A cozinha é o lugar mais reconfortante da casa porque nele encontramos alimento para o corpo e para a alma. Deixe a Natureza entrar na sua e esqueça os produtos feitos pela indústria alimentícia em geral, que não coloca amor nesse ato nem está preocupada com a saúde do seu organismo e o de sua família!

Esse é um dos segredos de manter o bem-estar - não entregue essa função vital a terceiros - ponha a mão na massa, deixe a preguiça de lado e estabeleça como prioridade fazer a comida que vai mantê-lo longe das doenças!
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sábado, 5 de outubro de 2019

Ervas e Especiarias: o que as diferencia?

Se na botânica não há uma diferenciação precisa, na culinária distinguimos especiarias das ervas. Algumas regras nos ajudam a identificá-las.

Se usamos as folhas e flores, trata-se de uma erva; se utilizamos as sementes, raízes, frutos ou cascas, trata-se de uma especiaria.

Além disso, as ervas são plantas de regiões temperadas, enquanto as especiarias, em sua maioria, crescem nos trópicos.

Ervas geralmente são verdes e de sabor mais sutil; a coloração das especiarias varia do preto a tons de marrom e vermelho e seu sabor é marcante.

Muitas vezes uma mesma planta nos fornece uma erva e uma especiaria.
A folha do coriandro, por exemplo, é a erva que conhecemos como coentro.
A semente marrom da planta é uma especiaria, conhecida como coriandro.
Na língua inglesa, a erva é chamada de coriander e a especiaria de coriander seed.


As folhas, denominadas coentro e as sementes, chamadas de coriandro: ambas são produzidas pela mesma planta.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ardida como pimenta


Quando criança, falar palavrão era um pecado, cujo castigo era levar pimenta na boca... minha mãe guardava um vidro enorme na geladeira, cheio de pimentas em conserva e ele causava grande terror, em mim e meus irmãos. Controlávamos nossa linguagem nas discussões, com medo de ter aquela vermelha ardida passada na nossa língua! Lembro que experimentei apenas uma vez, quando falei merda (antigamente, essa era uma palavra muito “suja”, mas hoje até o Lula já a disse em público e a mídia mostrou sem pudor) e foi horrível! Ardeu horrivelmente e tomei muita água para que a sensação se dissolvesse.
Então, essa é a impressão sobre pimentas que ficou no meu inconsciente.
Durante muitos anos, não a usei nas minhas produções culinárias. Além disso, as pimentas não eram muito recomendadas como alimento saudável, pelo contrário, eram catalogadas como “nocivas”.

Mas, atualmente, isso mudou (já comentei aqui que a ordem das coisas muda muito no campo da Nutrição – o que era bom vira coisa ruim e vice-versa, é uma questão de tempo e de pesquisa...).
A pimenta revive seus dias de glória. Segundo o dr. Marcio Bontempo, é “um dos alimentos funcionais mais antigos da humanidade.” E mais: “A ciência quebra alguns tabus sobre o consumo da pimenta: Hemorróidas são dilatações de varizes na região do ânus, causadas por sedentarismo, ingestão de gorduras e problemas cardiovasculares. A pimenta não pode causar hemorróidas, apenas agravá-la, se for consumida em excesso.
O consumo moderado de pimenta não é contra-indicado para quem sofre de pressão alta. Ela é vasodilatadora arterial e até ajuda a combater o problema.
A pimenta tem o poder de irritar mucosas e, por isso, poderia irritar o estômago e as hemorróidas, porém, a capsaicina apresenta um poder de cicatrização, o que poderia proteger o organismo contra esses problemas. O segredo está na quantidade, portanto deve-se evitar excessos em ambos os casos."
Também descobri que a ingestão de água não diminui a sensação de ardor da pimenta na língua e assim, a estratégia que usei na infância só funcionou porque o tempo que levei tomando água foi longo – na verdade, o que funcionou foi o tempo passando e levando o ardor pra longe de mim! Segundo o dr. Bontempo, experiências mostraram que o leite produz melhores resultados em eliminar a queimação e “isso se deve ao fato de que a caseína do leite produz efeito refrescante”. Por isso, alguns pratos da culinária indiana são acompanhados de molho de iogurte... Outros alimentos que possuem a caseína e “que retiram a capsaicina dos pontos de ligação dos receptores nervosos da boca, contidos nas papilas gustativas: chocolate ao leite, algumas nozes e feijões; vinho e cerveja também ajudam, mas com menor efeito atenuante”.

