A cozinha é o lugar mais reconfortante da casa porque nele encontramos alimento para o corpo e para a alma. Deixe a Natureza entrar na sua e esqueça os produtos feitos pela indústria alimentícia em geral, que não coloca amor nesse ato nem está preocupada com a saúde do seu organismo e o de sua família!

Esse é um dos segredos de manter o bem-estar - não entregue essa função vital a terceiros - ponha a mão na massa, deixe a preguiça de lado e estabeleça como prioridade fazer a comida que vai mantê-lo longe das doenças!
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quinta-feira, 22 de março de 2018

Gersal, também conhecido como gomásio




"As sementes de gergelim combinadas com o sal (quatro partes de sementes torradas e bem moídas para uma de sal marinho torrado bem moído) destroem os maus efeitos do açúcar em todo o organismo humano, muito especialmente no sistema nervoso e cerebral. O óleo de gergelim do gomásio reveste cada partícula do sal e impede a sede. Penetra na circulação sangüínea e normaliza a hiperacidez do sangue. Lembrai-vos: excesso de acidez e morte são a mesma coisa!"
George Ohsawa, em seu livro Macrobiotica Zen - A Arte da Longevidade e do Rejuvenescimento

Gosto de fazer o gersal em casa, principalmente porque processam demais o comercializado e também perde seu sabor e perfume sendo armazenado por muito tempo.
É bastante simples, basta comprar as sementes de gergelim com casca (é nela que estão concentradas as propriedades) e sal marinho (sal grosso), usando a proporção de 10 colheres de sementes para uma de sal.
Primeiro, tosto as sementes em fogo baixo, mexendo sempre e acompanhando para que não queimem. Cuidado que elas saltam na frigideira! Coloco-as no pilão e levo o sal para o fogo a fim de tostá-lo um pouco. Junto ambos no pilão e soco, é um bom exercício para os braços...
Levo novamente à frigideira, agora sal e gergelim, voltando a tostá-los, mexendo e amassando. O perfume que levanta é maravilhoso! Retornam pra cumbuca e são mais triturados ainda. Se quiserem rapidez, coloquem no processador, mas aí acontece o que falei anteriormente, vira um pó, o que não ocorre na produção manual. Esperar que esfrie e armazenar em vidro bem fechado, durante no máximo 30 dias, por isso não façam muita quantidade.
Utilizar em cima de pratos prontos, principalmente sobre o arroz integral.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Arroz de verdade e sem venenos


O seu Juarez tem a banca de arrozes na FAE - Feira dos Agricultores Ecologistas (Porto Alegre/RS) - há muitos anos.
Uma grande variedade, a média de preço é 6 reais o quilo e vale cada grão adquirido.
O aromático desmancha na boca e pode (até deve) ser comido puro: um pitéu!
Comparo com a ambrosia, que era a comida dos deuses que habitavam o Olimpo.
Depois que come-se essa delícia, nenhum outro arroz nos satisfaz.
Comê-lo dando graças à Mãe Natureza e à dedicação e sabedoria de um agricultor ecológico!

                                 Seu Juarez, na sua banca de arroz ecológico na FAE

sábado, 26 de setembro de 2015

Fermento em pó caseiro - sem alumínio!


Pra quem ainda não sabe que o fermento em pó industrializado contém alumínio e amido de milho transgênico na sua composição, aí vai o aviso mais uma vez!
Fiquem ligados naquilo que colocam para dentro de si, nem tudo pode ser o ideal, mas quanto mais nos informamos, mais podemos melhorar a qualidade da nossa alimentação.

O fermento em pó feito em casa é facílimo de fazer e funciona muito bem, podem observar nas fotos que o bolo cresceu, ficou fofo e garanto que também delicioso.
Só precisamos de dois ingredientes: cremor tártaro (sal ácido obtido dos resíduos salinos liberados durante a fermentação do vinho) e bicarbonato de sódio.
Sendo que fermento em pó é uma ligação química entre uma BASE e um ÁCIDO, o bicarbonato de sódio é a base e o cremor, o ácido. Juntamos os dois, bem misturados e pronto.

Essa foi a nossa aula de Química, agora passemos para a de Matemática: agora você pode dizer que valeu a pena estudar ambas na escola... :)

A proporção é a seguinte: para cada meia colher de chá de CREMOR usamos 1/4 de colher de chá de BICARBONATO.
Para fazer maior quantidade, é só ir aumentando essa proporção: duas de cremor, uma de bicarbonato; 4 de cremor, duas de bicarbonato... Podemos deixar a mistura pronta em um pote de vidro bem fechado, guardado em lugar longe da luz. Na hora de usá-la, utilizamos a mesma quantidade que pede a receita para o fermento em pó industrializado.

Para testar a validade, caso o fermento fique guardado por um longo tempo, coloque 1/2 colher de chá dele em meia xícara de água fervente; se borbulhar bastante, o fermento está ok, caso contrário, descarte. 

Algumas receitas na internet adicionam amido de milho, mas é dispensável.

Bicarbonato de sódio é encontrado em supermercados facilmente e o cremor de tártaro em lojas que vendem artigos para confeitaria e padaria.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Por que as sementes possuem antinutrientes?


Há muito tempo aprendi que devemos deixar os grãos e sementes de molho antes de consumi-los, para eliminar os fitatos, enfim, os antinutrientes que são tóxicos para nós.
Isso já faziam minha avó e minha mãe ao colocar o feijão de molho na noite anterior ao preparo, reproduzi mesmo não sabendo a razão "científica", era um conhecimento tradicional, carregado através das gerações.
Depois, através de muitas leituras, soube do motivo, conforme dito na frase inicial.

Mas agora descobri algo que me encucava: por que as sementes carregam consigo os antinutrientes?
A resposta está aqui: "As plantas começam a acumular seus nutrientes muito antes das sementes se formarem.
E não existe lugar melhor para acumular e guardar esses nutrientes do que nas folhas.
É isso que coloca os verdes na categoria de comida mais nutritiva da Terra.
Então, seria normal perguntar: "Não são as sementes a parte mais nutritiva da planta?"
Não, porque embora elas sejam, de fato, ricas em nutrientes, as plantas não querem que "seus bebês" sejam comidos, por isso protegem as sementes com doses de inibidores, alcaloides e outros ingredientes venenosos.
A melhor época para colher uma planta acontece antes da formação de suas sementes, porque é durante esse período que as plantas contêm sua maior concentração de nutrientes.
Depois que brotam, os nutrientes começam a se acumular nas sementes. Quase não restam nutrientes nas folhas das plantas depois que soltam suas sementes". (Victoria Boutenko)

Maravilhosa explicação! As plantas produzem as sementes, cheias de nutrientes que as deixam fortes para sobreviver e serem disseminadas para garantir a continuação da espécie, e as protegem com tóxicos, buscando evitar que sejam consumidas até que possam cumprir o seu papel.
Porém, nós, humanos, encontramos uma maneira de eliminar essa toxicidade, através do simples ato de colocar as sementes de molho em água, de 8 a 12 horas, não mais do que esse tempo, pois se ultrapassado, os fitatos retornam para o interior delas.

Mesmo assim, não é recomendado um consumo excessivo de grãos e sementes.
A chave do equilíbrio alimentar está na variedade, o que é saudável pode causar prejuízo se ingerido em abundância e diariamente.
A Natureza nos oferece centenas de vegetais!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Uma cartilha que promete revolucionar a maneira que o brasileiro vê a alimentação

"O Ministério da Saúde acaba de lançar uma cartilha que promete revolucionar a forma como o brasileiro vê a alimentação. O novo Guia Alimentar para a População Brasileira faz uma divisão entre alimentos naturais, processados e ultraprocessados. É nisso que as pessoas devem prestar atenção na hora de escolher o que vão pôr no prato."

10 passos para uma alimentação saudável 

1 Faça dos alimentos naturais a base da alimentação
2 Use óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades
3 Limite o consumo de produtos processados
4 Evite os ultraprocessados
5 Coma com regularidade e atenção e, se possível, com companhia
6 Faça compras em locais que ofereçam alimentos frescos, como feiras
7 Desenvolva, exercite e partilhe habilidades culinárias
8 Planeje o tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece
9 Fora de casa, dê preferência a comidas feitas na hora
10 Seja crítico quanto à publicidade de alimentos

A matéria aconselha o emprego de alimentos de origem animal, sou vegetariana, portanto, contrária a esse consumo
Mas devido à utilidade das demais informações, recomendo a leitura.

Uma cartilha que promete revolucionar a maneira que o brasileiro vê a alimentação

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Escolha o melhor alimento

Quer ter alimentação saudável, de qualidade e saborosa?
Siga os passos, se não puder todos, ao menos alguns.



domingo, 17 de março de 2013

Sucos naturais x sucos industrializados


















Muitas pessoas reagem com agressividade, quando comenta-se sobre a péssima qualidade dos alimentos industrializados, porque estão com medo. A verdade está ficando mais clara a cada dia que passa, vindo à tona e isso assusta a quem não quer mudar hábitos nocivos. Entendo, não é fácil, mas para todos irá chegar o momento de despertar.

Vejam um exemplo que não pode ser ignorado: Suco Ades contaminado com produto de limpeza

Prefiram os sucos naturais, comprem vegetais orgânicos, façam no momento do consumo, pois, principalmente as frutas que contêm vitamina C perdem esse nutriente quando entram em contato com o oxigênio (oxidam). Nada de produzir o suco e largar na geladeira, onde ele irá perder sua vitalidade.

Sabemos que a maioria alega não ter tempo para fazer seu próprio suco ou não encontra frutas na região onde mora. Comodamente iremos encontrar um argumento que embase nossa falta de paciência ou vontade de seguir um procedimento mais elaborado. Busque alternativas, sempre existe uma!

Opções de bebidas no blog

Sucos desintoxicantes

Sucos energéticos

Sucos com vitamina C

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O mundo Segundo a Monsanto

Vídeo imperdível, legendado! Quem importa-se com sua alimentação e dá a ela um lugar de destaque nos cuidados com a saúde, deveria assistir.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Vídeos apresentam experiências de agroecologia no país

Pra quem acha que não podemos viver sem os agrotóxicos e os transgênicos... agricultura saudável para um povo saudável!

"A Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) promove o projeto Curta Agroecologia com pequenos documentários que retratam experiências de agricultura saudável no país. A ideia é dar visibilidade na cidade às iniciativas.



As produções também têm o objetivo de estimular a defesa de uma mudança no modelo de desenvolvimento agrário brasileiro. Elas mostram como a agroecologia é capaz de recuperar solos, cuidar das águas, promover a produção de alimentos sem venenos e aumentar a qualidade de vida de populações.

A intenção é fazer com que as pessoas do meio urbano estreitem laços com a luta de agricultores e agricultoras, reivindiquem do Estado políticas públicas e defendam a agricultura familiar agroecológica. Essa uma forma de produzir alimentos saudáveis em contraponto à produção agrícola industrial, que concentra terras e utiliza agrotóxicos.

É possível baixar gratuitamente os quatro vídeos, de aproximadamente sete minutos cada, na Internet. Eles abordam temas como: a vida das quebradeiras de coco babaçú no Maranhão; a preservação de nascentes através da mobilização da agricultura familiar em Minas Gerais; as redes de produção de alimentos agroecológicos no Rio Grande do Sul; e a convivência agroecológica no semiárido da Paraíba.

O lançamento do projeto foi realizado na Cúpula dos Povos, evento paralelo à Rio+20. De acordo com a ANA, a meta é divulgar ao máximo as experiências, promovendo sessões de exibição dos vídeos em universidades, sindicatos, espaços de trabalho, dentre outros espaços.

