A cozinha é o lugar mais reconfortante da casa porque nele encontramos alimento para o corpo e para a alma. Deixe a Natureza entrar na sua e esqueça os produtos feitos pela indústria alimentícia em geral, que não coloca amor nesse ato nem está preocupada com a saúde do seu organismo e o de sua família!

Esse é um dos segredos de manter o bem-estar - não entregue essa função vital a terceiros - ponha a mão na massa, deixe a preguiça de lado e estabeleça como prioridade fazer a comida que vai mantê-lo longe das doenças!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Pudim de pão com banana


Ingredientes

170 g de pão italiano cortado em cubos
1/2 k de banana nanica bem madura
1/4 xícara de açúcar mascavo
2 1/2 xícara de leite de arroz
3 claras de ovos (podem substituir pela linhaça triturada deixada de molho em água/3 CS)
1/2 cc essência de baunilha
1/4 cc de noz-moscada ralada
1/4 cc de sal marinho


Como fazer


Toste os cubos de pão durante uns 5 minutos.

Numa vasilha grande, passe as bananas num espremedor de batatas e junte o açúcar.

Adicione o leite, as claras batidas, a baunilha, a noz-moscada e o sal, misturando bem.

Ponha o pão tostado num prato de vidro refratário grande (20 cm) e derrame a mistura de banana sobre ele.

Asse por 35 minutos em forno médio préaquecido - até que fique fofo e encorpado.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Feng Shui na cozinha 2

O Deus da Cozinha: os Olhos e Ouvidos do Céu



Não é por acaso que o deus chinês encarregado de todas as questões relativas ao lar tenha como sede a COZINHA, o CORAÇÃO DA CASA.
Na verdade, o Deus Da Cozinha, em madeira ou papel, prefere ser pendurado acima do fogão - o ponto em que se origina o próprio ch'i da cozinha, além de constituir um excelente ponto de onde observar o que se passa ali.
Você pode comprá-lo em lojas que importam artigos chineses ou fazer uma cópia ampliada do desenho acima.

O Deus da Cozinha apresenta aos céus um relatório anual das boas ações e transgressões da família, sendo por isso uma boa idéia passar mel em seus lábios no Ano Novo, a fim de garantir que suas palavras sejam doces.

No interior da cozinha, o Feng Shui considera o fogão o lugar mais importante.
Símbolo da boa sorte, o fogão proporciona o fogo transformador.
Melhor colocá-lo numa parede SUL - lar do seu elemento, o FOGO - mas de maneira alguma coloque-o num canto morto, sem a luz e a ventilação que fazem o ch'i circular e tornam o ato de cozinhar agradável (CH'I = ENERGIA).

Como já dissemos, evite colocar o fogão perto da pia ou geladeira, pois haverá um conflito entre os elementos opostos do Fogo e da Água. Se for inevitável, coloque um objeto ou móvel de madeira entre os dois. Também já recomendamos que o cozinheiro não fique com as costas voltadas para a porta, evitando que seja surpreendido: UM COZINHEIRO NERVOSO PODE ARRUINAR A COMIDA E ASSIM, A HARMONIA DE TODA A CASA.
Se não puder evitar essa posição, pendure uma espelho ou uma frigideira acima do fogão para permitir a vigilância. Esse reflexo também duplica simbolicamente a quantidade de alimento que está sendo cozida, o que conota riqueza e abundância.

O melhor fogão é o alimentado a gás, que produz um Fogo real, ao contrário do elétrico. Deve-se fazer um rodízio do uso dos queimadores para manter a boa sorte fluindo e evitar o uso excessivo de um só deles.

Naturalmente, estamos tratando aqui de símbolos e todos conhecemos a força deles.
Por isso, fiquei pensando como age um chinês crudívoro, que não usa um fogão e como ele faz o ch'i circular na sua cozinha - certamente deve usar muitos objetos, cores e outros elementos que simbolizem o Fogo para suprir a falta deste ao natural...


Torta de abóbora okaido

Essa é uma antiga receita macrô feita com a okaido (também chamada de abóbora japonesa) e para quem não conhece ou não identifica no mercado, aí vai a foto:


Feitas as apresentações, vamos à receita:

INGREDIENTES

1/2 quilo de abóbora okaido
1 cebola média
1 xícara de farinha de trigo integral fina
1 maçã
uma gema de ovo caipira
óleo vegetal
sal marinho
canela em pó
casca de uma laranja

COMO FAZER

Para o recheio:

Pique a cebola e refogue em uma colher de óleo vegetal.
Junte a abóbora picada e ferva, adicionando um pouco de água, até amolecê-la.
Salgue e passe numa peneira até obter uma consistência cremosa.


