma frigideira untada de óleo.Sirva com molho de tomate.

Foto ilustrativa: Getty Images
terça-feira, 8 de maio de 2012
Caldo de legumes
Maravilhoso e saudável caldo de legumes, preparação ensinada nesse excelente vídeo, pelo chef André Cantú, do restaurante vegano Broto de Primavera (São Paulo).
Quem disse que só a Knorr e a Maggi sabem fazer cubinhos de caldo de legumes? hahahahaha Sai pra lá, cubinho com glutamato monossódico!
Receita hiper natureba, fiquei apaixonada e vou fazer, logo após ir na feira desse sábado, comprar todos o ingredientes, orgânicos, certamente!
Fiquei fã do chef, parabéns a ele!
Quem disse que só a Knorr e a Maggi sabem fazer cubinhos de caldo de legumes? hahahahaha Sai pra lá, cubinho com glutamato monossódico!
Receita hiper natureba, fiquei apaixonada e vou fazer, logo após ir na feira desse sábado, comprar todos o ingredientes, orgânicos, certamente!
Fiquei fã do chef, parabéns a ele!
quarta-feira, 21 de março de 2012
O Verdadeiro Frango Falso
Um vegano criou carne de frango sem frango (é claro!), com ingredientes vegetais, entre eles, a soja, obviamente... mas é uma opção, para consumir ocasionalmente e ela poderá salvar muitas galinhas da morte! E é bastante convidativa para vegetarianos que acabaram de fazer a transição e sentem falta da textura da carne...
O produto ainda não foi lançado no mercado, mas em breve, teremos acesso a ele, já que vivemos numa aldeia global.
Assistam ao vídeo:
O produto ainda não foi lançado no mercado, mas em breve, teremos acesso a ele, já que vivemos numa aldeia global.
Assistam ao vídeo:
domingo, 22 de janeiro de 2012
Churrasco vegetariano do Anonymus Gourmet
Pra quem não conhece, esse é um programa de culinária muito famoso aqui no RS, assistido por milhares de pessoas. Por isso, acho que é mais uma conquista vegetariana o fato desse churrasco ter sido apresentado no Anonymus - mais uma brecha para mostrar o estilo de vida vegetariano!
A propósito, a receita dos pãezinhos não é vegana, pois usaram manteiga - mas dá para substituir perfeitamente por azeite de oliva, fica uma delícia e muito saudável! Por favor, não usem creme vegetal nem margarina...
Aqui estão os ingredientes, as receitas e as fotos do programa apresentado ontem, dia 21 de janeiro, às 8h30min, pela RBS TV.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Churrasco vegetariano na TV!
Imagem do Vista-se
CHURRASCO VEGETARIANO É ATRAÇÃO NO "ANONYMUS"
O Anonymus Gourmet deste sábado (21/01/12) apresenta o Churrasco Vegetariano, um banquete saudável e saboroso.
O programa, que vai ao ar às 8h30min na RBS TV, mostra três pratos: espetinhos de legumes e frutas, pãezinhos assados recheados com alho e arroz à grega.
Tudo muito prático, inclusive para quem não tem churrasqueira.
(Publicado na edição de ZH de hoje)
Obaaaaa! Vamo engraxá os bigode de gordura vegetal!
CHURRASCO VEGETARIANO É ATRAÇÃO NO "ANONYMUS"
O Anonymus Gourmet deste sábado (21/01/12) apresenta o Churrasco Vegetariano, um banquete saudável e saboroso.
O programa, que vai ao ar às 8h30min na RBS TV, mostra três pratos: espetinhos de legumes e frutas, pãezinhos assados recheados com alho e arroz à grega.
Tudo muito prático, inclusive para quem não tem churrasqueira.
(Publicado na edição de ZH de hoje)
Obaaaaa! Vamo engraxá os bigode de gordura vegetal!
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Seitan/carne de glúten/passo a passo
O seitan não é difícil de fazer e usamos como ingredientes apenas a farinha de trigo branca e água (1 quilo de farinha necessita de 3 xícaras de água).
Para ficar mais fácil a compreensão da receita, sigam a postagem das fotos com as respectivas dicas. Depois de pronto, o seitan pode virar bife, guisado, assado, almôndega, enfim, pratos em que tradicionalmente usa-se a carne de animais; a textura e o aspecto ficam bem parecidos - já enganei muita gente oferecendo como carne e foi aceito como tal... rs
Sove a farinha de trigo com a água até construir uma massa consistente, macia e homogênea. Faça uma bola e coloque dentro de uma vasilha com água que cubra toda a superfície da massa (água morna/tépida).

Deixe de molho no mínimo 6 horas ou faça à noite para cozinhar pela manhã.
Após esse período de descanso, coloque a massa dentro de uma peneira com uma vasilha por baixo, para servir de apoio e vá lavando sob um fio de água da torneira. Esprema a massa delicadamente com as mãos para que o amido vá saindo.

Enquanto a água estiver branca, é necessário continuar lavando e modelando o seitan com as mãos, sob o jato de água da torneira.
A massa reduz bastante de tamanho mas seu volume aumenta quando for cozido na pressão, reidratando-se. A tonalidade final é meio amarelada e a consistência é parecida com a da borracha, bem elástica e macia.

Colocamos o seitan na pressão (pode ser numa panela comum, mas o cozimento irá demorar mais tempo, pois os temperos precisam entranhar bastante na massa) com 4 beterrabas médias, uma cebola média, folhas de louro, orégano, shoyu, pimenta e azeite de oliva. Na pressão, o seitan deve cozinhar 30 minutos (o dobro e mais um pouco para a panela sem pressão).

Após a panela esfriar, abrimos a mesma e... voilá! Está prontíssimo o seitan para ser usado em suas receitas - refogadinho na cebola e no shoyu fica uma delícia, vira estrogonofe, recheio para uma torta salgada, recheio de panquecas e pode ser cortado na forma que desejarmos: em fatias, em pedaços grandes para um assado, triturado num moedor para virar guisado, um burguer para o xis, enfim, use a imaginação, pois o seitan é como uma massa de modelar que se transforma em qualquer coisa em suas mãos!
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Omelete sem ovos

Dizem que não é possível fazer uma omelete sem quebrar ovos!
Quando faço a omelete tradicional, com ovos caipiras, daqueles postos por uma galinha que não foi maltratada e ciscou no terreiro (mas atenção, tem que conhecer bem a procedência, não valem aquelas caixinhas do supermercado com o desenho de uma galinha sorridente... compro os meus numa feira ecológica e com certificação), prefiro usar mais claras do que gemas.
Mas, usualmente, faço omeletes sem quebrar ovos, o que pode ser um mistério para alguns (talvez para o autor da primeira frase). Naturalmente, o sabor não fica igual ao de uma omelete feita com ovos, já que esse é o principal ingrediente da receita.
A aparência e a textura ficam semelhantes, mas o sabor é diferente, pode lembrar o legítimo com um pouco de imaginação ou boa vontade... rs
Aqui vão duas receitas que já experimentei; como estou sem câmera para fotografar, ficam sem as devidas imagens, que ajudariam a mostrar o aspecto das omeletes veganas ou sem ovos:
OMELETE SEM OVOS 1
Ingredientes
100 g de tofu
1 CS de amido de milho
4 CS de farinha de trigo
2 CS de azeite de oliva
1/2 xícara de água
1 cc de fermento em pó
1/2 cebola média picada em tiras finas
1/2 cenoura picada em tiras finas
1/2 tomate sem semente picado em cubos pequenos
3 CS de milho verde cozido
salsinha e cebolinha picadas
sal marinho e pimenta a gosto
1 cc de cúrcuma
Como fazer
Coloque no liquidificador o tofu, o amido de milho, a farinha de trigo, uma colher de sopa de azeite de oliva, a cúrcuma e a água. Bata até obter um creme liso. Adicione o fermento em pó e sal a gosto. Bata e reserve.
Em uma frigideira, aqueça a outra colher de azeite de oliva e coloque a cebola com a cenoura, refogando até ficarem crocantes. Acrescente os tomates, tempere com sal e pimenta a gosto e misture bem.
Deixe cozinhar por um minuto e acrescente a salsa e a cebolinha.
Despeje o creme de tofu reservado sobre os vegetais refogados (antes de despejar, bata mais um pouquinho no liquidificador). Espere cozinhar por uns 2 minutos. Vire e deixe dourar do outro lado.
OMELETE SEM OVOS 2
Ingredientes
meia xícara de farinha de trigo
1 cc de sal marinho
1 cc de cúrcuma
1 batata média cozida e bem amassada
1 colher de sobremesa de levedura de cerveja
meia xícara de óleo vegetal ou água
vegetais picados e ervas a gosto
Como fazer
Numa vasilha, mexer a farinha, a cúrcuma, a levedura e o sal, misturando bem.
Juntar o óleo ou água e misturar até ficar com uma consistência idêntica a do ovo. Adicionar a batata amassada e mexer bem.
Aquecer um fio de azeite numa frigideira grande. Refogar os vegetais picados, colocar a mistura, salpicar as ervas e deixa dourar em fogo baixo.
Vire e deixe dourar o outro lado.
Particularmente, acho que essa omelete fica mais similar à "original", porque o sabor do tofu é muito saliente.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Gelatinas em pó têm muito açúcar e pouco colágeno
Algas, a opção saudável
Texto publicado na Folha de São Paulo, por Flávia Mantovani, edição de 03/03/09:
"Apesar de ser uma sobremesa muito consumida por crianças, a gelatina não deveria fazer parte da alimentação infantil. É o que afirma a Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) após avaliar 11 pós para preparo do produto sabor morango: quatro na versão tradicional, quatro na versão diet e três na versão zero.
Por conterem adoçantes, as versões sem açúcar já não eram recomendadas para crianças saudáveis. Mas o levantamento mostrou que mesmo as versões tradicionais não são indicadas.
Um dos problemas é que duas das marcas (Royal e Dr. Oetker) possuem adoçante mesmo nas versões tradicionais. Segundo a Pro Teste, a informação não tem o destaque necessário no rótulo. Nos dois casos, as embalagens trazem personagens ou promoções voltados para o público infantil.
"A quantidade de adoçante que cada um deve ingerir por dia é calculada com base no peso da pessoa. No caso da criança, é bem mais fácil atingir a dose máxima. Por isso, a não ser que ela seja diabética ou tenha acompanhamento de um especialista, não deve ingerir adoçantes", diz a nutricionista Manuela Dias, pesquisadora de alimentos da Pro Teste.
Outro problema detectado foi excesso de açúcar. A média nas versões tradicionais foi de 7,9 g por porção, que equivale a um copo, ou 120 g, de gelatina pronta. O valor ultrapassa até a quantidade que adultos devem consumir: no máximo 7,5 g em um lanche. Para crianças de um a três anos, o valor é de 3,9 g. O produto da Bretzke foi o mais açucarado: 10,9 g por porção.
A Pro Teste destaca outra questão que considera preocupante: todas as gelatinas tinham o corante artificial amarelo crepúsculo, que vem sendo relacionado à propensão à hiperatividade infantil. No Reino Unido, a substância é proibida.
As crianças são as mais vulneráveis aos corantes em geral, diz a nutricionista Edira Gonçalves, professora da UniRio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro). Segundo ela, o consumo excessivo pode debilitar o sistema imune, favorecendo doenças como gripes.
A nutricionista lembra que a gelatina é apenas um dos produtos ricos em corante no mercado. Ela orientou uma pesquisa, publicada em 2008 na revista "Ciência e Tecnologia de Alimentos", que avaliou o consumo de gelatina, refresco em pó e refrigerante por 150 crianças. Concluiu que esses alimentos são muito comuns na dieta infantil e introduzidos bem cedo: em relação à gelatina, até um ano de idade em 95% dos casos.
Pouco nutritiva
Se a presença de colágeno é o motivo para dar gelatina às crianças, Manuela Dias diz que não vale a pena. A quantidade encontrada não ultrapassou 2 g -apesar de não haver consenso, a Pro Teste diz que alguns estudos sugerem que seriam necessários 10 g diários para haver benefícios.
"Quem consumir com essa finalidade está se enganando. Uma pessoa saudável consegue repor o colágeno apenas com uma dieta normal, rica em proteínas."
Para Dias, a gelatina é "um pó de aditivos, corantes e edulcorantes", e os pais devem preferir alimentos mais saudáveis, como iogurte e frutas. "Como a gelatina é docinha e colorida, as crianças gostam. Mas é um alimento totalmente artificial, não tem nada de morango, por exemplo, só o aditivo."
Ela diz que não há problema na ingestão de gelatina por adultos -pode ser uma boa opção para quem quer emagrecer, por exemplo. "As pessoas só não devem pensar que estão ingerindo algo nutritivo."
Além das questões nutricionais, foram constatados problemas em rótulos, como falta de informação sobre a presença de sódio e falta da data de fabricação --o dado não é obrigatório, mas a Pro Teste recomenda. A associação defende que se crie uma norma para regular gelatinas que defina parâmetros como quantidade de açúcar e de colágeno."
Sugerimos, para crianças e adultos, o consumo de gelatina agar-agar (uma variedade de alga) - pode-se fazê-la da maneira simples, cozinhando o pó em água, deixando amornar e adicionando suco e pedaços de frutas de sua preferência.
A agar-agar também pode ser usada em musses e sorvetes, procure as receitas aqui no blog.
Texto publicado na Folha de São Paulo, por Flávia Mantovani, edição de 03/03/09:"Apesar de ser uma sobremesa muito consumida por crianças, a gelatina não deveria fazer parte da alimentação infantil. É o que afirma a Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) após avaliar 11 pós para preparo do produto sabor morango: quatro na versão tradicional, quatro na versão diet e três na versão zero.
Por conterem adoçantes, as versões sem açúcar já não eram recomendadas para crianças saudáveis. Mas o levantamento mostrou que mesmo as versões tradicionais não são indicadas.
Um dos problemas é que duas das marcas (Royal e Dr. Oetker) possuem adoçante mesmo nas versões tradicionais. Segundo a Pro Teste, a informação não tem o destaque necessário no rótulo. Nos dois casos, as embalagens trazem personagens ou promoções voltados para o público infantil.
"A quantidade de adoçante que cada um deve ingerir por dia é calculada com base no peso da pessoa. No caso da criança, é bem mais fácil atingir a dose máxima. Por isso, a não ser que ela seja diabética ou tenha acompanhamento de um especialista, não deve ingerir adoçantes", diz a nutricionista Manuela Dias, pesquisadora de alimentos da Pro Teste.
Outro problema detectado foi excesso de açúcar. A média nas versões tradicionais foi de 7,9 g por porção, que equivale a um copo, ou 120 g, de gelatina pronta. O valor ultrapassa até a quantidade que adultos devem consumir: no máximo 7,5 g em um lanche. Para crianças de um a três anos, o valor é de 3,9 g. O produto da Bretzke foi o mais açucarado: 10,9 g por porção.
A Pro Teste destaca outra questão que considera preocupante: todas as gelatinas tinham o corante artificial amarelo crepúsculo, que vem sendo relacionado à propensão à hiperatividade infantil. No Reino Unido, a substância é proibida.
As crianças são as mais vulneráveis aos corantes em geral, diz a nutricionista Edira Gonçalves, professora da UniRio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro). Segundo ela, o consumo excessivo pode debilitar o sistema imune, favorecendo doenças como gripes.
A nutricionista lembra que a gelatina é apenas um dos produtos ricos em corante no mercado. Ela orientou uma pesquisa, publicada em 2008 na revista "Ciência e Tecnologia de Alimentos", que avaliou o consumo de gelatina, refresco em pó e refrigerante por 150 crianças. Concluiu que esses alimentos são muito comuns na dieta infantil e introduzidos bem cedo: em relação à gelatina, até um ano de idade em 95% dos casos.
Pouco nutritiva
Se a presença de colágeno é o motivo para dar gelatina às crianças, Manuela Dias diz que não vale a pena. A quantidade encontrada não ultrapassou 2 g -apesar de não haver consenso, a Pro Teste diz que alguns estudos sugerem que seriam necessários 10 g diários para haver benefícios.
"Quem consumir com essa finalidade está se enganando. Uma pessoa saudável consegue repor o colágeno apenas com uma dieta normal, rica em proteínas."
Para Dias, a gelatina é "um pó de aditivos, corantes e edulcorantes", e os pais devem preferir alimentos mais saudáveis, como iogurte e frutas. "Como a gelatina é docinha e colorida, as crianças gostam. Mas é um alimento totalmente artificial, não tem nada de morango, por exemplo, só o aditivo."
Ela diz que não há problema na ingestão de gelatina por adultos -pode ser uma boa opção para quem quer emagrecer, por exemplo. "As pessoas só não devem pensar que estão ingerindo algo nutritivo."
Além das questões nutricionais, foram constatados problemas em rótulos, como falta de informação sobre a presença de sódio e falta da data de fabricação --o dado não é obrigatório, mas a Pro Teste recomenda. A associação defende que se crie uma norma para regular gelatinas que defina parâmetros como quantidade de açúcar e de colágeno."
Sugerimos, para crianças e adultos, o consumo de gelatina agar-agar (uma variedade de alga) - pode-se fazê-la da maneira simples, cozinhando o pó em água, deixando amornar e adicionando suco e pedaços de frutas de sua preferência.
A agar-agar também pode ser usada em musses e sorvetes, procure as receitas aqui no blog.
sábado, 18 de abril de 2009
Amaranto

"O amaranto, um dos vegetais mais importantes da América pré-colombiana, cujo consumo foi proibido pelos espanhóis por estar associado a práticas religiosas, começa a ser reabilitado por cientistas brasileiros com um nobre fim: pesquisas recentes mostram que, além de ser altamente nutritivo, o amaranto é um excelente redutor dos níveis de colesterol plasmático, que provoca o entupimento dos vasos sangüíneos." (Fonte: Revista Ciência Hoje)
"A humanidade consumiu mais de sete mil espécies vegetais em sua história. Mas, nos últimos cem anos, deixou de cultivar mais de três quartos, e depende de apenas três – milho, trigo e arroz – para atender quase 70% de suas necessidades calóricas, afirmam dados das Nações Unidas.
Muitos cultivos antigos, como o amaranto (do gênero Amaranthus) e a quinoa (Chenopodium quinoa), promissoras espécies latino-americanas, hoje são pouco exploradas diante da expansão de cereais como o arroz e o trigo.
Junto com essas culturas, também se perde conhecimentos a elas associados, empobrecendo a agricultura e a nutrição, afirmam especialistas.
O amaranto foi declarado “o melhor alimento de origem vegetal para consumo humano”, em 1979, pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, por suas proteínas e seus aminoácidos singulares e por não requerer cuidados especiais, muita água nem terra muito fértil.
Muito plantado por maias, astecas e incas, esteve esquecido até a década de 60, mas atualmente se limita a apenas dois mil hectares plantados." (Fonte: Envolverde)
Nutrientes:
fibras
vitaminas - A, B6, riboflavina (B2), folato (ácido fólico)
minerais - cálcio, ferro, magnesio, fósforo, potássio, zinco, cobre, e manganês
Salada de amaranto
Ingredientes
2 xícaras (chá) de amaranto em grãos
2 xícaras (chá) de água
2 dentes de alho (médios)
1/2 xícara (chá) de cebolinha (picada)
1/2 xícara (chá) de salsa ou coentro (picados)
1 colher (sopa) de suco de limão
3 colheres (sopa) de azeite de oliva
Como fazer
Deixe os grão de molho na véspera do consumo.
Lave-os bem, adicione água e coloque para cozinhar por cerca de 10 min.
Dez minutos após o início da fervura, desligue e espere esfriar.
Adicione os temperos, o suco de limão, o azeite, sal a gosto; misture bem e está pronta para servir.
Texto interessante sobre a quinoa e o amaranto, denominados pseudo-cereais:
http://foradomanual.blogspot.com/2009/04/filmes-biodegradaveis-de-quinoa.html
sábado, 7 de março de 2009
Multimistura
A nutróloga Clara Brandão, criadora da multimisturaFalamos em outros posts, sobre fontes de cálcio e ferro, a respeito do valor nutricional da multimistura, além de apresentar um texto mostrando sua exclusão de um programa do governo.
Agora nesse post, reproduzimos texto com a posição do CFN (Conselho Federal de Nutricionistas) sobre a multimistura, opinião partilhada pela Anvisa.
É uma questão polêmica, que parece estar bem além do valor da mistura em si...
CFN DEFINE POSIÇÃO SOBRE MULTIMISTURA
Multimistura: A Posição do CFN
Na década de 80, a partir de idéias e práticas preconizadas desde 1975, houve uma ampla difusão da utilização de recursos alimentares não convencionais, como forma de melhorar e/ou recuperar o estado nutricional especialmente de gestantes, nutrizes e crianças de baixo peso.
Tratava-se do emprego de um composto de baixo custo, obtido a partir de alimentos mais comumente utilizados na nutrição animal, como os farelos, adicionado de folhas e sementes secas e trituradas, denominado "multimistura" (M.M).
Somente no início da década de 90, houve a mobilização da comunidade científica na tentativa de avaliar a verdadeira eficácia do produto, ocasião em que várias entidades governamentais da área de saúde, instituições de pesquisa e ensino superior, divulgaram resultados de pesquisas básicas e experimentais que demonstravam a fragilidade dos argumentos utilizados em favor de supostos benefícios à saúde humana. Tais estudos podem ser resumidos nos seguintes pontos:
o 1 - A "multimistura" é apenas uma farinha elaborada a partir de subprodutos alimentares que contem características químicas muito próximas, senão similares, a outros farelos e cereais, não possuindo qualquer atributo que lhe possa garantir a riqueza nutricional alegada por seus adeptos;
o 2 - A quantidade de "multimistura" utilizada na alimentação, é muito pequena e pouco contribui para a melhoria da qualidade nutricional da dieta, apesar do conteúdo nutricional de cada um de seus componentes. Além disso, a presença de fatores anti-nutricionais como o ácido fítico, encontrado nos farelos, e o ácido cianídrico, encontrado nas folhas de mandioca, prejudicam a biodisponibilidade de minerais como o zinco, o ferro, o magnésio e o cálcio presentes na dieta habitual;
o 3 - Os farelos de trigo e arroz podem ser considerados boas fontes de fibras alimentares, com grande capacidade de absorção de água, além de representar uma fonte importante de vitaminas E e do complexo B, mas um aumento de ingestão de fibras por pessoas que ingerem quantidades insuficientes de proteína pode reduzir o balanço de nitrogênio, prejudicando ainda mais o estado nutricional;
o 4 - Em relação a folha de mandioca e da semente de abóbora, a maioria das pesquisas ressalta os elevados conteúdos protéicos desses produtos, não mencionando o seu conteúdo de oligoelementos, que foi o principal motivo da disseminação dos mesmos na alimentação humana.
o 5 - No farelo de trigo e de arroz, o ácido fítico está presente em grande concentração constituindo um fator anti-nutricional que interfere na biodisponibilidade de minerais, tais como zinco, cálcio magnésio, e provavelmente ferro.
o 6 - Em relação ao pó da casca do ovo destaca-se que, embora seja um produto rico em cálcio, não há pesquisas conclusivas quanto a biodisponibilidade deste elemento. Sabe-se apenas que a forma de preparo e de ingestão do produto interfere negativamente na absorção do cálcio;
o 7 - A concentração do ácido cianídrico é mais elevada nas folhas da mandioca do que na raiz da mandioca e a forma de reduzir de maneira significativa o teor dessa substância envolve técnicas demoradas, que não condizem com a forma de preparo do pó preconizado atualmente, podendo ser prejudicial à saúde da população;
o 8 - Foi observado processo de rancificação em amostras do produto, em decorrência do seu conteúdo lipídico e da carga microbiana indesejável que se apresenta muitas vezes em níveis inaceitáveis para o consumo humano;
o 9 - Várias pesquisas experimentais com animais e crianças de baixo peso constataram que a utilização do produto não foi capaz de promover a recuperação do peso corporal dos usuários.
Em 1996, com base nessas conclusões, o CFN, ciente de seu compromisso com a saúde da sociedade, emitiu um parecer sobre os aspectos técnicos e éticos envolvidos na questão, que teve grande repercussão entre os nutricionistas e as entidades que utilizavam ou recomendavam a "multimistura" em seus programas de assistência alimentar e nutricional. Já naquela época, o posicionamento do CFN indicava "a necessidade de se intensificar as pesquisas e o controle de qualidade do produto".
Ao longo desses anos o assunto continuou gerando diversas polêmicas, tanto do ponto de vista nutricional, sanitário e microbiológico, quanto do preceito na segurança alimentar, provocando a mobilização de diversas instituições governamentais, entidades cientificas, instituições de ensino superior através dos seus departamentos e centros de pesquisas, com o objetivo de alertar as entidades governamentais sobre a necessidade de se posicionar-se em com relação ao tema, o que redundou na criação do Grupo AD HOC de Multimistura, com objetivo discutir o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade para a MM, cujos subsídios foram encaminhados ao MS.
Agora nesse post, reproduzimos texto com a posição do CFN (Conselho Federal de Nutricionistas) sobre a multimistura, opinião partilhada pela Anvisa.
É uma questão polêmica, que parece estar bem além do valor da mistura em si...
CFN DEFINE POSIÇÃO SOBRE MULTIMISTURA
Multimistura: A Posição do CFN
Na década de 80, a partir de idéias e práticas preconizadas desde 1975, houve uma ampla difusão da utilização de recursos alimentares não convencionais, como forma de melhorar e/ou recuperar o estado nutricional especialmente de gestantes, nutrizes e crianças de baixo peso.
Tratava-se do emprego de um composto de baixo custo, obtido a partir de alimentos mais comumente utilizados na nutrição animal, como os farelos, adicionado de folhas e sementes secas e trituradas, denominado "multimistura" (M.M).
Somente no início da década de 90, houve a mobilização da comunidade científica na tentativa de avaliar a verdadeira eficácia do produto, ocasião em que várias entidades governamentais da área de saúde, instituições de pesquisa e ensino superior, divulgaram resultados de pesquisas básicas e experimentais que demonstravam a fragilidade dos argumentos utilizados em favor de supostos benefícios à saúde humana. Tais estudos podem ser resumidos nos seguintes pontos:
o 1 - A "multimistura" é apenas uma farinha elaborada a partir de subprodutos alimentares que contem características químicas muito próximas, senão similares, a outros farelos e cereais, não possuindo qualquer atributo que lhe possa garantir a riqueza nutricional alegada por seus adeptos;
o 2 - A quantidade de "multimistura" utilizada na alimentação, é muito pequena e pouco contribui para a melhoria da qualidade nutricional da dieta, apesar do conteúdo nutricional de cada um de seus componentes. Além disso, a presença de fatores anti-nutricionais como o ácido fítico, encontrado nos farelos, e o ácido cianídrico, encontrado nas folhas de mandioca, prejudicam a biodisponibilidade de minerais como o zinco, o ferro, o magnésio e o cálcio presentes na dieta habitual;
o 3 - Os farelos de trigo e arroz podem ser considerados boas fontes de fibras alimentares, com grande capacidade de absorção de água, além de representar uma fonte importante de vitaminas E e do complexo B, mas um aumento de ingestão de fibras por pessoas que ingerem quantidades insuficientes de proteína pode reduzir o balanço de nitrogênio, prejudicando ainda mais o estado nutricional;
o 4 - Em relação a folha de mandioca e da semente de abóbora, a maioria das pesquisas ressalta os elevados conteúdos protéicos desses produtos, não mencionando o seu conteúdo de oligoelementos, que foi o principal motivo da disseminação dos mesmos na alimentação humana.
o 5 - No farelo de trigo e de arroz, o ácido fítico está presente em grande concentração constituindo um fator anti-nutricional que interfere na biodisponibilidade de minerais, tais como zinco, cálcio magnésio, e provavelmente ferro.
o 6 - Em relação ao pó da casca do ovo destaca-se que, embora seja um produto rico em cálcio, não há pesquisas conclusivas quanto a biodisponibilidade deste elemento. Sabe-se apenas que a forma de preparo e de ingestão do produto interfere negativamente na absorção do cálcio;
o 7 - A concentração do ácido cianídrico é mais elevada nas folhas da mandioca do que na raiz da mandioca e a forma de reduzir de maneira significativa o teor dessa substância envolve técnicas demoradas, que não condizem com a forma de preparo do pó preconizado atualmente, podendo ser prejudicial à saúde da população;
o 8 - Foi observado processo de rancificação em amostras do produto, em decorrência do seu conteúdo lipídico e da carga microbiana indesejável que se apresenta muitas vezes em níveis inaceitáveis para o consumo humano;
o 9 - Várias pesquisas experimentais com animais e crianças de baixo peso constataram que a utilização do produto não foi capaz de promover a recuperação do peso corporal dos usuários.
Em 1996, com base nessas conclusões, o CFN, ciente de seu compromisso com a saúde da sociedade, emitiu um parecer sobre os aspectos técnicos e éticos envolvidos na questão, que teve grande repercussão entre os nutricionistas e as entidades que utilizavam ou recomendavam a "multimistura" em seus programas de assistência alimentar e nutricional. Já naquela época, o posicionamento do CFN indicava "a necessidade de se intensificar as pesquisas e o controle de qualidade do produto".
Ao longo desses anos o assunto continuou gerando diversas polêmicas, tanto do ponto de vista nutricional, sanitário e microbiológico, quanto do preceito na segurança alimentar, provocando a mobilização de diversas instituições governamentais, entidades cientificas, instituições de ensino superior através dos seus departamentos e centros de pesquisas, com o objetivo de alertar as entidades governamentais sobre a necessidade de se posicionar-se em com relação ao tema, o que redundou na criação do Grupo AD HOC de Multimistura, com objetivo discutir o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade para a MM, cujos subsídios foram encaminhados ao MS.
O CFN esteve presente de forma marcante em todo esse processo.
Dentre as repercussões desse trabalho, a ANVISA publicou a Resolução nº 53, de 15 de junho de 2000 (DOU de 19/06/2000), que fixa a identidade e as características mínimas de qualidade para a "mistura à base de farelo de cereais", abrangendo sua composição obrigatória e opcional, dentre outros itens.
NOTA: Essa Resolução 53, de junho de 2000, já foi revogada.
A que está em vigor hoje é a Resolução RDC nº 263, de 22 de setembro de 2005.
A nova Resolução diz, entre outras coisas, o seguinte:
"A utilização de espécie vegetal, parte de vegetal ou de produto que não são usados tradicionalmente como alimento, pode ser autorizada desde que seja comprovada a segurança de uso, em atendimento ao Regulamento Técnico específico."
E também:
"7. REQUISITOS ADICIONAIS DE ROTULAGEM:
7.1. Misturas à Base de Farelos:
a) deve constar, obrigatoriamente, a seguinte advertência, em destaque e em negrito: "O Ministério da Saúde adverte: não existem evidências científicas de que este produto previna, trate ou cure doenças"; e
b) é vedada a indicação do produto para suprir deficiências nutricionais."
Dentre as repercussões desse trabalho, a ANVISA publicou a Resolução nº 53, de 15 de junho de 2000 (DOU de 19/06/2000), que fixa a identidade e as características mínimas de qualidade para a "mistura à base de farelo de cereais", abrangendo sua composição obrigatória e opcional, dentre outros itens.
NOTA: Essa Resolução 53, de junho de 2000, já foi revogada.
A que está em vigor hoje é a Resolução RDC nº 263, de 22 de setembro de 2005.
A nova Resolução diz, entre outras coisas, o seguinte:
"A utilização de espécie vegetal, parte de vegetal ou de produto que não são usados tradicionalmente como alimento, pode ser autorizada desde que seja comprovada a segurança de uso, em atendimento ao Regulamento Técnico específico."
E também:
"7. REQUISITOS ADICIONAIS DE ROTULAGEM:
7.1. Misturas à Base de Farelos:
a) deve constar, obrigatoriamente, a seguinte advertência, em destaque e em negrito: "O Ministério da Saúde adverte: não existem evidências científicas de que este produto previna, trate ou cure doenças"; e
b) é vedada a indicação do produto para suprir deficiências nutricionais."
http://e-legis.anvisa.gov.br/leisref/public/showAct.php?id=18822&word=
Após essa breve retrospectiva, o CFN entende que ainda existem diversos aspectos a serem considerados:
o1º - A difusão de alternativas alimentares, como qualquer medida compensatória, assistencialista ou paternalista para aplacar a fome, tem caráter imediatista, portanto, sua recomendação não pode perder de vista a necessidade de inseri-lá no âmbito das políticas estruturais e ser tratada na totalidade social e econômica que a originou;
o 2º - É necessário estabelecer a diferença entre aproveitamento integral dos alimentos e outras práticas alimentares de caráter discriminatório. A primeira prevê utilização de brotos, folhas e talos de vegetais, os quais, através de técnicas culinárias adequadas, podem contribuir para melhorar o aporte vitamínico e mineral das refeições, coerente, portanto, com os princípios da alimentação saudável;
o 3º - Considera-se pertinente, oportuno e atual o conteúdo do Informe Técnico da UNICAMP, quando afirma que "o valor nutritivo de qualquer alimento não pode ser estabelecido unicamente com base na quantidade (dosagem química) de seus nutrientes, uma vez que sua qualidade nutricional é determinada por uma série de fatores como: equilíbrio entre seus contribuintes, as interações entre os diversos compostos da dieta, o estado fisiológico do indivíduo, as condições de processamento e de armazenagem e a ocorrência de fatores anti-nutricionais";
o 4º - O declínio dos índices de desnutrição e mortalidade infantil que ocorreu no Brasil nas últimas duas décadas, deve ser creditado à melhoria das condições de saneamento básico, à ampliação do acesso da população às ações básicas de saúde, com destaque especial ao acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, controle das doenças diarréicas, vacinação, incentivo ao aleitamento materno, maior cobertura do atendimento pré-natal, e a efetividade de alguns programas sociais.
Diante disso, o Plenário do CFN conclui que, antes de qualquer ação pontual, é importante reforçar o cumprimento dos preceitos contidos na Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), o qual constitui uma estratégia adequada ao atendimento das necessidades alimentares e nutricionais da população brasileira, atendendo a amplitude da Segurança Alimentar e Nutricional.
Diante do exposto, orientamos os profissionais para a observância do código de ética, capítulo I, artigos 1º, 2º e 3º, não devendo a multimistura ser prescrita, nem recomendada pelo nutricionista.
http://www.cfn.org.br/novosite/conteudo.aspx?IDMenu=61
Após essa breve retrospectiva, o CFN entende que ainda existem diversos aspectos a serem considerados:
o1º - A difusão de alternativas alimentares, como qualquer medida compensatória, assistencialista ou paternalista para aplacar a fome, tem caráter imediatista, portanto, sua recomendação não pode perder de vista a necessidade de inseri-lá no âmbito das políticas estruturais e ser tratada na totalidade social e econômica que a originou;
o 2º - É necessário estabelecer a diferença entre aproveitamento integral dos alimentos e outras práticas alimentares de caráter discriminatório. A primeira prevê utilização de brotos, folhas e talos de vegetais, os quais, através de técnicas culinárias adequadas, podem contribuir para melhorar o aporte vitamínico e mineral das refeições, coerente, portanto, com os princípios da alimentação saudável;
o 3º - Considera-se pertinente, oportuno e atual o conteúdo do Informe Técnico da UNICAMP, quando afirma que "o valor nutritivo de qualquer alimento não pode ser estabelecido unicamente com base na quantidade (dosagem química) de seus nutrientes, uma vez que sua qualidade nutricional é determinada por uma série de fatores como: equilíbrio entre seus contribuintes, as interações entre os diversos compostos da dieta, o estado fisiológico do indivíduo, as condições de processamento e de armazenagem e a ocorrência de fatores anti-nutricionais";
o 4º - O declínio dos índices de desnutrição e mortalidade infantil que ocorreu no Brasil nas últimas duas décadas, deve ser creditado à melhoria das condições de saneamento básico, à ampliação do acesso da população às ações básicas de saúde, com destaque especial ao acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, controle das doenças diarréicas, vacinação, incentivo ao aleitamento materno, maior cobertura do atendimento pré-natal, e a efetividade de alguns programas sociais.
Diante disso, o Plenário do CFN conclui que, antes de qualquer ação pontual, é importante reforçar o cumprimento dos preceitos contidos na Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), o qual constitui uma estratégia adequada ao atendimento das necessidades alimentares e nutricionais da população brasileira, atendendo a amplitude da Segurança Alimentar e Nutricional.
Diante do exposto, orientamos os profissionais para a observância do código de ética, capítulo I, artigos 1º, 2º e 3º, não devendo a multimistura ser prescrita, nem recomendada pelo nutricionista.
http://www.cfn.org.br/novosite/conteudo.aspx?IDMenu=61

Em 2006, após a leitura desse parecer, mostrei-o à Cida Miranda (Instrutora de Alimentação Enriquecida), em sua comunidade no orkut, Alimentação Enriquecida, a fim de obter seu posicionamento:
A multi-mistura nada mais é do que um complemento alimentar. Enquanto a comunidade científica debate sobre seus efeitos benéficos ou colaterais, pessoas preocupadas com a comunidade como a Doutora Clara Brandão tomam a iniciativa e criam alternativas para os que sofrem com a desnutrição e a pobreza neste país.
"A nutróloga Clara Brandão, Coordenadora de Orientação Alimentar da Secretaria de Políticas de Saúde do Ministério da Saúde, trabalha há 30 anos na busca de uma infância brasileira menos desnutrida e subnutrida. Inventora da multimistura – uma farinha composta por farelo de arroz, pó de folhas verdes, de sementes e casca de ovo –, Clara é responsável pela recuperação de inúmeras crianças de todas as regiões do país." (do site http://www.responsabilidadesocial.com/)
No texto que você nos mostrou é mencionada a Resolução nº 53 da Anvisa (já informamos que essa resolução foi substituída por uma mais recente). Esta resolução subdivide os vários tipos de produtos alimentares em grupos e famílias. Com isso designou a Família 27 como sendo a família dos Cereais, Sementes e Seus Derivados e a Família 30 a das Folhas, Caules, Raízes, Temperos e Seus Derivados. Mas em momento algum se refere à não utilização destes produtos.
O Código de Ética do Nutricionista, também citado pelo texto acima, diz o seguinte:
“CÓDIGO DE ÉTICA DO NUTRICIONISTA
CAPÍTULO I
DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
Art. 1°. O nutricionista é profissional de saúde, que, atendendo aos princípios da ciência da Nutrição, tem como função contribuir para a saúde dos indivíduos e da coletividade.
Art. 2°. Ao nutricionista cabe a produção do conhecimento sobre a Alimentação e a Nutrição nas diversas áreas de atuação profissional, buscando continuamente o aperfeiçoamento técnico-científico, pautando-se nos princípios éticos que regem a prática científica e a profissão.
Art. 3°. O nutricionista tem o compromisso de conhecer e pautar a sua atuação nos princípios da bioética, nos princípios universais dos direitos humanos, na Constituição do Brasil e nos preceitos éticos contidos neste Código.”
Não creio que haja neste código alguma menção sobre a não utilização da multi-mistura.
Segue a entrevista concedida pela Drª Clara Brandão ao site responsabilidadesocial.com:
1) Responsabilidade Social – A senhora pode falar sobre como surgiu a idéia da Multimistura e um pouco da história de como foi implementada no país?
Clara Brandão – Em 1974, fui morar no Pará e no primeiro dia no ambulatório levei um susto: todas as crianças estavam desnutridas. “É sempre assim”, justificou uma enfermeira que trabalhava no lugar. Parti para um levantamento do número de crianças desnutridas naquele município, com 100 mil habitantes, e constatei que na área urbana 77,7% das crianças com menos de 5 anos sofriam de desnutrição. Os casos de desnutrição grave e moderada chegavam a 33% e, na época, não existia nenhum programa de suplementação alimentar. A partir desses números, com o apoio do voluntariado da LBA, montamos 13 creches, com um total de 390 crianças desnutridas, numa tentativa de reverter esta situação. Ainda assim, a verba para alimentação era muito pequena e as crianças continuavam a sofrer com a doença, cujo principal sintoma era a diarréia. Fiquei muito preocupada, pensei em fechar o local, pois vi que estava ajudando pouco e expondo as crianças a um risco maior de contaminação, dada a quantidade de diarréia na creche. A situação era desesperadora quando fui visitar uma plantação de pimenta-do-reino e vi um pozinho no pé da pimenteira e perguntei o que era aquilo. “Isso aqui é farelo de arroz que ninguém usa. É bom para a planta crescer e se fortalecer”, disseram. Fui pesquisar na tabela de composição de alimentos e vi que era uma grande fonte de minerais e vitaminas. Como se tratava de um produto inofensivo, mas muito rico nutricionalmente, testei o farelo num almoço com minha família e todos aprovaram o sabor. Comecei a usar nas refeições da creche e, em três dias, acabaram os casos de diarréia. Depois de um mês, as crianças estavam tão diferentes... Pareciam flores desabrochando.
Tudo começou assim.
2) RS – Quais as principais vantagens da multimistura?
CB – Hoje a multimistura é composta dos seguintes alimentos: farelo de arroz e/ou trigo, pó de folhas verdes (principalmente da mandioca, batata-doce ou abóbora, etc.), pó de sementes (gergelim, linhaça, semente de abóbora, melancia, melão ou girassol, etc.) e pó de casca de ovo. É um poderoso concentrado de minerais e vitaminas. Toda a metabolização de carboidratos, proteínas e gorduras depende de minerais e vitaminas para serem aproveitados pelo organismo. Com a multimistura, portanto, é possível maximizar o alimento disponível para a nutrição do corpo. A mudança acontece em questão de dias. Quanto mais grave a desnutrição e menor a faixa etária das crianças, melhor é a resposta ao tratamento com a multimistura. Posso dizer que numa média de três a quatro meses, a criança sai, totalmente, do estado de desnutrição. O melhor é que todos os componentes da multimistura estão disponíveis em qualquer lugar no mundo. A população sempre utiliza o que tem no local, basta aprender a técnica de sua preparação. Além disso, não custa caro implementar o programa. Só é preciso que algum técnico vá até o local pra formar multiplicadores e leve, com ele, o mínimo de material instrucional.
3) RS – Como a idéia se disseminou?
CB – Comecei a apresentar os resultados em congressos, simpósios. A Unicef levou muita gente para conhecer o projeto, inclusive o próprio representante da entidade no Brasil. Em 1983, enviamos duas pessoas do nosso projeto para oferecer treinamento à Pastoral da Criança, que estava começando a surgir. A Pastoral incorporou a idéia e, ao longo dos anos, conforme foi se expandindo por todo o país, a idéia foi indo junto. Praticamente todas as 20 mil comunidades atendidas pela Pastoral atualmente têm a multimistura. Várias outras Organizações Não-Governamentais, diversos municípios e estados adotaram a técnica, que também está presente em 12 países, como Estados Unidos, Angola, Moçambique, Timor Leste. Hoje é domínio público: aonde você vai tem gente usando farelo, as sementes, as folhas verdes e a casquinha de ovo. Belo Horizonte, por exemplo, está há nove anos usando a multimistura, consumindo uma média de mais de 340 toneladas.
4) RS – Na sua opinião, quais providências de maior emergência devem ser tomadas para solucionar a questão da fome, da subnutrição e desnutrição no país?
CB – Nutrição precisa ser trabalhada de duas principais maneiras. A primeira deve considerar a importância de prevenir o que chamamos de ‘origem fetal das doenças crônico-degenerativas’. A criança que nasce desnutrida, além de sofrer com todos os problemas comuns à desnutrição, tem maiores chances de ser diabética, hipertensa e ter doenças do coração na vida adulta. É preciso criar hábitos saudáveis, e não apenas encher a barriga do povo. É preciso fazer com que o povo aprenda a comer melhor dentro daquilo que pode e tem disponível – os elementos da multimistura, por exemplo, estão presentes em todos os cantos do país e são extremamente baratos. A segunda maneira deve considerar a existência dos ‘alimentos nutracêuticos funcionais’ ou alimentos inteligentes. São aqueles que podem não apenas manter a sua saúde, mas também previnem, retardam e curam doenças. Um exemplo: o ácido fólico pode evitar a ocorrência de fissura palatina. Imagine se esse elemento passasse a enriquecer a merenda escolar que é servida nas escolas – o Exército doa 300 mil refeições e o governo paga outras 40 milhões. Seria uma mudança significativa. Se nesse contingente fosse trabalhada a questão de se alimentar bem, a transformação seria incrível. Achocolatado, pão, açúcar – além de não serem saudáveis, custam caro. O leite líquido em crianças pequenas provoca microhemorragia intestinal e, por conseqüência, anemia. Se esses alimentos fossem substituídos por outros mais saudáveis e com base nos produtos que temos disponíveis, as crianças seriam mais saudáveis e o governo poderia aumentar a abrangência do programa,
dada a economia que faria. Outro exemplo, um levantamento feito em outubro de 2002, mostrava que no café da manhã daquele mês gastava-se 35% do salário mínimo para alimentar seis pessoas com um pão com margarina e uma xícara de café-com-leite. Se fizesse um café da manhã com cuscuz ou polenta e apenas uma xícara de café, gastaria-se apenas 10% do salário mínimo. Hoje, se 10% da farinha de trigo consumida no país fosse trocada por polvilho de mandioca, seria feita uma economia de R$ 20 milhões em importação de trigo. Além disso, seriam gerados quase 80 mil empregos no campo em um ano. Eu pergunto: por que as pessoas comem tudo à base de trigo e leite quando há tanta alergia a essas substâncias? O governo deveria estimular as pessoas a usarem o que o país produz. Por que comer bolo de trigo sempre e não bolo de mandioca? Ou mandioca frita ao invés de batata frita? Com tais informações, os brasileiros fariam isso e economizariam muito, além de estarem se alimentando muito melhor.
5) RS – O que a senhora entende por Responsabilidade Social?
CB – Creio que, individualmente, todos têm que fazer sua parte – isso é responsabilidade social. O governo tem que dar instrumentos aos voluntários para executar o voluntariado. Se cada um de nós não tomar uma atitude, pode estar fazer mal para o mundo inteiro. As atitudes boas também ecoam da mesma maneira, só que beneficamente. Por isso a importância de estar bem informado, para tomar a atitude certa.
Quem tiver interesse em aprofundar-se no assunto, há muitos outros textos, entre eles:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-59702002000100007&script=sci_arttext
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Fontes de cálcio na alimentação

Encontramos cálcio em fontes vegetais, como couve, agrião, mostarda e brócolis, alguns tipos de feijão, produtos à base de soja (por exemplo, tofu) e alimentos fortificados.
Antes de pensar em lançar mão dos suplementos, saiba que eles só são indicados para as pessoas que não conseguem ou não podem obter as quantidades necessárias de cálcio por meio dos alimentos.
O excesso de cálcio, em quantidades iguais ou acima de 2.500 mg, pode causar constipação, problemas estomacais e prejudicar a absorção de nutrientes importantes, como zinco e ferro.
Além disso, a absorção aumenta quando ingerimos, ao mesmo tempo, vitamina D, lactose, gordura, fósforo e outros nutrientes presentes nos alimentos.
Confiram, no quadro, a quantidade de cálcio em alguns alimentos:
Alimento/Quantidade de cálcio (mg)
1 iogurte (1 copo de 200 ml) 240 mg
1 fatia de queijo branco (20 g) 140 mg
1 fatia de queijo prato (20 g) 170 mg
1 fatia de queijo de soja tofu (20 g) 38 mg
2 colheres de sopa de couve refogada (30 g) 120 mg
2 colheres de sopa de mostarda refogada (30 g) 70 mg
2 colheres de sopa de brócolis refogado (20 g) 23 mg
1 concha média de feijão preto (100 g) 27 mg
1 concha média de feijão branco (100 g) 50 mg
Mas uma grande opção para obter cálcio é através do consumo de "leites vegetais", feitos de sementes como o gergelim e o girassol, de grãos como a aveia e o arroz e de castanhas, como a amêndoa e a castanha-do pará.
Aqui no blog há postagens referindo-se a esses leites, que são uma grande fonte de cálcio e muito úteis a quem é alérgico ao leite animal ou ao de soja:
http://cozinhanatureba.blogspot.com/2008/12/leite-de-aveia.html
http://cozinhanatureba.blogspot.com/2008/12/leite-de-amndoas.html
http://cozinhanatureba.blogspot.com/2008/12/leite-de-gergelim.html
Mais sobre o cálcio
Comparando:
Leite de soja, fluído (88 Kcal em 100g)
Minerais: Cálcio 38 mg
Leite de vaca, direto da fazenda, fluído, 3.7% de gordura (87 Kcal em 100g)
Minerais: Cálcio 119 mg
Conclusão: leite de soja tem menos cálcio que o animal, a não ser que seja alguma marca enriquecida.
Opções para o leite de vaca:
Leite de gergelim ou tahine (creme ou "manteiga" de gergelim)
Semente de gergelim, inteiro, seco, 100 g
Minerais: Cálcio 975 mg
Couve, crua (30 Kcal em 100 g): 145 mg (folhas verde escuras em geral como a mostarda, chicória/escarola - evitar o espinafre como fonte de cálcio, devido ao ácido oxálico).
Verificamos que ambas as opções oferecem maior quantidade de cálcio do que o leite animal.
Multimistura e o cálcio
Dra. Clara Brandão
Multimistura é um conceito de alimentação
Utilização de farelo de arroz e trigo, além de folhas verde-escuras, têm recuperado a saúde de milhares de crianças subnutridas em todo o país.
Porto Alegre, RS - A variedade de alimentos é a melhor forma de mantermos um corpo sadio.
A afirmação é da médica pediatra e nutróloga Clara Brandão, que percorre o Brasil defendendo a utilização da multimistura, criada por ela, no início dos anos 80.
Composta por farelo de arroz ou de trigo, além de folhas verde-escuras de mandioca ou batata doce e pó de sementes de abóbora, girassol, mais gergelim e casca de ovo, a multimistura ganhou fama mundial. Adotada em 1986 pela Pastoral da Criança, essa mistura criada por Clara Brandão já deu provas suficientes do seu valor, recuperando o peso e a saúde de milhares de crianças subnutridas em todo o Brasil.
Uma pessoa simples e que não se nega a responder nenhuma pergunta, a pediatra e nutróloga afirma: “a multimistura não é um medicamento, mas um conceito de alimentação, onde o que dá a qualidade ao que nós comemos é a variedade”. E exemplifica: se a pessoa fizer uma salada e, ao invés de utilizar somente alface e tomate, colocar cebolinha, salsa e hortelã, terá aumentado a qualidade, em função da maior variedade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 1986 esse conceito é muito importante, porque não é carne, ovo ou peixe, que vão dar a qualidade daquilo que se come, mas a variedade.
Clara Brandão destaca que um dos grandes problemas da saúde pública no Brasil é a osteoporose, principalmente nas idades mais avançadas. “E não é por falta de leite que isso ocorre”, diz, “já que o país é um grande produtor de leite.
O problema do leite é que ele tem uma grande quantidade de gorduras e de proteínas, que são fatores que reduzem a absorção do cálcio. Além disso, há outro problema. Normalmente a pessoa toma leite com açúcar.
E o açúcar é o maior seqüestrador de cálcio que existe. É importante que as pessoas saibam que um copo de leite dá apenas 10% do cálcio que ela necessita".
No entanto, acrescenta a ela, se essa mesma pessoa ingerir cem gramas de folha de abóbora, estará absorvendo quatro vezes mais cálcio. E em cem gramas de gergelim, a quantidade aumenta em dez vezes. “Então”, defende a médica e nutróloga, “podemos utilizar alimentos ricos em cálcio sem ser, obrigatoriamente, o leite. E as pessoas também têm que saber que para que o organismo absorva o cálcio, são necessários três fatores: uma boa fonte de alimentos, fazer atividades físicas e tomar sol na pele. Se uma pessoa caminhar no inverno, cheia de roupas, de nada adianta, já que é o sol na pele quem produzirá a vitamina D, reabsorção do cálcio”.
Clara Brandão defende, ainda, a necessidade de se utilizar óleo de arroz na alimentação. “Esse produto”, esclarece, “tem uma substância que se chama álcool triterpeno, que acelera a formação e a fixação da memória. A utilização de duas a três colheres por dia, por pessoa, pode baixar em até 40% o colesterol”.
Outro alimento recomendado é o arroz parbolizado. As usinas, explica ela, colocam o arroz de molho em água quente. Depois, ele passa por alta temperatura e, sob pressão, é desidratado. Com isso, ele não quebra e rende 20% mais. Ou seja, na compra cinco quilos as pessoas ganham um. O arroz parbolizado tem ainda 528% mais vitamina B1, 250% mais ferro, 160% mais cálcio que o arroz branco. “A falta da vitamina B1 e do zinco aumentam a necessidade de drogas, em particular o álcool, que é a maior causa de violência no mundo”, complementa a pediatra e nutróloga Clara Brandão.
A multimistura é utilizada hoje em todos os estados brasileiros, além de vários países da América do Sul.
No entanto, uma notícia lastimável: a fórmula da dra. Clara Brandão foi trocada, pelo governo, por produtos de multinacionais; coloco aqui o texto na íntegra, pois é um alerta de como nossa alimentação poderia ser mais saudável e nutritiva e muitas vezes isso não acontece, por motivos financeiros e do interesse de uma minoria.
A vitória dos enlatados
Governo troca mistura nutricional consagrada há décadas por produtos industrializados
HUGO MARQUES/
ROBERTO CASTRO
ISTOÉ - 09/2007
A cena foi comovente. O vice-presidente José Alencar preparava-se para plantar uma árvore em Brasília quando foi abordado por uma nissei de 65 anos e 1,60 m de altura. Era manhã da quinta-feira 6. A mulher começou a mostrar fotografias de crianças esqueléticas, brasileiros com silhueta de etíopes, mas que tinham sido recuperadas com uma farinha barata e acessível, batizada de “multimistura”. Alencar marejou os olhos. Pobre na infância no interior de Minas, o vice não conseguiu soltar uma palavra sequer. Apenas deu um longo e apertado abraço naquela mulher, a pediatra Clara Takaki Brandão.
Foi ela quem criou a multimistura, composto de farelos de arroz e trigo, folha de mandioca e sementes de abóbora e gergelim. Foi esta fórmula que, nas últimas três décadas, revolucionou o trabalho da Pastoral da Criança, reduzindo as taxas de mortalidade infantil no País e ajudando o Brasil a cumprir as Metas do Milênio. E o que a pediatra foi pedir ao vicepresidente? Que não deixasse o governo tirar a multimistura da merenda das crianças. Mais do que isso, ela pediu que o composto fosse adotado oficialmente pelo governo.
Clara já tinha feito o mesmo pedido ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão – mas ele optou pelos compostos das multinacionais, bem mais caros. “O Temporão disse que não é obrigado a adotar a multimistura”, lamenta Clara.
Há duas semanas a energia elétrica da sala de Clara dentro do prédio do Ministério da Saúde foi cortada. Hoje, ela trabalha no escuro. “Já me avisaram que agora eu estou clandestina dentro do governo”, ironiza a pediatra. Mas ela nem sempre viveu na escuridão. Prova disso é que, na semana passada, o governo comemorou a redução de 13% nos óbitos de crianças entre os anos de 1999 e 2004 – período em que a multimistura tinha se propagado para todo o País.
Desde 1973, quando chegou à fórmula do composto, Clara já levou sua multimistura para quase todos os municípios brasileiros, com a ajuda da Pastoral da Criança, reduto do PT. Os compostos da multimistura têm até 20 vezes mais ferro e vitaminas C e B1 em relação à comida que se distribui nas merendas escolares de municípios que optaram por comprar produtos industrializados. Sem contar a economia: “Fica até 121% mais caro dar o lanche de marca”, compara Clara.
Quando ela começou a distribuir a multimistura em Santarém, no Pará, 70% das crianças estavam subnutridas e os agricultores da região usavam o farelo de arroz como adubo para as plantas e como comida para engordar porco. Em 1984, o Unicef constatou aumento de 220% no padrão de crescimento dos subnutridos. Dessa época, Clara guarda o diário de Joice, uma garotinha de dois anos e três meses que não sorria, não andava, não falava. Com a multimistura, um mês depois Joice começou a sorrir e a bater palmas. Hoje, a multimistura é adotada por 15 países. No Brasil só se transformou em política pública em Tocantins.
Clara acredita que enfrenta adversários poderosos. Segundo ela, no governo, a multimistura começou a ser excluída da merenda escolar para abrir espaço para o Mucilon, da Nestlé, e a farinha láctea, cujo mercado é dividido entre a Nestlé e a Procter & Gamble. “É uma política genocida substituir a multimistura pela comida industrializada”, ataca a pediatra. A coordenadora nacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns, reconhece que a multimistura foi importante para diminuir os índices de desnutrição infantil. “A multimistura ajudou muito”, diz. “Mas só ela não é capaz de dizimar a anemia; também se deve dar importância ao aleitamento materno.”
ISTOÉ procurou as autoridades do Ministério da Saúde ao longo de toda a semana, mas nenhuma delas quis se pronunciar. “O multimistura é um programa que não existe mais”, limitou-se a informar a assessoria de imprensa.
Fontes de ferro na alimentação

"O ferro heme apresenta uma absorção de cerca de 20% e sofre pouca influência dos fatores que dificultam ou promovem a sua absorção.
Já o ferro não-heme apresenta absorção de cerca de 10% e é mais influenciado pelos fatores que estimulam ou inibem a sua absorção. O reino vegetal é composto exclusivamente por ferro não-heme.
A diferença desses dois ferros é apenas na sua absorção. Entrando no organismo, eles são iguais e têm as mesmas funções.
(...) Estudos com vegetarianos demonstram claramente que a ingestão de ferro, ao contrário do que muitos pensam, é maior do que a de não-vegetarianos. Esses estudos demonstram que os vegetarianos costumam ingerir cerca de 15 a 20 mg de ferro por dia e, como a sua absorção é de cerca de 10%, absorvemos 1,5 a 2 mg por dia, que é a quantidade necessária.
Para ajudar ainda mais, a vitamina C é um dos maiores promotores da absorção de ferro. Os vegetarianos ingerem o dobro de vitamina C do que os onívoros, o que favorece intensamente a absorção do ferro."
Eric Slywitch
Médico coordenador do Departamento de Medicina e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira - Autor do livro “Alimentação sem Carne - guia prático
Há uma grande preocupação dos vegetarianos com o ferro, o cálcio e a vitamina B12 que ingerem em sua dieta, pois existe uma propaganda enganosa afirmando que aqueles que não ingerem fontes animais dessas substâncias, podem ficar anêmicos, ter osteoporose ou problemas com a falta de B12 no organismo (que na verdade só existe em fonte animal - mais adiante falamos sobre ela e também sobre o cálcio).
A principal fonte de ferro não-heme são as leguminosas, ou seja, as variedades de feijões, que devem sempre ser deixados de molho para eliminar os FITATOS.
Feijões (proteína vegetal)
azuki
roxinho
mulatinho
fradinho
grão-de-bico
lentilha
preto
vermelho
manteiga
enxofre
branco
de corda
verde
ervilha
guando
cavalo
Se colocarmos pó da folha da mandioca (alta fonte de ferro e um dos componentes da multimistura, criada pela dra. Clara Brandão), fica melhor ainda: uma colherinha diária sobre a comida ou "escondida" no meio do arroz com feijão resolve.
Falando nessa dupla: o arroz integral tem certos aminoácidos essenciais, os feijões têm outros. Comendo os 2 separados não acontece nada, mas comendo juntos a quantidade de proteína assimilável aumenta em até 50%.
Então, é importante entendermos que a absorção do ferro não-heme é influenciada por outros fatores da dieta; se a combinação dos alimentos for errada, os benefícios podem ser anulados.
O fator principal que melhora a absorção desse ferro é a vitamina C. Portanto, se numa refeição você estiver comendo feijão com couve (ferro não-heme) e suco de laranja (vitamina C), o suco fará com que o ferro da couve e do feijão seja mais bem aproveitado. Importante: a vitamina C tem que ser consumida próxima ao consumo do ferro - meia-hora antes, no máximo - por isso, dar o suco, mas pode-se também comer a fruta (laranja, abacaxi, tangerina etc); antes, porque fruta depois do alimento cozido, é fermentação na certa. Fala-se para consumir os sucos "junto com a comida", mas eu diria "próximo a" - porque ingestão de líquidos durante a refeição não é aconselhável - nem água.
Para enfatizar essa absorção, use os recursos da multimistura e das gotas de limão, salsa e/ou couve picadinhas.
A vitamina C ajuda na absorção do ferro não-heme, comprovadamente:
"Num estudo realizado na Índia, foram dadas 100 mg de vitamina C, ao almoço e ao jantar durante 60 dias, a crianças vegetarianas com anemia por deficiência de ferro (crianças que provavelmente não tinham uma ingestão de vitamina C elevada). Foi observada uma melhoria drástica nas anemias, tendo a maioria recuperado completamente."
Seshadri S, Shah A, Bhade S. Haematologic response of anaemic preschool children to ascorbic acid supplementation. Hum Nutr Appl Nutr. Abril de 1985;39(2):151-4.
A vitamina C encontra-se nos cítricos, morangos, vegetais de folhas verdes (brócolis, couve, acelga, repolho, couve-de-bruxelas, salsa), pimentões (amarelo, vermelho e verde) e couve-flor.
Da mesma maneira, existem alguns fatores presentes nos alimentos que diminuem a absorção do não-heme: taninos (chá preto), fitatos (grãos sem deixar de molho) e o cálcio (leite). O leite é pobre em ferro. Além disso, o cálcio presente nele pode atrapalhar a absorção do ferro dos outros alimentos. Não consumir chá preto ou mate durante ou logo após a refeição. Os refrigerantes também devem ser evitados, pois, além de não serem nutritivos, contêm os fatores que diminuem a absorção.
Além das leguminosas também encontra-se ferro nos vegetais de folhas escuras (couve, mostarda, brócolis), frutas secas, cereais fortificados e alimentos integrais.
Para ter uma idéia da quantidade média de ferro em alguns alimentos, olhem a tabela abaixo:
Alimentos /Ferro (mg)
Couve refogada - 2 colheres de sopa (40 g) 0,8
Mostarda refogada - 2 colheres de sopa (50 g) 1,5
Ovo de galinha - 1 unidade (45 g) 1,2
Feijão - 1 concha média (100 g) 2,0
Lentilha - 1 concha média (100 g) 2,0
Batata cozida - 1 unidade média (140 g) 1,0
Batata frita - 2 colheres de sopa (20 g) 0,5
Arroz cozido - 2 colheres de sopa (40 g) 0,6
Macarrão ao sugo - 1 escumadeira (90 g) 0.3
Maçã - 1 unidade (130 g) 0,5
Mamão papaia - 1/2 unidade (300 g) 0,6
Pêra - 1 unidade (110 g) 0,6
Atualizando: Quem pratica exercícios físicos intensos, com regularidade, pode necessitar de mais 30% de ferro.*
A dose diária recomendada (DDR) para adultos, segundo a tabela européia é de 14 mg.
Já a tabela em vigor nos EUA, apresenta dois tipos de DDR, sendo que uma delas é exclusiva para vegetarianos.
Assim:
IDADE/DDR/DDR P/VEGS
19 ou mais, homens/8/14,4
19-50 mulheres/18/32,4
50 ou mais, mulheres/8/14,4
Gravidez/27/48,6
A DDR para vegetarianos foi determinada aumentado a DDR normal em 80%.*
Isto é controverso, porque as recomendações não se basearam em estudos com vegetarianos, mas sim em dietas vegetarianas concebidas para reduzir a absorção de ferro. Recomendações tão elevadas tornam praticamente impossível às mulheres na pré-menopausa preencherem a DDR sem tomar suplementos, sendo que muitos nutricionistas vegetarianos não consideram que seja necessário tanto ferro para a maioria dos vegetarianos.
Quem for saudável e fizer uma dieta vegetariana ou vegana variada não precisa de ter preocupação com o ferro. Quem estiver preocupado com a absorção de ferro, poderá tomar medidas para aumentar essa absorção, incluindo eliminar o café, o chá e suplementos de cálcio das refeições, adicionar vitamina C às refeições e aumentar a ingestão de leguminosas(como já explicado mais acima).
*Mangels R. "Update on the New DRI's" Vegetarian Nutrition Update Sum 2001;10(4):1-7.
Deficiência de Ferro nos Vegetarianos
Na posição da Associação Americana de Nutrição sobre dietas vegetarianas lê-se que "a incidência de anemia por deficiência de ferro entre os vegetarianos é idêntica a dos não-vegetarianos. Embora os vegetarianos adultos tenham menores reservas de ferro do que os não-vegetarianos, os seus níveis de ferritina no soro estão usualmente no intervalo normal".*
Esta afirmação baseia-se em estudos transversais e, tanto quanto o autor sabe, o estado de ferro nos ovolactovegetarianos e veganos com dietas não-controladas nunca foi analisado ao longo do tempo.
Um estudo alemão de 2004 concluiu que 40% das mulheres veganas ou quase veganas na pré-menopausa tinham baixas reservas de ferro, as quais eram 4 vezes inferiores à média nacional. Os autores recomendaram que as mulheres veganas na pré-menopausa monitorem os níveis de ferro e considerem tomar suplementos de ferro, caso tenham níveis marginais.
O autor teve contato com muitas mulheres ex-vegetarianas (e alguns homens) que alegavam ter ficado com anemia depois de adotarem a dieta vegetariana. Na maioria dos casos, nenhum médico lhes diagnosticou essa condição, mas assumiram ter anemia por apresentarem cansaço. Tal poderia ocorrer devido a diversos fatores, incluindo ingestão insuficiente de calorias ou proteínas, ingestão excessiva de alimentos ricos em açúcar e, possivelmente, horas de sono insuficientes. Contudo, é algo que se ocorreu muitas vezes, pode-se admitir a possibilidade de algumas mulheres terem dificuldades relacionadas com baixa absorção de ferro de origem vegetal, sobretudo no período imediatamente após a adoção da dieta vegetariana.
Poderá haver maior problema na absorção de ferro na fase inicial, quando as pessoas se tornam vegetarianas. Estudos requerem normalmente que uma pessoa seja vegetariana há pelo menos um ano, já que pessoas que tenham anemia por deficiência de ferro nos primeiros meses após a adoção da dieta vegetariana não são incluídas num estudo deste tipo. Fisiologicamente, faz sentido que o problema apareça logo na fase inicial ou não apareça de todo, pelo motivo que se segue.