Agência Pulsar - publicado em 27/06/12"

Fonte: http://www.brasil.agenciapulsar.org/nota.php?id=8927

Link para os vídeos: http://vimeo.com/agroecologia

domingo, 6 de maio de 2012

Azeite de Oliva já tem produção brasileira

                                                                      Imagens: Gastronomia Sustentável


"Em fazendas localizadas no Sul de Minas Gerais, na região da Serra da Mantiqueira, vem ocorrendo uma ousadia agrícola poucas vezes tentada no país: o desenvolvimento de oliveiras para a produção de azeite de oliva. Nunca antes tentado no Brasil com esta intensidade, a experiência de produzir azeitonas e delas extrair o óleo não encontra pararelo em outras incursões do passado com esse tipo de escala.

Produto tipicamente ibérico e milenar da região do Mediterrâneo, a azeitona nunca foi vista em solo nacional como um produto que pudesse de fato virar um "comodity", algo no qual a lavoura pudesse realmente estar amparada e gerar grande faturamento. Entretanto, este passado está sendo mudado no Sul de Minas Gerais. O plantio horizontal de oliveiras em anos passados começa a dar seus primeiros frutos e os primeiros litros desse azeite estão sendo bem aceitos. Talvez também esse processo seja favorecido por uma nova época interessada em produtos artesanais e feitos com maior cuidado.

Hoje, somando a produção de fazendas das cidades de Camundacaia, Delfom Moreira e outras próximas em Minas Gerais, possam talvez ser somados mais um milhão de pés de oliveiras plantados. Para industrializar, de fato, são necessários equipamentos de prensagem, de processamento e filtros que aí sim resultam no famoso óleo de oliva.

Os primeiros litros destes produtores mineiros vêm sendo atrações em eventos e feiras gastronômicas da região. Chefs locais têm aprovado e o produto é percebido como gourmet, justamente por sua pequena escala. Assim também é interessante para o produtor, já que pode remunerar o processo.

A Epamig - empresa de pesquisa agropecuária de Minas Gerais - está apoiando este projeto com assessoria e suporte técnico. Essa exploração de culturas especializadas em micro região é uma forma de gerar valor para estas comunidades e evitar a competição com as produções de monocultura. É uma saída econômica e o grande aliado pode ser o setor gastronômico.

Bem vindo ao azeite de oliva brasileiro, com sabor mineiro!"

 Fonte: Azeite de Oliva já tem produção brasileira em Minas


Que notícia maravilhosa, poder prestigiar mais um produto brasileiro! Tomara logo tenhamos acesso a esse azeite de oliva mineiro e espero poder só tecer comentário favoráveis.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Uma nutricionista consciente


No post anterior, citei a nutricionista Herta Karp Wiener, uma senhora sábia e consciente sobre a nutrição adequada a nós, humanos, que não necessitamos de carne para sobreviver.
Conheço-a desde a época em que frequentava a Coolmeia, no prédio da José Bonifácio, onde ela passava recomendações alimentares aos frequentadores. Sinto muita saudade da Coolmeia, dos almoços, dos lanches, do armazém, dos livros, enfim, de um local que frequentava bastante e com o qual me identificava muito! Hoje mesmo ao passar ali em frente, me desgostei mais uma vez ao ver que o local agora abriga um restaurante onívoro... Mas, enfim, é o progresso, dizem... (?)

Segui durante muito tempo as dicas da dona Herta nesse livro:


Depois, algumas coisas modifiquei, como o consumo de leite, por exemplo, mas ele me auxiliou muito!

Recentemente, ela lançou o livro Natural Gourmet:

"COMER COM PRAZER É NATURAL

Para a nutricionista Herta Karp Wiener, que está lançando o livro Natural Gourmet, alimentação saudável e culinária saborosa andam juntas (entrevista concedida para a jornalista Lilian Dreyer).

Lilian – Herta, tua trajetória profissional é incomum. O que foi que te levou a estudar Nutrição?

Herta - Sempre tive interesse pelo tema. A comida natural foi introduzida em nossa casa, durante a minha infância, porque uma mudança de alimentação operou um milagre sobre a saúde do meu pai. Ele tinha artrite reumatoide, num grau que já estava produzindo deformações no corpo dele, sem que os remédios conseguissem debelar o mal.

Lilian – Ele era jovem e tu eras criança nessa época?

Herta – Eu tinha uns oito anos de idade, meu pai tinha quarenta. Ele sofria dores terríveis. Nessa época, logo depois da Primeira Guerra, nós morávamos em Lwòw, cidade fronteiriça da Polônia com a Ucrânia. Por causa da grande escassez de moradias, habitávamos uma única peça, que era bem grande mas sem paredes divisórias. Assim, à noite, eu ouvia o padecimento dele, ele gritava de dor quando se virava na cama. Então aconteceu de travarmos contato com um homem que tinha formação como médico mas achava que as bases da medicina eram falhas. Ele estava focado em duas coisas: alimentação e transmissão de energia.

Lilian – E o que ele recomendou para o teu pai?

Herta – Primeiro ele fez uma sessão de transmissão de energia, um tipo de passe, que naquele tempo era novidade, algo que vinha sendo trazido por um sábio austríaco, chamado Mesmer. Até hoje essa prática é conhecida como mesmerismo. A seguir ele prescreveu uma radical mudança de alimentação.

Lilian – Tu eras pequena, mas tu te lembras qual era o sentido dessa mudança?

Herta – Meu pai quis contar a esse médico o que ele sentia, mas recebeu dele como resposta: “não precisa me contar nada, porque isso não é importante, a doença é sempre uma só, as manifestações é que mudam”. Depois eu soube que esta visão terapêutica tinha nome, o Princípio Único, que considera que a fonte das doenças é sempre um desequilíbrio no corpo, causado principalmente por equívocos na alimentação. O médico prescreveu uma série de mudanças na dieta do meu pai, e com isso ele se curou. Isso depois de ele ter passado por sete diferentes médicos, que não haviam conseguido ajudá-lo.

Lilian – Mas curou mesmo, Herta? Teu pai ficou bom?