Para preparar a massa:


Misture a farinha integral, 3 colheres de sopa de óleo, 1/2 colher de chá de sal, uma colher de chá de canela e uma colher de chá de casca de laranja picada.
Junte uma pequena quantidade de água, formando uma massa macia.
Acomode-a numa forma, numa camada não muito espessa.

Encha a crosta com a abóbora e por cima, coloque a maçã cortada em cubos.
Polvilhe com canela.
Cubra a crosta com o restante da massa, pressionando as extremidades com um garfo e pincelando com a gema de ovo.

Corte em cruz pelo centro com uma faca.
Asse em forno médio até ficar crocante - aproximadamente 45 minutos.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Creme de inhame


Posted by Picasa


Um creme facílimo de fazer que inclui:

inhame cru
banana nanica madura
um pouquinho de água
sementes de trigo germinadas
coco ralado

Para 4 porções, coloque no liquidificador 6 inhames médios, duas bananas grandes, 3 colheres de sopa de sementes e a água (quantidade mínima, apenas para ajudar a desmanchar os sólidos).
Depois de pronto, coloque coco ralado por cima.

Nutrientes obtidos (além do delicioso sabor):

INHAME - sais minerais - cálcio, fósforo e ferro/vitaminas do Complexo B, principalmente B1 (Tiamina) e B5 (Niacina)

BANANA - sais minerais - ferro, magnésio, potássio e cálcio/vitaminas A, C, B1, B2 e B5

TRIGO GERMINADO - sais minerais - ferro/ vitaminas C, B1 e B2

COCO - vitaminas A, B1, B2, B5 e C

terça-feira, 7 de abril de 2009

Feng Shui na cozinha 1



Para os chineses, é impossível ser feliz sem saúde.
A cozinha está ligada à saúde física e financeira da família, é considerada uma área onde se pode gerar prosperidade e riqueza.
O alimento produzido e armazenado na cozinha simboliza saúde e abundância.

Está intimamente ligada à energia das plantas, a base da cadeia alimentar.
A cozinha não apenas fornece alimento, como também é usada para equilibrar as emoções e a saúde.

Para assentar os pensamentos e ter paz de espírito enquanto cozinha, coloque uma vasilha preta com água sobre um dos móveis da peça.

O fogão deve ficar longe da pia, para evitar conflitos entre a água e o fogo. Cozinhar de costas para a porta pode interferir na energia dos alimentos, principalmente se a cozinheira assustar-se com a chegada de alguém sem que ela perceba.

Colocar um sino-de-vento na porta da cozinha faz com que as energias positivas se espalhem para as restantes divisões da casa.

Uma fruteira cheia de peras representa boa sorte para toda a família. Podem ser usadas peras artificiais.

Devem-se evitar símbolos negativos em qualquer ambiente da casa, como armas expostas, facas penduradas na cozinha - objetos que simbolizem agressividade.

Quando colocados na cozinha, os aquários evocam boa alimentação e fartura.

Um saquinho vermelho, contendo uma moeda ou uma nota, colocado dentro de uma lata de arroz, atrai riqueza e fartura para o lar

Use um adesivo vermelho nos aparelhos elétricos, para neutralizar as energias das ondas eletromagnéticas.

Aproveite o verde das plantas para decorar a cozinha. Essa cor estimula o lado criativo, podendo estar presente em vasos e arranjos.

O narciso é a planta do rejuvenescimento. Um vaso desta planta significa renovação física para a família.

Hortelã e Café – Além de produzir um bom chá, a hortelã pode ser plantada num vaso e usada para dar claridade à mente e ao espírito. Um ramo de café, com os frutos vermelhos, protege e alegra o ambiente. Serve, também, de estímulo à paciência e melhora a aceitação da vida.

Alecrim e Salsa – É conhecido como o aroma do alecrim, a erva da felicidade e do amor, purifica o ambiente de energias pesadas. Um vaso com salsa atrai entusiasmo e vitalidade para o ambiente.

Filtros de água podem servir para representar energia e reflexão. A água é símbolo de expansão e de criatividade.

Canecas coloridas, com motivos infantis, em tons verde, laranja e amarelo ajudam a despertar a amabilidade e estimulam a criatividade.

Use um dos lados da geladeira para colocar fotos de amigos, de pessoas queridas e também cartões postais.

A cozinha não deve ser vista da entrada da casa, porque essa visão predispõe os moradores a comer demais.
Se isto acontece na sua casa, use alguma das alternativas abaixo:


* construir uma parede falsa (não estrutural) entre a entrada e a cozinha;

* colocar um biombo diante da entrada da cozinha;

* instalar uma mola na porta da cozinha para que ela se feche sozinha;

* jogar um foco de luz sobre uma pintura para que ele chame mais a atenção do que a vista da cozinha;

* por no chão uma passadeira que vá desde a entrada da casa até depois da porta da cozinha

quarta-feira, 18 de março de 2009

Simplicidade

Quanto mais o tempo passa, mais me convenço de que a simplicidade é a chave que abre todas as portas.
Simplicidade ao falar, ao agir, ao vestir-se, ao comer... enfim, ao viver.
Podemos complicar as coisas ao máximo, sem encontrar solução e num determinado momento, perceber que a resposta estava na forma simples de elaborar, bem à frente dos nossos narizes.
Hoje em dia, é comum chegarmos em casa, depois de um dia de correria estressante e não termos a menor vontade de cozinhar.
Então, para muitos a solução é a comida congelada, o miojo, o pacote de salgadinhos...

Apresento uma alternativa bem simples e bastante nutritiva, feita básicamente com elementos crus - apenas o pão é assado.
Dois elementos para ter na cozinha sempre: sementes germinadas (produção contínua que oferece alimento fresco diariamente) e pão árabe integral (boa fonte de carboidratos).
Os ingredientes do recheios podem variar e seguir o gosto do freguês, mas devemos priorizar os crus e evitar industrializados como maionese, mostarda, ketchup, molhos prontos etc.

Na sugestão mostrada, usei:

um tomate picadinho
um dente de alho grande fatiado finamente
sementes germinadas de girassol
orégano
azeite de oliva
shoyu











Simples e saudável: uma combinação a ser incluída no cardápio diário!

quarta-feira, 11 de março de 2009

É tão simples germinar sementes...

... uma brincadeira de criança e o resultado é alimento de qualidade superior!

Aprenda com a Ana Branco:

sábado, 7 de março de 2009

Multimistura

A nutróloga Clara Brandão, criadora da multimistura

Falamos em outros posts, sobre fontes de cálcio e ferro, a respeito do valor nutricional da multimistura, além de apresentar um texto mostrando sua exclusão de um programa do governo.

Agora nesse post, reproduzimos texto com a posição do CFN (Conselho Federal de Nutricionistas) sobre a multimistura, opinião partilhada pela Anvisa.
É uma questão polêmica, que parece estar bem além do valor da mistura em si...

CFN DEFINE POSIÇÃO SOBRE MULTIMISTURA
Multimistura: A Posição do CFN


Na década de 80, a partir de idéias e práticas preconizadas desde 1975, houve uma ampla difusão da utilização de recursos alimentares não convencionais, como forma de melhorar e/ou recuperar o estado nutricional especialmente de gestantes, nutrizes e crianças de baixo peso.

Tratava-se do emprego de um composto de baixo custo, obtido a partir de alimentos mais comumente utilizados na nutrição animal, como os farelos, adicionado de folhas e sementes secas e trituradas, denominado "multimistura" (M.M).

Somente no início da década de 90, houve a mobilização da comunidade científica na tentativa de avaliar a verdadeira eficácia do produto, ocasião em que várias entidades governamentais da área de saúde, instituições de pesquisa e ensino superior, divulgaram resultados de pesquisas básicas e experimentais que demonstravam a fragilidade dos argumentos utilizados em favor de supostos benefícios à saúde humana. Tais estudos podem ser resumidos nos seguintes pontos:

o 1 - A "multimistura" é apenas uma farinha elaborada a partir de subprodutos alimentares que contem características químicas muito próximas, senão similares, a outros farelos e cereais, não possuindo qualquer atributo que lhe possa garantir a riqueza nutricional alegada por seus adeptos;

o 2 - A quantidade de "multimistura" utilizada na alimentação, é muito pequena e pouco contribui para a melhoria da qualidade nutricional da dieta, apesar do conteúdo nutricional de cada um de seus componentes. Além disso, a presença de fatores anti-nutricionais como o ácido fítico, encontrado nos farelos, e o ácido cianídrico, encontrado nas folhas de mandioca, prejudicam a biodisponibilidade de minerais como o zinco, o ferro, o magnésio e o cálcio presentes na dieta habitual;

o 3 - Os farelos de trigo e arroz podem ser considerados boas fontes de fibras alimentares, com grande capacidade de absorção de água, além de representar uma fonte importante de vitaminas E e do complexo B, mas um aumento de ingestão de fibras por pessoas que ingerem quantidades insuficientes de proteína pode reduzir o balanço de nitrogênio, prejudicando ainda mais o estado nutricional;

o 4 - Em relação a folha de mandioca e da semente de abóbora, a maioria das pesquisas ressalta os elevados conteúdos protéicos desses produtos, não mencionando o seu conteúdo de oligoelementos, que foi o principal motivo da disseminação dos mesmos na alimentação humana.

o 5 - No farelo de trigo e de arroz, o ácido fítico está presente em grande concentração constituindo um fator anti-nutricional que interfere na biodisponibilidade de minerais, tais como zinco, cálcio magnésio, e provavelmente ferro.

o 6 - Em relação ao pó da casca do ovo destaca-se que, embora seja um produto rico em cálcio, não há pesquisas conclusivas quanto a biodisponibilidade deste elemento. Sabe-se apenas que a forma de preparo e de ingestão do produto interfere negativamente na absorção do cálcio;

o 7 - A concentração do ácido cianídrico é mais elevada nas folhas da mandioca do que na raiz da mandioca e a forma de reduzir de maneira significativa o teor dessa substância envolve técnicas demoradas, que não condizem com a forma de preparo do pó preconizado atualmente, podendo ser prejudicial à saúde da população;

o 8 - Foi observado processo de rancificação em amostras do produto, em decorrência do seu conteúdo lipídico e da carga microbiana indesejável que se apresenta muitas vezes em níveis inaceitáveis para o consumo humano;

o 9 - Várias pesquisas experimentais com animais e crianças de baixo peso constataram que a utilização do produto não foi capaz de promover a recuperação do peso corporal dos usuários.
Em 1996, com base nessas conclusões, o CFN, ciente de seu compromisso com a saúde da sociedade, emitiu um parecer sobre os aspectos técnicos e éticos envolvidos na questão, que teve grande repercussão entre os nutricionistas e as entidades que utilizavam ou recomendavam a "multimistura" em seus programas de assistência alimentar e nutricional. Já naquela época, o posicionamento do CFN indicava "a necessidade de se intensificar as pesquisas e o controle de qualidade do produto".

Ao longo desses anos o assunto continuou gerando diversas polêmicas, tanto do ponto de vista nutricional, sanitário e microbiológico, quanto do preceito na segurança alimentar, provocando a mobilização de diversas instituições governamentais, entidades cientificas, instituições de ensino superior através dos seus departamentos e centros de pesquisas, com o objetivo de alertar as entidades governamentais sobre a necessidade de se posicionar-se em com relação ao tema, o que redundou na criação do Grupo AD HOC de Multimistura, com objetivo discutir o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade para a MM, cujos subsídios foram encaminhados ao MS.
O CFN esteve presente de forma marcante em todo esse processo.
Dentre as repercussões desse trabalho, a ANVISA publicou a Resolução nº 53, de 15 de junho de 2000 (DOU de 19/06/2000), que fixa a identidade e as características mínimas de qualidade para a "mistura à base de farelo de cereais", abrangendo sua composição obrigatória e opcional, dentre outros itens.

NOTA: Essa Resolução 53, de junho de 2000, já foi revogada.
A que está em vigor hoje é a Resolução RDC nº 263, de 22 de setembro de 2005.
A nova Resolução diz, entre outras coisas, o seguinte:

"A utilização de espécie vegetal, parte de vegetal ou de produto que não são usados tradicionalmente como alimento, pode ser autorizada desde que seja comprovada a segurança de uso, em atendimento ao Regulamento Técnico específico."

E também:

"7. REQUISITOS ADICIONAIS DE ROTULAGEM:

7.1. Misturas à Base de Farelos:

a) deve constar, obrigatoriamente, a seguinte advertência, em destaque e em negrito: "O Ministério da Saúde adverte: não existem evidências científicas de que este produto previna, trate ou cure doenças"; e

b) é vedada a indicação do produto para suprir deficiências nutricionais."
http://e-legis.anvisa.gov.br/leisref/public/showAct.php?id=18822&word=

Após essa breve retrospectiva, o CFN entende que ainda existem diversos aspectos a serem considerados:

o1º - A difusão de alternativas alimentares, como qualquer medida compensatória, assistencialista ou paternalista para aplacar a fome, tem caráter imediatista, portanto, sua recomendação não pode perder de vista a necessidade de inseri-lá no âmbito das políticas estruturais e ser tratada na totalidade social e econômica que a originou;

o 2º - É necessário estabelecer a diferença entre aproveitamento integral dos alimentos e outras práticas alimentares de caráter discriminatório. A primeira prevê utilização de brotos, folhas e talos de vegetais, os quais, através de técnicas culinárias adequadas, podem contribuir para melhorar o aporte vitamínico e mineral das refeições, coerente, portanto, com os princípios da alimentação saudável;

o 3º - Considera-se pertinente, oportuno e atual o conteúdo do Informe Técnico da UNICAMP, quando afirma que "o valor nutritivo de qualquer alimento não pode ser estabelecido unicamente com base na quantidade (dosagem química) de seus nutrientes, uma vez que sua qualidade nutricional é determinada por uma série de fatores como: equilíbrio entre seus contribuintes, as interações entre os diversos compostos da dieta, o estado fisiológico do indivíduo, as condições de processamento e de armazenagem e a ocorrência de fatores anti-nutricionais";

o 4º - O declínio dos índices de desnutrição e mortalidade infantil que ocorreu no Brasil nas últimas duas décadas, deve ser creditado à melhoria das condições de saneamento básico, à ampliação do acesso da população às ações básicas de saúde, com destaque especial ao acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, controle das doenças diarréicas, vacinação, incentivo ao aleitamento materno, maior cobertura do atendimento pré-natal, e a efetividade de alguns programas sociais.

Diante disso, o Plenário do CFN conclui que, antes de qualquer ação pontual, é importante reforçar o cumprimento dos preceitos contidos na Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), o qual constitui uma estratégia adequada ao atendimento das necessidades alimentares e nutricionais da população brasileira, atendendo a amplitude da Segurança Alimentar e Nutricional.

Diante do exposto, orientamos os profissionais para a observância do código de ética, capítulo I, artigos 1º, 2º e 3º, não devendo a multimistura ser prescrita, nem recomendada pelo nutricionista.

http://www.cfn.org.br/novosite/conteudo.aspx?IDMenu=61


Em 2006, após a leitura desse parecer, mostrei-o à Cida Miranda (Instrutora de Alimentação Enriquecida), em sua comunidade no orkut, Alimentação Enriquecida, a fim de obter seu posicionamento:

A multi-mistura nada mais é do que um complemento alimentar. Enquanto a comunidade científica debate sobre seus efeitos benéficos ou colaterais, pessoas preocupadas com a comunidade como a Doutora Clara Brandão tomam a iniciativa e criam alternativas para os que sofrem com a desnutrição e a pobreza neste país.

"A nutróloga Clara Brandão, Coordenadora de Orientação Alimentar da Secretaria de Políticas de Saúde do Ministério da Saúde, trabalha há 30 anos na busca de uma infância brasileira menos desnutrida e subnutrida. Inventora da multimistura – uma farinha composta por farelo de arroz, pó de folhas verdes, de sementes e casca de ovo –, Clara é responsável pela recuperação de inúmeras crianças de todas as regiões do país." (do site http://www.responsabilidadesocial.com/)

No texto que você nos mostrou é mencionada a Resolução nº 53 da Anvisa (já informamos que essa resolução foi substituída por uma mais recente). Esta resolução subdivide os vários tipos de produtos alimentares em grupos e famílias. Com isso designou a Família 27 como sendo a família dos Cereais, Sementes e Seus Derivados e a Família 30 a das Folhas, Caules, Raízes, Temperos e Seus Derivados. Mas em momento algum se refere à não utilização destes produtos.

O Código de Ética do Nutricionista, também citado pelo texto acima, diz o seguinte:

“CÓDIGO DE ÉTICA DO NUTRICIONISTA
CAPÍTULO I
DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
Art. 1°. O nutricionista é profissional de saúde, que, atendendo aos princípios da ciência da Nutrição, tem como função contribuir para a saúde dos indivíduos e da coletividade.
Art. 2°. Ao nutricionista cabe a produção do conhecimento sobre a Alimentação e a Nutrição nas diversas áreas de atuação profissional, buscando continuamente o aperfeiçoamento técnico-científico, pautando-se nos princípios éticos que regem a prática científica e a profissão.
Art. 3°. O nutricionista tem o compromisso de conhecer e pautar a sua atuação nos princípios da bioética, nos princípios universais dos direitos humanos, na Constituição do Brasil e nos preceitos éticos contidos neste Código.”

Não creio que haja neste código alguma menção sobre a não utilização da multi-mistura.

Segue a entrevista concedida pela Drª Clara Brandão ao site responsabilidadesocial.com:

1) Responsabilidade Social – A senhora pode falar sobre como surgiu a idéia da Multimistura e um pouco da história de como foi implementada no país?

Clara Brandão – