A cozinha é o lugar mais reconfortante da casa porque nele encontramos alimento para o corpo e para a alma. Deixe a Natureza entrar na sua e esqueça os produtos feitos pela indústria alimentícia em geral, que não coloca amor nesse ato nem está preocupada com a saúde do seu organismo e o de sua família!

Esse é um dos segredos de manter o bem-estar - não entregue essa função vital a terceiros - ponha a mão na massa, deixe a preguiça de lado e estabeleça como prioridade fazer a comida que vai mantê-lo longe das doenças!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Taioba - um coração verde


A taioba, hortaliça que tem as folhas com formato de coração e o desenho de um Y na superfície, é pouco conhecida da maioria dos brasileiros.
Isso acontece porque ela não é encontrada com facilidade, sua produção está basicamente concentrada em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Como ela desenvolve-se em tempo chuvoso e quente, o Brasil é um habitat ideal para o seu cultivo e a Embrapa está trabalhando para que a escassez da taioba no resto do país acabe, "desenvolvendo parcerias para criar bancos de multiplicação da hortaliça no País". De origem selvagem (Américas do Sul e Central), ela desenvolve-se livremente e não exige adubo ou insumos especiais. Vamos torcer para que logo essa planta magnífica chegue facilmente ao prato de todos os brasileiros!

A taioba é parente do inhame, alimento que está tornado-se popular, pelo seu delicioso sabor e propriedades curativas. Ainda não tive o prazer de experimentar as folhas da taioba, mas quem já o fez garante que "seu gosto suave e a textura macia são capazes de fazer até quem não gosta de verduras repetir o prato". Grande dica para ajudar a criançada a gostar de vegetais!

Suas propriedades nutricionais são também um atrativo:

* quantidades significativas de vitamina A (1,21 mg em 100 g do alimento), sendo que "cem gramas são mais do que suficientes para atingir as recomendações diárias para adultos, que é de 0,9 mg para homens e 0,7 mg para mulheres";

* boa fonte de vitamina C (17,9 mg em 100 g do alimento), sendo que estudo comprova que a versão orgânica da taioba apresenta mais dessa vitamina do que as cultivadas nos moldes convencionais (mais um ponto a favor do orgânicos e contra o uso dos agrotóxicos no plantio!);

* a fécula da taioba (extraída da sua raiz) possui em média 85% de amido, fazendo com que o alimento seja uma fonte riquíssima de energia, sendo indicada para quem precisa de combustível extra para realizar suas atividades;

* quanto aos minerais, a taioba tem em sua composição ferro, fósforo, zinco, manganês, cobre magnésio e potássio, além de doses abundantes de cálcio (141 mg em 100 g do alimento) - excelente opção para quem não quer consumir leite de vaca e/ou laticínios para obtê-lo.

Para prepará-la, a forma não é muito diferente da que usamos com a couve: as folhas devem ser picadas e refogadas. O caule pode ser cozido, frito, acrescentado a cremes ou no preparo de bolinhos. Atenção a esse alerta: o consumo das folhas cruas está proibido já que a taioba contém altas quantidades de cristais de oxalato de cálcio - substância que irrita as mucosas da boca e da garganta, causando sensação de asfixia. Para evitar que isso aconteça, é simples: afervente a hortaliça e escorra a água utilizada. "Evite utilizar folhas velhas e secas, pois elas concentram ainda mais dessa substância".

Aliás, nem todos os tipos de taioba são comestíveis. "Algumas opções silvestres, também conhecidas como 'bravas', possuem uma quantidade tão alta de cristais de oxalato de cálcio que nem ao cozinhá-las é possível exterminar toda a substância". Como diferenciar, então, a taioba comestível da que é perigosa para o consumo? "O primeiro passo é ficar atento à coloração; as taiobas bravas, em geral, apresentam folhas verde-escuras, além de um ponto arroxeado na inserção da haste de sustentação da folha". Mas como há grandes variedades de espécies, pode haver exceções nessas características, assim, o modo mais seguro é "sempre perguntar sobre a procedência da taioba antes de comprá-la ou colhê-la". Olho vivo, então!

Seguem duas receitas feitas com taioba, testei ambas mas utilizando a couve e o brócolis, já que não foi possível encontrar a taioba aqui na minha região - aguardo, com ansiedade, que a Embrapa não demore a viabilizar a produção da taioba em todo o Brasil!

Pirão de taioba com farinha de mandioca

Ingredientes

3 folhas de taioba cozidas, escorridas e picadas
2 dentes de alho picados
2 CS de azeite de olive extravirgem
1 cc de sal
1 pimenta dedo de moça vermelha, sem sementes, picada
2 xícaras (chá) de água fervente
1/2 xícara (chá) de farinha de mandioca

Como fazer

Tire a nervura central das folhas da taioba e cozinhe em água salgada. Após 10 minutos, ou quando as folhas estiverem macias, escorra toda a água. pique as folhas cozidas e reserve. (Como usei as folhas da couve, comprei algumas bem grandes e cozinhei alguns minutos no vapor).