Herta - Pois é, curou. A artrite reumatoide está entre as doenças que são chamadas de fluxões, ou seja, doenças que se recolhem mas não vão totalmente embora, se o paciente deixar de se cuidar a doença volta a se manifestar. Meu pai só voltou a ter problemas depois de bem velho, quarenta e tantos anos depois de ficar livre da doença. Ele tomou um antibiótico e então a artrite retornou.

Lilian - E tu te lembras qual foi a principal mudança de alimentação que foi prescrita ao teu pai?

Herta - O fundamental foi a retirada das carnes. Depois havia uma prescrição específica para o caso do meu pai, o médico receitou-lhe uma única refeição por dia. Durante um tempo, meu pai tinha de tomar, antes do por do sol, um copo grande de coalhada, acompanhada de uma maçã, sendo que esta refeição tinha que durar uma hora e meia. Ele tinha de mastigar a maçã até desmanchar. Meu pai, que era um homem possante, quase dois metros de altura, mas não era gordo, emagreceu 35 quilos. Foi bem difícil seguir essa dieta, ele ficava nervoso. Mas se curou. E a cura levou-o a introduzir mudanças alimentares em nossa casa. Na Polônia não tínhamos arroz, então usávamos batata, polenta, mas a base era sempre um hidrato de carbono, um legume e uma salada.

Lilian – Então esse episódio, ainda na infância, te levou a tomar interesse pela questão da alimentação.

Herta – É, virei como que uma discípula desse médico. Ele tornou-se nosso amigo, vinha nos visitar, dava-nos umas aulas e eu sempre junto, querendo aprender.

Lilian – E aí aconteceu todo o processo de tua vinda ao Brasil, por causa da Segunda Guerra, das perseguições aos judeus. Tu casaste aqui, criaste tua família, e bem mais adiante vieste a estudar Nutrição.

Herta – Fugimos para o Brasil duas semanas antes de estourar a Guerra. Vim morar aqui no Sul mais tarde, por causa do meu casamento. Como eu era praticante de ioga, de que eu gostava muito, entrei em contato com a Grande Fraternidade Universal, a GFU, que deu origem à Coolmeia. Na GFU descobriram que eu era naturalista. Chamavam de naturalismo porque não se tinha um nome para esse estilo de vida, que excluía a carne da alimentação e incluía alimentos naturais e integrais. Pediram-me que eu desse cursos, o que aceitei de imediato, eu inclusive os financiava, comprava e fazia os materiais didáticos, pesquisava informação em livros, procurava respaldar o conhecimento que eu tinha. Sempre foi um grande sucesso, tínhamos um público interessado, promovíamos jantares, começaram a me requisitar para entrevistas na mídia. Daqui a pouco me pediam para escrever um livro, para documentar toda essa experiência. Foram essas as razões que me levaram a estudar Nutrição. Eu me sentia insegura, achava que não tinha autoridade para responder as perguntas que me faziam nas entrevistas e sentia o mesmo com relação a escrever um livro. Depois vim a descobrir que a palavra chave para a Era de Aquarius era Saber, e que até pessoas como o Raijnesh, que influenciou a tantos com sua filosofia, também fez diversos cursos, de Psicologia e outros, pela mesma razão, porque autoridade só tinha quem se fundamentasse. Eu senti a mesma necessidade, embora mais tarde me desse conta de que a maior parte da informação que o curso proporcionava eu já tinha adquirido sozinha, tamanho era o meu interesse. De todo modo, acredito que para fazer valer o que eu dizia eu precisava ter um suporte científico.

Lilian – Mas aí tiveste de passar por toda uma preparação prévia, não é, para enfrentar o vestibular. Que idade tu tinhas quando começaste a estudar Nutrição?

Herta – Eu estava com 56 anos quando cheguei à faculdade. Ao falar com meu filho sobre minhas inquietações com relação à minha formação, ele me sugeriu que eu fizesse um curso técnico de Nutrição, havia um inclusive no Colégio Americano. Quando fui me inscrever, exigiram-me um documento comprovando a conclusão do primeiro grau. Eu não tinha essa comprovação, nós intencionalmente abandonamos documentos no momento da imigração. O cônsul que nos deu entrada, contrariando as normas vigentes, porque o governo de Getúlio Vargas não aceitava a entrada de judeus, aconselhou-nos nesse sentido. Nos meus certificados escolares a primeira coisa que aparecia era a religião… Muito mais tarde, através de leituras, vim a saber que essa foi uma prática comum do bom coração dos brasileiros, muita gente deu um jeito para permitir que imigrantes como nós pudessem entrar. Bem, no fim, em vez de fazer um curso técnico, acabei entrando em um curso supletivo de segundo grau. E aí aconteceu uma coisa muito interessante: a primeira aula do cursinho foi igual à última aula que eu tinha feito na Europa – trigonometria. Seno e cosseno, foi a última aula de matemática que tive na Europa e a primeira que tive no Brasil. Quando prestei vestibular para a Ufrgs havia 20 mil candidatos na disputa, e eu me classifiquei com o lugar 2 mil, passei na primeira opção, Farmácia. Não era o que eu queria, mas não havia ainda faculdade de Nutrição. Logo em seguida, porém, a instituição hoje conhecida como IPA abriu o curso de Nutrição em nível superior. Prestei vestibular novamente e passei em primeiro lugar.

Lilian – E assim finalmente adquiriste a autoridade que buscavas para escrever teu primeiro livro, Caminhos Naturais de Nutrição, lançado pela Editora Agora, em 1987. Uma coisa muito interessante que há no teu novo livro, o Natural Gourmet, que está sendo lançado, é o preparo de pratos tradicionais da cozinha europeia mas com substituição de ingredientes, de modo a tornar os pratos mais leves e saudáveis. Como te surgiu esta ideia?

Herta - Era o que a minha mãe fazia em casa. E eu também não via a necessidade de me privar daquela culinária saborosa só por ter aderido a uma alimentação naturista. Então comecei a adaptar as receitas.