"Uma pimenta é caracterizada por possuir PIPERINA (gênero PIPER) e ou a CAPSAICINA (gênero CAPSICUM) em sua composição.

As pimentas são excelentes fontes de nutrientes antioxidantes, especialmente as vitaminas A e C: 30 g delas contém 70 mg de vitamina C, mais que 100% das necessidades diárias (RDA) e 70% da RDA para a vitamina A, sobre a forma de betacaroteno.

As principais responsáveis pela ardência da pimenta são as sementes e a placenta, no interior do fruto. Retiradas essas partes, a pimenta deixa de ser picante, apresentando um sabor doce e leve.

Duas curiosidades sobre elas: Depois do sal, a pimenta é o ingrediente culinário ou tempero mais usado no mundo!
A “Capital Nacional da Pimenta” no Brasil é o município de Turuçu/RS, que começou a cultivá-la no final do século XIX."

E cuidado quando usarem pimenta em pó: ela não cede todo o seu potencial quando colocada no início do preparo de um prato, vai liberando seu princípio ativo aos poucos, por isso o cozinheiro pode julgar que o alimento está saborosamente picante e na hora da ingestão, verificar que ele está excessivamente apimentado!

Desfeita a má fama das pimentas e salientando-se que o seu consumo deve ser moderado (como o de todos os alimentos, já que a quantidade exagerada ingerida pode transformá-los em veneno), vamos aproveitar e utilizar a grande variedade delas na nossa alimentação.
“Os frutos maduros da pimenta são vermelhos, mas podem variar desde o amarelo até o preto, além de alaranjado, salmão e roxo. O formato varia segundo a espécie e há frutos alongados, arredondados, triangulares e quadrados.”
Malagueta, caiena, jamaicana, pimenta-do-reino, dedo-de-moça, habanero, jalapeño, serrano... são tantas as variedades, umas mais conhecidas e outras estranhas à nossa cozinha diária.

Pretendo aqui falar de cada uma delas e colocar uma receita em que sejam um ingrediente muito especial.
Gostaria de começar com uma receita de conserva de pimentas, certamente para exorcizar um dos medos da minha infância, que era a existência dessa conserva na geladeira lá de casa...
As informações entre aspas foram pinçadas do livro do dr. Marcio Bontempo – Pimenta e seus benefícios à saúde – publicado pela editora Alaúde.

Pimentas em conserva no azeite de oliva

Antes de iniciar o preparo da conserva, é importante já ter os vidros esterelizados: um pote com tampa de boa vedação e que seja fervido por 15 minutos, mais cinco com a adição da tampa. Depois de frios, coloque-os num pano de boca para baixo e deixe-os secar.

Ingredientes

uma xícara (chá) de pimenta-malagueta
uma xícara (chá) de pimenta-dedo-de-moça
uma xícara (chá) de pimenta-do-reino em grãos
uma xícara (chá) de pimenta-bode amarela
4 dentes de alho amassados
2 e 1/2 xícaras (chá) de azeite de oliva extravirgem
2 folhas de louro

Como fazer

Lave as pimentas (menos a pimenta-do-reino), elimine os pedúnculos e seque-as com toalha de papel. Reserve.

Descasque os dentes de alho e amasse-os.

Coloque em uma panela o azeite de oliva e leve ao fogo até aquecer. Junte o alho e frite-o, sem parar de mexer, até dourar (cuide para não queimá-los). Adicione as folhas de louro e retire do fogo. Deixe o azeite amornar por 10 minutos.

Em 2 recipientes médios de vidro (capacidade para 1/2 litro cada um) faça camadas alternadas das pimentas. Despeje o azeite com o alho cobrindo-as. Tampe os recipientes.

Obs.: se não encontrar as variedades relacionadas na receita, utilize outras, desde que sejam em número de quatro.

Atenção: não vá usar as pimentas na língua das crianças desbocadas ! 😃

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Açafrão e açafrão-da-terra (cúrcuma)

Muitos confundem essas duas plantas e aproveitando-se dessa confusão, comerciantes enganam os incautos, vendendo o segundo (bem mais barato) pelo preço do primeiro - caríssimo: dizem que é, atualmente, a especiaria mais cara do mundo, já que para a preparação de apenas alguns gramas utilizam-se milhares de flores da planta, processadas manualmente (cerca de 100 mil flores para obtenção de apenas cinco quilos de estigmas).

Flor do açafrão, belíssima!


Simples e mortais apreciadores da boa cozinha contentam-se em apreciar o sabor do açafrão-da-terra, planta da mesma família do gengibre (aliás, tem o formato parecido), mais conhecida pela alcunha de cúrcuma.
Usada para colorir e condimentar, aparece muito em pratos indianos, onde seu sabor picante é valorizado.

Muito parecido com o gengibre, mas alaranjado no interior

Como, geralmente, a receita mais encontrada é a de arroz com açafrão, trago uma que encontrei de sopa marroquina, onde fiz algumas modificações:

HARIRA - A SOPA MARROQUINA MAIS TRADICIONAL

Ingredientes

2 cebolas cortadas graúdo
200 g de grão-de-bico cozido
100 g de lentilhas cozidas
1 xícara de arroz integral cozido
1 CS generosa de açafrão-da-terra em pó (na forma natural, 2 rodelas médias)
2 litros de água
4 tomates picados
2 cenouras grandes picadas
2 CS de coentro
1 talo de aipo picado
1 molho de salsa
50 g de farinha de trigo integral
Sal marinho e pimenta a gosto
2 ovos caipira opcionais

Como fazer

Numa panela grande, misturar e cozinhar em fogo baixo, durante 20 minutos, o grão-de-bico, as cebolas, o açafrão e a água - usar o sal e a pimenta a gosto.

Juntar as lentilhas, o arroz, os tomates e as cenouras. Se necessário, acrescentar mais água.

Deixar mais 20 minutos e juntar a farinha diluida num copo de água. Mexa muito bem durante este processo, para não deixar a farinha empelotar.

Por último, misturar a salsa, o coentro e o aipo picados, já com o fogo desligado

Servir quente acompanhada com tâmaras.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Medicina tradicional indiana ayurveda usa mais de 500 ervas



A medicina indiana ayurveda usa, na verdade, não apenas ervas, mas também especiarias e até frutos para a cura.
Sejamos gratos à Natureza que nos oferece essa diversidade!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Índia em evidência

Imagem do livro A Cozinha Indiana, de Vijay Acharya - arroz-doce com cardamomo


Durante este ano, a Índia estará em destaque no dia-a-dia dos brasileiros, através da novela Caminho das Índias; espera-se que tudo que esteja ligado à Índia, vire moda...

Muitos livros falam sobre a gastronomia da Índia, além do que já citei aqui no blog, ARQUEOLOGIAS CULINÁRIAS DA ÍNDIA, de Fernanda de Camargo-Moro,
Refiro-me agora ao A COZINHA INDIANA, de Vijay Acharya, que mostra os cardápios do dia-a-dia de uma família comum, já que uma autêntica família indiana convida o leitor a conhecer a riqueza do seu patrimônio gastronômico. Com diferentes cozinhas regionais, a culinária indiana e sua apresentação passa também pelas divisões de castas.
Ambos os livros não são apenas uma coletânea de receitas, mas demonstram o papel da culinária como importante elemento da cultura.

Seguem algumas informações gerais:

As refeições devem contemplar sabores doce, salgado, amargo, ácido, picante e adstringente.

São ingredientes indispensáveis na mesa indiana: ghee (manteiga clarificada), o iogurte (corrige os sabores picantes), lentilhas ou grão-de-bico, polpa e leite de coco (utilizados em sobremesas e pratos à base de carne ou grãos), arroz basmati e especiarias (cada indiano prepara a sua mistura denominada masala, o picante é o garam masala).

O pilão é um utensílio presente na maioria das casas e muito utilizado para transformar em pó as especiarias.

O athitya (ato de receber) é um importante dever social e estabelece que os que chegam a uma casa devem ser tratados com todas as honras. Um convidado, logo ao chegar, costuma ser recebido com leite ou iogurte adoçados com mel ou açúcar.

Os indianos têm o hábito de comer com os dedos, mas apenas com a mão direita. A esquerda é reservada para a higiene pessoal.

Há regiões em que é preciso autorização especial para consumir bebidas alcoólicas.

Uma grande parte da população é vegetariana.

A vaca é animal sagrado, por isso sua carne não costuma ser consumida.

Na rua, o prato típico é o tali, que em hindi quer dizer prato feito. Geralmente composto de uma porção generosa de arroz basmati (arroz aromático indiano), dhal (uma espécie de lentilha ou ervilha), subji (refogado de legumes), chapati (pão indiano) e chutney (pasta agridoce com frutas e pimenta).


A receita abaixo é do livro A COZINHA INDIANA, já com as minhas adaptações de ingredientes; a forma de fazer segue o original:


ARROZ-DOCE COM CARDAMOMO


Arroz basmati

Ingredientes
140 g de arroz basmati
140 g de açúcar mascavo
2 litros de leite (fiz com leite de amêndoas, já que elas são parte importante do prato)
60 g de amêndoas em fatias finas
16 vagens de cardamomo
1 anis-estrelado

Como fazer

1. Retire as sementes do cardamomo e coloque em um pilão e amasse bem.
2. Coloque o arroz em um escorredor e lave em água corrente.
3. Despeje o leite em uma caçarola grande, acrescente o açúcar e mexa até dissolver. 4. Deixe ferver em fogo baixo.
5. Coloque o arroz e misture imediatamente com uma colher de pau para evitar que grude.
6. Acrescente o cardamomo e o anis-estrelado, abaixe o fogo ao mínimo e tampe, deixando cozinhar por 1h e 30min.
7. O arroz deve ficar cremoso.
8. Misture delicadamente, de vez em quando, para evitar que grude no fundo.
9. Toste as amêndoas, rapidamente, em frigideira antiaderente.
10. Despeje o arroz em tigelinhas e espalhe as amêndoas por cima antes de servir.

Há outras receitas indianas de arroz aqui no blog, do livro de Fernanda de Camargo-Moro, além de informações sobre o cardamomo; usem a ferramenta de busca.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Receitas Vegetarianas Indianas


















Selecionei nesse tópico alguns pratos do livro ARQUEOLOGIAS CULINÁRIAS DA ÍNDIA, de Fernanda de Camargo-Moro, que além de várias receitas, contém um pouco dos hábitos e costumes da Índia, país que a autora conhece muito bem (e pelo qual sou apaixonada!). Todas elas têm o arroz como ingrediente principal.


Muitas receitas desse livro usam leite de vaca, extremamente popular na Índia; quem for vegano, pode substituir por leites vegetais de sua preferência. Também usam muito a manteiga, que é purificada (ghee). Nesse caso, fica mais difícil substituir, talvez com um creme de tofu ou um creme de araruta. O ghee ensinamos a fazer em outro tópico, procure na ferramenta de busca, ok?


NEICHORU (Arroz com ghee)

Ingredientes

100 g de arroz integral
1 cebola grande
2 cravos-da-índia
1 pedaço de canela de cerca de 5 cm
2 CS de cardamomo
4 CS de ghee
sal marinho a gosto

Como fazer

Mergulhe na água, lave e drene o arroz.

Corte a cebola em fatias.

Numa caçarola esquente a ghee, adicione a cebola, o pedaço de canela, os cravos e o cardamomo, deixando refogar até a cebola tornar-se transparente.

Junte o arroz e refogue durante 3 a 4 minutos.

Adicione água fervendo, na quantidade de duas vezes a do arroz, ou cobrindo-o com dois dedos a mais.

Salgue e cozinhe em fogo brando até que o arroz fique macio e absorva a água.

THENHA CHORU (Arroz com coco)

Ingredientes
400 g de arroz cozido
1/2 coco
1 pedaço de canela de cerca de 5 cm
3 cravos-da-índia
1 cebola grande
1 colher de cúrcuma em pó
2 cc de sementes de coentro
2 cc de sementes de aniz ou funcho
2 CS de sementes de cardamomo
2 CS de usli ghe
sal marinho a gosto

Como fazer

Lave bem e escorra o arroz.

Raspe o coco para extrair-lhe meio litro de leite.

Moa as sementes de coentro e as de aniz, juntando ao pó de cúrcuma para formar uma pasta uniforme.

Numa caçarola de fundo grosso, esquente a ghee e adicione a cebola, o cardamomo, os cravos e a canela. Refogue até que a cebola fique transparente.

Junte a mistura, adicione o leite de coco mais meio litro de água. Salgue e espere o leite ferver, quando será juntado o arroz.

Se o líquido formado de leite de coco e água não for suficiente para cozinhar o arroz, junte mais água fervente. Cozinhe até que o arroz fique macio e o líquido desapareça e sirva bem quente.


KHEER DE KRISHNARANI BAGEHI (Arroz doce)


Ingredientes

80 g de arroz arredondado (não do tipo agulha)
4 litros de leite (podemos usar algum leite vegetal)
300 g de açúcar mascavo
50 g de amêndoas descascadas e cortadas em fatias finas
4 folhas de louro
1/2 cc de cardamomo verde moído na hora

Como fazer

Lave bem o arroz com água fria, drene e reserve.

Esquente o leite durante cerca de 25 minutos em fogo alto, usando caçarola de fundo espesso.

Junte o arroz ao leite, mexendo vagarosamente, até que os grãos tornem-se macios.

Junte o cardamomo, as folhas de louro e as amêndoas e continue mexendo bem.

Junte o açúcar, misture com vigor, apague o fogo e coloque o arroz-doce no recipiente onde vai servir. Quando estiver frio e mais consistente, coloque na geladeira.

Dica: se for difícil encontrar cardamomo, substitua por gengibre.


ARROZ-DOCE PERFUMADO COM LARANJA (prato típico de Bengali)


Ingredientes

polpa de 20 laranjas doces, sem casca, pele ou caroços
1/2 kg de arroz tipo arredondado, bem lavado, depois de mergulhado em água por algumas horas e coado
3 pedaços de canela
1 kg de mascavo
4 cravos
4 cardamomos verdes esmigalhados
3 CS de usli ghee
água

Como fazer


Numa caçarola funda, coloque água para ferver, em quantidade suficiente para cobrir o meio quilo de arroz.

Quando ferver, despeje o arroz e deixe cozinhar. Assim que estiver pronto e a água evaporada, coloque o arroz num coador ou peneira, para que não fique nenhuma gota de água.

Faça uma calda com o mascavo, acrescentando a água necessária.
Junte as especiarias e deixe a calda dar o ponto em fogo bem baixo.

Adicione então a polpa das laranjas e a ghee, continuando a mexer.
Lentamente, vá despejando o arroz, mexendo com um garfo grande de dois dentes, para não grudar.

Despeje numa travessa funda e deixe esfriar sem tampar.
Se quiser, quando estiver pronto, retire os cravos e os pedaços de canela.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Cardamomo

Especiaria aromática de sabor adocicado, refrescante e picante, o cardamomo vem de uma planta de 1,50 metro de altura originária de Malabar, no sudoeste da Índia.
Ele chegou à Europa por meio das rotas de exploração do Oriente e era cultivado nos mosteiros durante a Idade Média. Suas sementes eram usadas na fabricação de uma massa doce que os monges mascavam como chiclete.

Os frutos do cardamomo contêm cápsulas alongadas ou redondas que protegem cerca de 20 sementes.
É uma das especiarias mais caras, depois do açafrão e da baunilha e amplamente utilizada nas cozinhas indiana (essencial ingrediente do caril/garan masala), árabe (básico no café) e chinesa.

O cardamomo é encontrado seco, em cápsulas (favas), com as sementes soltas ou já moídas.
Prefira as cápsulas inteiras, pois as sementes perdem o aroma rapidamente. Existem diversos tipos de cardamomo: os de cápsula branca, marrom e verde. Os mais comuns são os verdes, que adquirem essa coloração por serem secados artificialmente. Os brancos são clareados e os marrons não são do verdadeiro cardamomo, mas de uma espécie muito semelhante, porém menos aromática e mais canforada.
Guarde na própria embalagem, em local arejado e protegido da luz.

Abra as cápsulas do cardamomo somente no momento em que for utilizá-las, pois elas perdem o aroma rapidamente. Retire as sementes cuidadosamente e, se preferir, torre-as em uma frigideira para ressaltar seu aroma. Utilize conforme as orientações da receita.

O cardamomo integra duas tradicionais misturas de especiarias indianas. O garam massala, que combina cominho, sementes de coentro, pimenta em grão, cravo, macis, folhas de louro e canela e o curry, que mistura grãos de coentro e pimenta, cúrcuma, gengibre e pimenta-malagueta.

Saiba mais:

Experimente acrescentar algumas sementes de cardamomo ao seu café. Você sentirá um aroma e sabor diferentes (é hábito entre os árabes).

Chá com algumas cápsulas de cardamomo e casca de laranja é um excelente digestivo. Utilize cerca de oito sementes para 1 litro de água.

As sementes perdem seu sabor rapidamente quando moídas. Mesmo quando inteiras, perdem 40% de seu óleo essencial por ano, devendo ser mantidas nas cascas para melhor conservação.

Os grãos ajudam na digestão e melhoram o hálito.
Cuidado com o uso, pois altas doses podem provocar vômitos.

Purê de batata doce com calda de cardamomo

















Ingredientes
uma batata doce média
1/2 xícara de açúcar mascavo claro
1/2 xícara de água
sementes moídas de 2 unidades de cardamomo
10 amêndoas picadas

Como fazer

Cozinhe a batata doce até ficar bem macia.

Descasque-a e passe pelo espremedor, retirando todas as fibras (se necessário, use uma peneira). Reserve.

Coloque o açúcar, a água e o cardamomo numa panela pequena.

Cozinhe em fogo alto até formar uma calda levemente espessa.

Abaixe o fogo e acrescente o purê de batata-doce, misturando até ficar bem incorporado.

Desligue o fogo e acrescente as amêndoas, misturando bem.

Sirva morno e decorado com lascas de amêndoas.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Sopa cremosa de abóbora com curry



O curry, tal como o conhecemos, é uma invenção dos ingleses, pois o verdadeiro curry é uma mistura de gosto pessoal de uma variedade de ervas e que difere em cada região da Índia e também de casa para casa.


As ervas são moídas e misturadas em proporções diferentes, de acordo com a receita na qual o curry vai ser utilizado.


Outro fator importante é o poder aquisitivo de cada um.

Nas misturas de curry comerciais, utiliza-se maior quantidade de açafrão, que dá uma cor amarelo vivo, não adiciona muito gosto ao prato e custa pouco.

É fácil fazer sua própria mistura de curry: as 3 ervas básicas, em proporção, são: um açafrão e um cominho e meio coentro em pó. A esta mistura adicione, a gosto: páprica picante, endro em grão, gengibre em pó, canela em pó e sementes de mostarda.

Misture tudo muito bem e guarde em jarras fechadas em lugar seco.

A cozinheira indiana mistura o seu curry na hora e somente a quantidade exata que vai usar, pois as ervas perdem muito de seu sabor e aroma, se guardadas por muito tempo.

Evite, portanto, de comprar grandes quantidades e de guardar indeterminadamente qualquer erva ou especiaria.

O curry comprado pronto pode ser incrementado com uma das ervas acima ou ainda, com pimenta picante ou páprica picante.