O organismo segrega transferrina para o trato digestivo quando as reservas de ferro estão baixas de modo a aumentar a absorção de ferro no sangue. Se alguém comeu carne toda a vida, o seu corpo não teve necessidade de produzir tanta transferrina quanta essa pessoa poderá precisar enquanto vegetariana. Isto poderá resultar numa queda rápida na absorção de ferro assim que a pessoa se torna vegetariana. O organismo poderá ou não tornar-se mais eficiente na produção de transferrina com o passar do tempo. Contudo, se uma pessoa sofrer de anemia de imediato é provável que desista da nova dieta e não dê ao organismo a oportunidade de se adaptar.
Outro fato que suporta esta teoria é que não há notícia de crianças que sejam veganas desde o nascimento (vivendo num país desenvolvido e bem alimentadas) e tenham desenvolvido anemia por deficiência de ferro. Dado que as crianças veganas nunca dependeram do ferro heme, começam as vidas a absorver eficazmente o ferro não-heme e mantêm esta capacidade ao longo da vida.
*Position of the American Dietetic Association and Dietitians of Canada: Vegetarian Diets J Am Diet Assoc. Junho de 2003;103(6):748-65.
E, lembre-se, se suspeitar que as suas reservas de ferro possam estar em baixa, as principais sugestões para aumentar a absorção de ferro são:
•Evitar chá verde, chá preto e café às refeições.
•Incluir uma fonte de vitamina C às refeições.
•Aumentar a ingestão de leguminosas (feijões, grão-de-bico, lentilhas, ervilhas).
•Cozinhar (sobretudo pratos com base ácida, como molho de tomate) em panelas de ferro fundido.
Informações de Jack Norris, nutricionista.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Quinua (Chenopodium quinoa)

A quinua é um pseudo-cereal da família das Quenopodiáceas, domesticada e cultivada há 5.800 anos nos Andes. Também chamada quinoa, o nome quinua é de origem quéchua, o idioma falado pelos antigos incas.
Conhecida como o trigo dos incas, para eles a quinua era considerada uma planta sagrada, um símbolo religioso - a chamavam de Grano Madre ou Grano de Oro. Com o domínio espanhol, acabou sendo substituída por alimentos usados pelos colonizadores. Atualmente, a quinua é produzida por mais de 20.000 pequenos produtores, apoiados pela ANAPQUI (Associação Nacional de Produtores de Quinua). Diferentes sites e especialistas ora informam que a quinua é típica da Bolívia, ora que é do Peru, mas admitem que Equador, México e Estados Unidos têm uma pequena produção.
As sementes da quinua representaram, no passado, a base da alimentação da família boliviana, e ainda constituem um componente fundamental à dieta dos camponeses andinos.
A ciência tem se esforçado para comprovar muitos saberes intuitivos de nossos antepassados. A quinua, já foi até apelidada de mãe dos seres humanos, por conter todos os aminoácidos essenciais. Por essa razão, é vista como uma alternativa alimentar altamente nutricional, e ecologicamente viável. Ela produz uma semente pequena, comestível, rica em proteínas, aminoácidos, vitaminas e minerais, bons carboidratos (fontes de energia) e fibras.
Para a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), a quinua é um dos raros vegetais completos que apresentam um balanço de aminoácidos adequado à nutrição humana.
A quinua é avaliada pela Academia de Ciências dos Estados Unidos como o melhor alimento de origem vegetal para consumo humano. Seu valor nutritivo é tão grande que foi selecionado pela Nasa para integrar a dieta dos astronautas em vôos de longa duração.
A quinua pode ser encontrada no Brasil, importada da Bolívia, mas já vem sendo cultivada na região do Cerrado, no Distrito Federal, e tem sido estudada por pesquisadores da Embrapa.
A espécie mais estudada até hoje é a quinua real, também a mais comercializada. Bastante resistente, a planta se adapta a diversas condições de latitude e altitude, e pode crescer em zonas áridas e semi-áridas. A quinua real é só uma das muitas espécies do vegetal, que conta com mais de 2 mil variedades.
As sementes são geralmente consumidas em sopas, temperadas com sal ou açúcar, cozidas em panelas de barro, com pimentão e queijo ou como bebida refrescante. As folhas tenras são usadas como verduras.
Como não contém glúten, pode ser consumida por aqueles que têm intolerância a essa proteína, servindo como substituto do trigo em receitas de pães, macarrão, biscoitos e farinhas. A quinua é encontrada em grãos, em flocos, e na forma de farinha; podendo ser adicionada às sopas, saladas, bolos, bolinhos e vitaminas com frutas. Dá ótimos resultados tanto em receitas doces quanto em salgadas.
Gillian Mc Keith, autora do livro "Você é o que você come", afirma que a quinua "é uma proteína completa e mais fácil de digerir do que a proteína da carne". O médico nutrólogo, Edson Credidio, diz que a quinua “é comparada ao leite materno e apresenta praticamente o dobro de proteínas das encontradas no milho e no arroz”.
Contém mais lisina que a soja, o milho, o trigo e o leite, e, por isso, é indicada para crianças e adolescentes em fase de crescimento. Está, também, relacionada ao desenvolvimento da inteligência, rapidez de reflexos e outras funções como a memória e aprendizagem.
O valor protéico da quinua real é superior ao dos demais cereais. As sementes contêm 23% de proteínas e grande quantidade de vitaminas, tais como B1, B2, B3, B6, C e E. É rica também em minerais como o ferro (9,5 mg/100 g), o fósforo (286 mg/100 g) e o cálcio (112 mg/100 g). Da mesma forma, o valor calórico está calculado em 350 Cal/100gr, o que faz da quinua um alimento apropriado para áreas altas e épocas mais frias.”
A composição de aminoácidos essenciais confere à planta um elevado valor biológico, comparável, somente, ao leite e ao ovo. Este valor biológico é medido segundo a quantidade de proteínas absorvidas pelo organismo por cada 100g do produto ingerido. O índice da quinua é igual a 75 (por 100 g), do ovo 95, do leite 72, do trigo 60, e do milho 44. Essas proteínas atuam para um melhor rendimento e elasticidade das fibras musculares que auxiliam na recuperação de tecidos e células e estimulam a produção de hormônios e enzimas.
A quinua real é considerada a variedade mais rica da quinua. É rica em proteínas (23%de sua composição). Possui todos os vinte aminoácidos de que o corpo necessita, incluindo, os dez essenciais que não são produzidos por nosso organismo (como a metionina e a lisina), que melhora a imunidade, a capacidade de aprendizagem e a memória. Nenhum alimento de origem vegetal tem tanta proteína.
Parece que o único comentário negativo a respeito da quinoa é o seu custo, que é alto, se compararmos com o preço de outros cereais.
TABULE DOS INCAS (4 porções)
Ingredientes
200 gr de quinua
2 cenouras
200 gr de pepino
1 cebola
1 pimenta vermelha
cebolinha
azeite de oliva virgem extra
Como fazer
Limpar, escorrer e colocar para cozinhar a quinua em duas medidas de água fria, com sal, fogo baixo e panela tampada por 10 ou 15 minutos.
Cozinhar as cenouras e a pimenta vermelha bem picada durante 3 minutos.
Misturar a cebola ralada com azeite, juntar com a quinua e misturar bem, acrescentar as verduras e decorar com as cebolinhas cortadas.
Dica: cuidado com o uso da pimenta na receita, se não está acostumado a consumi-la, diminua a quantidade e fique longe das sementes!

Informações mais detalhadas sobre a Quinua Real (que inclusive, é orgânica), ver em:
http://www.quinuareal.com.br/quinua.asp
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Substituindo ingredientes animais nas receitas

Para quem acha difícil deixar de comer ou fazer bolos e outras receitas que incluem ovos ou leite, aqui ficam algumas dicas sobre as alternativas.
Existem dezenas de receitas comuns que podem ser adaptadas, porém, é preciso saber como escolher as receitas e como adaptá-las.
Leia a receita com cuidado e veja a proporção de farinha usada para cada ovo.
Escolher de preferência receitas que levem apenas 1 ou 2 ovos e pelo menos 200 gramas (2 xícaras) de farinha.
O leite ou creme de leite pode, respectivamente, ser substituído por leites ou cremes vegetais (feitos em casa).
Pode-se também substituir a manteiga pelo mesmo peso de óleo vegetal.
Os ovos, na maior parte das receitas, funcionam como agentes levedantes (fazem, por exemplo, o bolo crescer) e/ou agentes de ligação (ligam todos os ingredientes da receita).
Dependendo da receita (doce ou salgada, etc.), pode-se optar por uma entre várias sugestões.
Por cada ovo, pode-se usar:
1 colher de sopa de maisena
1 colher de sopa de farinha de aveia e 1 colher de sopa de água
50 g de tofu bem misturado na quantidade de líquido da receita
½ banana grande, esmagada
1 colher de sopa de linhaça moída na hora, dissolvida em um pouco de água.
Agentes levedantes alternativos:
2 colheres de chá bem cheias de fermento em pó para cada bolo
3 colheres de chá de bicarbonato de sódio e 1 colher de vinagre de cidra (ótimo para bolos de chocolate)
2 colheres de sopa de leite de aveia, 1 colher de sopa de sumo de limão e 1 colher de sopa de bicarbonato de sódio
Mistura-se bem a farinha e os ingredientes sólidos primeiro, depois adicionam-se lentamente os líquidos.
Agentes de ligação alternativos:
Agentes de ligação alternativos:
leite de aveia
banana esmagada
tofu
alga agar-agar
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