Lilian – Tiravas os excessos de gorduras e de ovos, substituías as farinhas e o açúcar branco…

Herta - Sim, e quando era um prato à base de carne eu também substituía. Depois de estudar Nutrição entendi melhor como fazer essa substituição. Comecei também a eliminar as más combinações de alimentos. Tenho orgulho de dizer que essa é uma especialidade minha, porque nem na faculdade havia atenção a esse aspecto.

Lilian – O que seria uma má combinação?

Herta – Repolho com ovos, por exemplo. O fósforo contido nos ovos reage com substâncias existentes no repolho, provocando flatulência. Outra combinação ruim, que é até muito popular, é espinafre com leite e derivados. Certa ocasião fez-se um inquérito alimentar numa região onde se verificava uma alta incidência de anemia na população, e se constatou que as pessoas tinham hábito de beber leite para matar a sede, bebiam leite quando chegavam em casa e continuavam bebendo durante o almoço. Parece bom, mas é uma péssima ideia, porque o leite entra em combinação com o ferro de outros alimentos, como é o caso do espinafre, formando um sal que o organismo não tem condições de aproveitar.

Lilian – Por falar nisso, como tu explicas o alto índice de osteoporose que hoje se verifica mesmo em populações que incluem leite em sua dieta?

Herta – Boa pergunta. Eu quanto a isso vou meio na contramão da medicina. Já cheguei a ouvir até que a osteoporose seria consequência de termos evoluído de quadrúpedes para bípedes, o que acarretaria mais peso sobre a coluna vertebral. Só que eu parto do ponto de vista de que a natureza não faz nada errado. A coluna tem uma forma perfeitamente adaptada à sua postura. Há quem fale também sobre a posição do corpo durante o sono, os colchões, a postura em geral. Concordo com isso em parte, mas não acredito que essas causas pudessem ter efeitos tão severos. Já no que se refere à alimentação, sabemos que hoje ingerimos excesso de açúcares e farinhas refinados. Substrai-se desses alimentos toda sua estrutura de minerais e vitaminas, os quais, justamente, são necessários à digestão de açúcares e farinhas. Quando ingerimos um produto que não traz consigo a “infraestrutura” necessária à sua decomposição e remonte, esse produto vai retirar isso do nosso organismo, especialmente cálcio e complexo B. O complexo B vem inteirinho na película do grão, mas essa película é retirada no refino.

Lilian – Pra gente entender melhor: no momento em que se faz uma farinha branca, ao eliminar o cálcio e o complexo B que os grãos traziam na casca, obriga-se esta farinha, para ser processada na digestão, a roubar elementos do nosso organismo.

Herta – Exatamente. Vai roubar cálcio dos ossos e dos dentes, vai retirar outros elementos da corrente sanguínea. E o açúcar branco faz a mesma coisa. Essa relação é hoje aceita no meio médico como uma das causas da osteoporose, mas eu a considero a principal causa. E mais uma coisa: a ingesta exagerada de proteína. Isso foi comprovado em esportistas. Achava-se que devido ao esforço maior tinha-se de aumentar a ingesta de proteína. Mas constatou-se que a partir de determinado limite isso prejudicava o desempenho, a proteína não deixa que seja absorvido o cálcio. Então, por um lado, a falta das partes nobres da planta, e por outro o excesso de certos nutrientes.

Lilian – Ao que parece, tu pregas uma volta ao natural, mas estás muito atenta à evolução científica, valorizas as conquistas que a Ciência tem feito na área da Nutrição.

Herta - Valorizo, tanto é que sigo. Claro que sempre pondero, penso bem se não se está seguindo por caminhos meio desviados, se a importância que se dá a determinada informação não é exagerada, enfim, presto atenção às nuances.

Lilian – E o que as pessoas que vão comprar teu livro, que vão penetrar nessa tua obra, o que elas podem esperar? O que tu estás querendo passar para o público?

Herta – Eu quero passar para as pessoas a noção de que elas podem se alimentar com todo o prazer que essa função vital produz. A alimentação foi “planejada” já com esse intuito. Todas as funções vitais são ligadas ao prazer. Isso é sábio, porque se fossem desprazerosas, se fossem um castigo, fugiríamos delas. Então não é preciso desistir do prazer de comer, esse prazer é natural. Mas a palavra Saber, tão ligada à era de Aquarius, precisa ser valorizada. Nós já sabemos que estamos cometendo erros no modo como nos alimentamos, já sabemos os resultados tristes que advêm de nos alimentarmos de forma errada, tristes para nós e até para todo o planeta. Mas no livro não enveredamos para este lado, o que queremos com ele é aderir, com toda leveza, ao lado bom da vida, em todos os sentidos.

Herta Karp Wiener presta consultoria em nutrição na Feira dos Agricultores Ecologistas, aos sábados, quinzenalmente, na rua José Bonifácio, próximo ao parque da Redenção em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul."

Fonte dessa entrevista: maisQnada

Dicas dela sobre o consumo de melancia!

Mais um sábado de feira...

Hoje, na Feira dos Agricultores Ecologistas da José Bonifácio (Porto Alegre) a estrela do dia foi o tomate, com exposição especial numa das bancas, tendo a presença da nutricionista vegetariana
Herta Karp Wiener.

                                                      Dona Herta e os tomates
                                                  A nutricionista espalhando sua sabedoria
                                                 Os reis da feira deste sábado
                                                    In natura ou na forma de molho, extrato ou suco

Comprei maracujás, pimentões e berinjelas, entre outras coisas.


Também comprei inhame, mas uma variedade diferente da que costumo usar (aquele redondinho e cabeludo que nasce embaixo da terra); esse é enorme, comprido e nasce sobre a terra. Ele também não fica tão molinho como o outro, sua textura é mais firme.


Costumo ir a pé até a feira (uma bela caminhada da Usina do Gasômetro até a Redenção), mas pra voltar tenho que pegar o busão, porque as sacolas ficam pesadas...


Enquanto esperava na parada, observei um grafite que dizia:


A Vila foi removida como algo que estava incomodando, sem que pensassem, realmente, no bem-estar da comunidade... Vários moradores da Chocolatão eram colegas da minha filha na escola e nenhum deles, segundo ela, estava contente com a mudança, iam porque estavam sendo forçados a ir. Foram levados para algum lugar onde o diabo perdeu as botas...

Cheguei cansada em casa, principalmente devido ao calor intenso! Mas tinha já pronto na geladeira um sorvete de abacaxi com coco (só bati as frutas no liquidificador e pus nas forminhas de gelo) e faltava fazer a calda de chocolate (com leite de castanhas e o dark chocolate da ASDA). Ficou soberbo! Atacamos e devoramos tudo em alguns minutos (duas crianças + uma adolescente + uma adulta)! :)

                                                               A calda...

                                                       ... e o sorvete!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Fujam desses alimentos, se não forem orgânicos!

Um estudo divulgado esse ano pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) colocou esses alimentos entre os mais perigosos para o consumo, por terem grande chance de sofrer contaminação excessiva ou uso errôneo de agrotóxicos. Aqui está, em ordem do mais perigoso para o menos, a lista dos top 10:

pimentão (80,0%)
uva (56,40%)
pepino (54,80%)
morango (50,80%)
couve (44,20%)
abacaxi (44,10%)
mamão (38,80%)
alface (38,40%)
tomate (32,60%)
beterraba (32,00%)


Observei que a última lista da ANVISA, de 2009, tinha percentuais menores de contaminação, ou seja, a quantidade de agrotóxicos utilizada AUMENTOU em 2011! Mas a cenoura saiu da lista negra porque seu índice baixou para 24,80%...

Vejam:

                                                                                     Segundo tabela da ANVISA de 2009


Vejam a tabela atual completa aqui.

Atualizando: a pedido, dicas para remover um pouco do agrotóxico dos alimentos; totalmente, é impossível! Mas é uma alternativa para quem ainda não consegue comprar alimentos orgânicos...

Higienização dos alimentos

Como diminuir a ingestão de agrotóxicos

E aqui, referência à publicação da tabela de 2009 com detalhes, quando já se fazia o alerta que parece não ter surtido efeito, já que a quantidade de agrotóxicos nos alimentos aumentou... o Brasil, vergonhosamente, é o campeão desde 2008, como o país que mais consome agrotóxico no mundo!

Os campeões em agrotóxicos

domingo, 4 de dezembro de 2011

Alimente-se com orgânicos já!

Porque a urgência? Porque ao ingerir produtos produzidos de forma convencional, você está ingerindo também os venenos que eles carregam, que irão acumulando-se no seu organismo e causando doenças, certamente. Os próprios agricultores estão abandonando, aos poucos, essa prática, pois muitos adoecem ao manipular os agrotóxicos. Eles ainda são em pequeno número porque não recebem incentivo para plantar dessa forma e porque o consumidor ainda não desenvolveu a consciência de que os agrotóxicos matam!

Assistam a esse excelente vídeo que mostra, de forma didática e interessante, porque investir na produção orgânica... você não tem ideia da quantidade de veneno que ingere diariamente ao comer produtos convencionais, cheios de agrotóxicos! Roberto Umeda poderia ser um competente repórter, além de agricultor consciente! Parabéns e continuem investindo, mesmo sem incentivo! Nós, consumidores, precisamos da corajosa iniciativa de vocês, agricultores, em escolher uma forma de plantio que não é estimulada pelas autoridades competentes (se há um estímulo, é muito tímido...):

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Cozinhando sem desperdício: aproveitamento de alimentos


Ideias para uma alimentação saudável, aproveitando integralmente os alimentos, sem desperdício.
Algumas sugestões envolvem o uso de carnes, pode-se fazer substituições, mas a maioria das receitas utiliza vegetais.
Optei por passar os links, sem intervenção - usem o bom senso e a prática de escolher o melhor para cozinhar com equilíbrio e saúde!

Receitas criativas: dicas para uma alimentação enriquecida e o melhor aproveitamento dos alimentos

Como aumentar o valor nutricional dos alimentos

Alimentação Enriquecida/ receitas da multimistura

Alimentação Criativa/receitas

Livro de Receitas: Boas formas para evitar o desperdício - SESC/São Paulo

Processamento de banana: Pratos doces e salgados e bebidas - Embrapa

Bom proveito e bom apetite!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sobre ovos caipiras e/ou orgânicos


Esse texto da Sonia Hirsch fala, de uma maneira simples e direta, sobre a diferença entre os ovos das galinhas criadas soltas (as denominadas caipiras), por pequenos produtores e os ovos obtidos pelo sistema industrial de criação de galinhas, confinadas nas enormes granjas.


" A GALINHA DO VIZINHO
bota ovo amarelinho, bota um, bota dois, bota três, bota
quatro, bota cinco, bota seis...

Galinha de quintal todo dia namora o galo e bota ovo no
ninho; depois de umas três semanas deita em cima para
chocar e dali a algum tempo começam a sair os pintinhos.
Toda prosa, D. Galinha vai passeando com eles pelo
terreiro, ensinando a ciscar, a achar minhoca, a bicar
quirera de milho e de arroz, a beber água. Quando eles já
estão grandinhos, ela começa a namorar e botar ovos de
novo para chocar mais pintinhos.

São ovos de casca forte, a gema quase cor de abóbora.
Alimento do bem, que nutre, fortalece, evita doenças.
Ah, mas não aumenta o colesterol? Não, minha senhora:
esse mito já desabou há muito tempo. Ovo caipira, em
geral, faz bem.

Agora, esses ovos comuns, você sabe como
são produzidos? Nascem os pintinhos e, quando já dá
pra separar as fêmeas dos machos, a ração delas muda:
ganha produtos químicos que agem como hormônios
e aceleram os ovários. Elas então amadurecem à força
e começam a pôr muitos ovos – dois ou mais por dia.
Nunca fazem uma pausa para chocar e criar pintinhos.
Também, nem têm galo pra namorar. Vivem em gaiolas,
não pegam sol, jamais passeiam para ciscar e comer
minhoca. Tomam montes de vacinas e antibióticos
para não ficarem doentes. Lá pelas tantas não dão mais
nada; aí vão para o abatedouro.

Esses ovos feitos com antibióticos e substâncias químicas
são os mais baratos do mercado. Essas galinhas e seus
frangos tristes, criados à base de drogas, são praticamente
animais artificiais. O tal do chester, então, é mais artificial
ainda - uma raça criada em laboratório para dar mais lucro.

Na alimentação natural a pessoa se preocupa com isso,
procura conseguir frangos e ovos de quintal. Mesmo
que consiga só de vez em quando, está bom. Afinal,
ninguém precisa mesmo comer frango e ovos todo dia."


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O frango, eu agradeço, não como nunca; mas um ovo caipira (ou orgânico, para ser mais exata), incluo na minha alimentação de vez em quando, sabendo que a galinha não sofreu pra que ele chegasse à minha mesa... além disso, nas receitas substituo os ovos por gel de linhaça ou banana amassada.

Complementando: Consumo ovos de galinha devido à necessidade de B12 no organismo: "Esse é o único nutriente que um vegetariano pode precisar suplementar mesmo com uma dieta bem planejada. A vitamina B12 está presente apenas nos alimentos de origem animal em quantidade significativa." Vitamina B12 e vegetarianismo

Segundo meu raciocínio, a Natureza é perfeita (embora alguns não achem isso, pois estão observando-a e analisando-a sob um ponto de vista humano). Se ela decidiu que o ser humano precisa de B12 para sobreviver e essa vitamina encontra-se apenas nos alimentos de origem animal, penso que devo concordar com a ordem natural das coisas. Se há necessidade de suplementação para obter algo que existe no mundo natural, alguma coisa está errada... certamente, a maneira com que os humanos tratam as galinhas.

Alguns dizem (ou diziam) que há B12 em algas, no missô e no tempeh, no levedo de cerveja, mas são informações errôneas: B12 só nos alimentos de origem animal ou com suplementação... Leia mais aqui.

Veja aqui como o confinamento das galinhas está com os dias contados: Produção de ovo caipira e orgânico

Propaganda enganosa é crime
Se você encontrar embalagens de “ovos de granja” (criados em gaiolas) com fotos de aves ciscando ao ar livre – sugerindo que os animais não foram confinados – ou com palavras que confundam o consumidor quanto à origem do alimento, denuncie! A regulamentação brasileira proíbe nos rótulos qualquer indicação, por escrito ou ilustração, que passe falsa impressão e que forneça uma idéia errônea da origem e qualidade do produto.
Todo rótulo deve ser aprovado e registrado no DIPOA (Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal) e trazer impressa a declaração do registro e número. No caso dos ovos, as embalagens devem apresentar ainda o carimbo da Inspeção Federal.

Leia mais aqui: Ovos de granja, caipira ou orgânicos? Aprenda a conhecer a diferença na hora de comprar

Gostei desse post do blog Chucrute com Salsicha: "Comparemos então a vida dessas galinhas que tem o direito de botar ou não botar ovos, com aquelas eternamente confinadas num cubículo iluminado noite e dia por uma luz artificial, comendo ração cheia de hormônios pra poder botar ovos dia e noite, sem nenhuma influência das leis naturais e assim suprir a demanda dos ovos com bacon e omeletes diárias pros pafúncios humanos.

Não é justo. E não é assim que precisa ser. A escolha é nossa."

Obviamente, se não houver um consumo excessivo, a produção também não será, necessariamente, desenfreada!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Batata-inglesa e solanina


Quando os europeus levaram a nicotina e a batata (solanum tuberosum) para seu continente, mal sabiam que através dessas plantas escondia-se uma forma de vingança dos povos indígenas (incas e maias) por terem sido subjugados e dizimados - ambas são nocivas ao organismo, tanto que o tabaco só era usado em práticas religiosas e a batata não era muito consumida pelos nativos sul-americanos - o vício de fumar mata milhares de pessoas ainda hoje e as batatas, cujo amido apodrece rapidamente no intestino, são as vilãs daquela salada que costuma fazer todos os convidados de festas e reuniões passarem mal; muitos pensam que os culpados são os ovos, mas, provavelmente, seja a solanina envenenando o organismo dos convivas.

A batata-inglesa (assim chamada porque foi apresentada primeiramente em Londres) nunca foi bem vista pelos macrobióticos:

A batata inglesa, o tomate, a berinjela e o pimentão são vegetais pertencentes à família das solanáceas, categoria que inclui plantas tóxicas como o tabaco e a beladona. Sabe-se que a solanina enfraquece o sangue, dilata o aparelho digestivo e provoca distúrbios no estômago e intestinos, levando inclusive ao surgimento de hemorróidas. Além disso, a batata contém ainda altos índices de potássio, o que compromete seu uso como alimento regular.

Por serem muito expansivas (yin), as solanáceas, quando consumidas por aqueles que ainda fazem uso de carnes (yang), podem trazer uma sensação momentânea de bem-estar. Com o tempo, porém, seus efeitos deletérios manifestar-se-ão inevitavelmente.

Fonte: Restaurante Metamorfose

Quando as batatas apresentam uma cor esverdeada e estão brotando em certos pontos, não comam (expostas à luz, começam a brotar e a esverdear)!  Incrivelmente, a maioria dos estabelecimentos que comercializam alimentos, oferecem as batatas ao consumidor nessa forma, geralmente, por um preço baixo e convidativo.
Alguns apregoam que basta cozinhar bastante as batatas quando estão assim, para que se possa comê-las:

Apesar dos cruzamentos, ainda hoje a batata pode ser tóxica: quando permanecem expostos à luz, os tubérculos tornam-se verdes e produzem a solanina, um alcaloide tóxico que funcionam como mecanismo de defesa para a planta.

Segundo o autor, o envenenamento por solanina causa desordens gastrointestinais e neurológicas. Os sintomas incluem náusea, diarreia, vômito, dores de estômago, queimação da boca, arritmia do coração, dor de cabeça e vertigem, entre outros. Doses acima de 2mg a 5 mg por quilo corporal são fatais. Mas tudo isso é evitado apenas pelo cozimento da batata em alta temperatura (acima de 170º), que destrói a solanina.


Fonte: Venenosas: Plantas que matam também curam
Gil Felippe

Mas na maioria dos sites relacionados com segurança alimentar em que pesquisei, o texto era sempre o mesmo: "A Solanina é um alcalóide naturalmente presente na batata, cujo teor aumenta quando as batatas ficam expostas à luz e adquirem uma cor esverdeada. Este tóxico não é destruído pela cozedura e pode ser letal."

Aqui ela é considerada um dos 6 alimentos mais tóxicos que consumimos:

Recentes pesquisas mostram que a dose tóxica seria de 2 a 5 gramas de solanina por quilo corporal. A intoxicação pode causar alterações intestinas como diarréias, vômitos e dores abdominais. Alterações neurológicas também podem ocorrer como alucinações e dor de cabeça. Os sintomas só iniciam após 12 horas de sua ingestão. Pode causar a morte em casos elevados de consumo. Lembrando que a confirmação oficial para intoxicação seria no consumo das batatas ainda verdes, pois contém maior concentração de solanina.

Fonte: 6 alimentos tóxicos que consumimos

Observem que o feijão (a maioria das variedades) também faz parte desta lista, por isso deve ser muito cozido, deixado de molho por no mínimo 12 horas, desprezar a água do molho e da primeira fervura na panela e é uma das poucas sementes não recomendada para germinação (excetuam-se o moyashi e o azuki).

Não é necessário abandonar o consumo de batata-inglesa, mas procure substituí-la por inhame, cará, batata-doce, batata-baroa, aipim, mandioquinha...

sábado, 10 de setembro de 2011

Mudando a alimentação - é difícil largar velhos hábitos...

                                                                                  Getty Images

Quem gosta mesmo de comer carne, como os gaúchos que são viciados numa costela gorda, dificilmente vai largar esse hábito... vejo que, atualmente, a maioria dos vegetarianos e veganos são jovens ativistas. Tal luta é extremamente importante e necessária, mas percebo que ela não comove uma grande parcela das pessoas (pelo contrário, irritados, os onívoros agarram-se com mais força à picanha) e outras até pensam em tornar-se vegetarianas, mas não sabem por onde começar nem como conseguir substituir o consumo de proteína animal sem prejuízos para a saúde.

É para essa segunda parcela de pessoas, especialmente, que esse blog foi criado: para orientar aqueles que pensam ou já decidiram abraçar o vegetarianismo, seja como dieta, filosofia ou opção ética (para os animais não faz a menor diferença o que moveu essa decisão).

Muitos não podem recorrer a um nutricionista, adquirir livros ou revistas e mesmo que encontrem artigos na internet, são tantas informações que acabam por confundir a cabeça e não esclarecem. Por isso, muitos começam a alimentação vegetariana e desistem no meio do caminho, por sentirem-se sem energia ou por terem uma dieta repetitiva e sem sabor, fruto de ignorarem quantas receitas podem ser produzidas apenas com ingredientes do mundo vegetal. Além disso, por comodismo, escolhem alimentos industrializados, o que também não ajuda na manutenção da saúde.

Os links a seguir são do blog Fora do Manual, onde procurei criar um roteiro para o iniciante na alimentação saudável, com o processo transitório e a finalização ideal - creio que tal mudança deve ser feita progressivamente e com cautela, para que o organismo se adapte à nova dieta (alguns podem reagir violentamente a mudanças drásticas).
Outro link traz o planejamento de um cardápio vegetariano: muitas pessoas deixam de comer carne com facilidade, mas desistem de manter uma dieta vegetariana por um motivo aparentemente banal: não saber montar cardápios nutritivos e, ao mesmo, tempo saborosos.
Sentindo-se desvitalizados e também desmotivados, voltam aos velhos hábitos.
Logo, esse pequeno guia pretende auxiliar aos que já decidiram optar pelo vegetarianismo e estão encontrando dificuldades para escolher alimentos ou elaborar cardápios.
O terceiro link leva a um depoimento sobre mudanças, como elas aconteceram na minha vida e como podem acontecer na vida de qualquer um.

Mudando a Alimentação

Planejando um cardápio vegetariano

Mudanças

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Vegetarianismo e vida saudável

Folheando revistas antigas, encontrei essa definição estranha de vegetarianismo:


Vegetalianos (???????)

Os vegas e vegetalianos abstêm-se de todo e qualquer alimento industrializado, bem como cereais refinados,  açúcar branco, cristal, mascavo ou rapadura. E, em geral, preferem os alimentos em seu estado natural, ou seja, cru. Dão preferência aos vegetais de época e aos não-tratados com defensivos agrícolas. (?????????????????)

Os ovo-lacto-vegetarianos não fazem uso de fumo, álcool, tóxicos, açúcar branco, conservas, vinagres, temperos e condimentos fortes, bebidas e alimentos artificiais, mas consomem ovos, leite e derivados, peixe (em alguns casos), cereais, verduras, legumes, frutas, mel. alimentos estes que devem estar o mais próximo possível do estado natural. (????????????????)

O texto (contendo muitos equívocos)) procura passar a imagem de que aqueles que não consomem carnes têm uma dieta saudável, ou mesmo, um estilo de vida saudável, mas o que ocorre na realidade é exatamente o contrário - a alimentação e a saúde não são os focos principais de quem condena o consumo de animais, mas evitar o sofrimento deles.

Algum dia, os vegetarianos talvez percebam que podem combinar ambas as ações: proteger os animais e ter uma alimentação saudável e equilibrada...

Fonte: Guia Corpo a Corpo de Qualidade de Vida - Ed. Símbolo - 1987