Ingredientes


1 quilo de abóbora tipo moranga
2 colheres de sopa de azeite de oliva
1 colher de sopa de manteiga orgânica
1 colher de sopa rasa de curry
2 cebolas pequenas ou 3 dentes de alho
1 1/2 litros de caldo de legumes
1 colher de chá de açúcar mascavo
1/2 xícara chá de creme de leite fresco (se desejar, substituir por creme de soja)
sal marinho
2 colheres de sopa de coco ralado seco (sem açúcar)


Como fazer


1) Descasque a abóbora, retire as sementes e corte-a em pedaços pequenos.
Pique bem a cebola OU o alho. Esquente o azeite e manteiga juntos numa panela grande e adicione o curry em pó. Usando uma colher de pau, mexa em fogo médio por um minuto. É importante cozinhar o curry, liberando assim os aromas e misturando bem os sabores,
Junte então a cebola OU o alho e refogue por 5 minutos ou até que a cebola murche.


2) Junte o açúcar e a abóbora e refogue por alguns minutos. Tempere com o sal e acrescente o caldo de legumes. Misture bem, reduza o fogo e cozinhe por 30 minutos ou até que a abóbora esteja desmanchando.


3) Enquanto isso, prepare o coco para a decoração. Aqueça o forno a temperatura média, coloque o coco ralado em um pequeno tabuleiro e asse por 10/15 minutos ou até que fique levemente corado. Retire do forno e reserve.


4) Quando a abóbora estiver desmanchando, apague o fogo e deixe esfriar um pouco. Bata a abóbora com o caldo no liquidificador em 2 ou 3 vezes. É importante que a sopa fique bem fina e sem pedaços.


5) Volte a sopa para a panela limpa e prove. Ajuste o tempero com o sal, se necessário. Pouco antes de servir, aqueça e incorpore o creme de leite (ou de soja). Misture bem e transfira para uma sopeira ou pratos individuais aquecidos, espalhe o coco dourado por cima e sirva em seguida.


A Senhora das Especiarias



"Sou uma Mestra de Especiarias.
Sei lidar com as outras coisas também. Mineral, metal, terra e areia e pedra. As gemas, com aquela luz clara e fria. Os líquidos cujos tons ardem em nossos olhos até nada mais enxergarmos.
Aprendi isso tudo lá na ilha.
Mas as especiarias são a minha paixão.
Conheço a origem de todas, o significado de suas cores, os cheiros. Sei o nome original que cada uma recebeu quando a casca da terra se abriu, oferecendo-a ao céu. Tenho o calor de todas correndo no sangue. Do amchur ao açafrão, elas se curvam às minhas ordens. Basta uma palavrinha e elas liberam para mim suas propriedades ocultas, seus poderes mágicos.
Sim, todas elas têm uma magia, mesmo essas mais corriqueiras que a gente põe na panela sem pensar.
Está duvidando? Ah. Você esqueceu os segredos antigos que as mães de sua mãe sabiam.
Aí vai um deles novamente: esfregar no pulso uma fava de baunilha deixada de molho em leite de cabra espanta mau-olhado. E aí vai outro: uma medida de pimenta-do-reino, em forma de crescente, no pé da cama livra a pessoa de pesadelos.
Mas as realmente poderosas vêm da minha terra natal, terra de poesia ardente, plumas cor de água-marinha. Poentes vermelho-sangue.
É com essas que trabalho.
Se você se colocar no meio dessa sala e for se virando aos poucos, vai ver todas as especiarias indianas já existentes - inclusive as extintas - reunidas nas prateleiras aqui da minha loja.
Acho que não é exagero meu dizer que no mundo não existe nenhum lugar como esse.(…)"

Assim começa o livro "A Senhora das Especiarias", de Chitra Divakaruni.


Também sou apaixonada pelo poder delas e pela fantasia degustativa que passam aos alimentos.

Há muitas receitas, principalmente as indianas, mestras em usar os cheiros e sabores destes elementos que um dia fizeram caravelas atravessarem mares perigosos à sua procura.

Está aberta a entrada do jardim das especiarias!