Em uma panela, doure o alho no azeite, junte a pimenta picada e a água fervente. Em seguida a crescente a taioba e espere ferver. Junte, aos poucos, a farinha de mandioca, mexendo sempre. Deixe engrossar, prove o tempero e corrija o sal se necessário.

Dica: se não gostar de pratos muito picantes, diminua a quantidade de pimenta.

A receita original recomenda "servir com peixe" (peloamordedeus, peixe não!), mas a farofa ficou perfeita junto com o feijão e o arroz e deve combinar divinamente com uma feijoada vegetariana!


Talos de taioba com molho agridoce e picante

Ingredientes

9 talos de taioba descascados e cortados
1 cc de açúcar mascavo
suco de um limão
1 cc de azeite de oliva extravirgem
1 cc de gengibre picado ou ralado
1 pimenta dedo de moça sem sementes, picada
2 CS de cebolinha picada
1/2 CS de gergelim preto tostado
sal a gosto

Como fazer

Coloque os talos de taioba em um litro de água fervente, temperados com 1/2 colher de sopa de sal. Deixe cozinhar por 5 minutos ou até ficarem macios, mas não muito moles. Escorra e deixe esfriar. (Aqui utilizei os talos do brócolis e, novamente, cozinhei alguns minutos no vapor).

À parte, misture todos os outros ingredientes.

Acrescente os talos já frios na mistura e sirva como entrada ou acompanhamento.

Informações editadas no texto e fotos da revista Vida Natural & Equilíbrio, nº 51

Nota: Adoro as coincidências que acontecem na vida como pequenas surpresas e que, além disso, nos mostram como o mundo tornou-se mesmo uma aldeia global... linkei esse post para o facebook e lá um amigo, o Andre De Paula Eduardo, compartilhou e descobriu que o texto original da revista havia sido escrito por um amigo dele, o Leonardo Valle! Então, aproveito a nota para elogiar o ótimo trabalho desse jornalista e que, certamente, ajudou muito a divulgar a taioba - confesso que adquiri a revista apenas por ter visto na capa a matéria sobre ela, pois há muito tempo queria abordar aqui no blog essa planta incrível e não havia encontrado ainda informações completas. Abraços a ambos e viva a taioba!


9 comentários:

Renato Nunes disse...

Bom dia! Muito interessante sua matéria sobre a taioba, desde criança fui criado na roça e tenho contato com a taioba. Hoje moro em um grande centro, porém minha mãe nunca deixou de ter aquela hortinha em casa. Então consegui algumas mudas com ela, e por incrível que pareça elas estão em crescimento pleno em minha horta orgânica, sou grande amante da culinária mineira, e uma horta em casa é sempre bem vinda, tanto para comer alimentos saudáveis quanto para combater o stresse. Temos que aprender a incentivar nossas crianças a cultivar e ter consciência ambiental, pois só assim teremos um planeta melhor, minha pequena já se encanta com as plantas que tenho em casa, fico muito feliz por passar a frente os ensinamentos que tive... Parabéns pela matéria e até mais.

Vera Falcão disse...

Obrigada, bom saber que há pessoas que amam as plantas e agem para que elas se multipliquem no planeta, um abraço!

Anônimo disse...

Temos que prestar atenção ao formato das folhas que são confundidas com as do inhame que não são recomendáveis ao consumo.

Vera Falcão disse...

O texto explica bem a aparência da folha, além de alertar sobre a procedência, sugerindo que o consumidor verifique-a com atenção

júlio gomes disse...

um comentário desse artigo é pouco pra expressar a minha alegria de obter preciosas informações sob a taioba que tenho no meu quintal. (Obs pessoas comem esta planta diz ter colesterol baixo).gosto de quem gosto de quem gosta das plantas obrigado.

Vera Falcão disse...

Júlio, sou apaixonada pelas plantas, gosto de estudá-las, observá-las, ficar perto de suas cores e ainda me possibilitam, generosamente, que me alimente delas. Grande abraço!

Josefa disse...

Amei saber sobre a TAIOBA, e tb ver os seus lindos gatinhos, sou apixonada em gatos...Parabéns!..

Mário Pescador disse...

Desde criança conheço as propriedades nutricionais da Taioba. Segundo informações de um capitão nutricionista da cozinha das forças armadas em Brasília, o qual orientou minha querida mãe (que Deus a tenha) a preparar a Taioba refogada com ovos para combater a anemia; eu deveria ter +ou- 7 anos, hoje estou preparando o almoço, onde o prato principal é a Taioba refogada com ovos.

Greiciane Assis Cabral disse...

Parabéns pelo esclarecimento. Tenho taioba em casa. Conheço a planta desde pequena, da casa de avós e tias, e sempre gostei muito, ao contrário de outras crianças da minha época. Hoje sou adulta e continuo uma fã. A minha não cresce muito, pois não dá tempo. Assim que aparecem umas folhinhas, corro e como Rsrsrs.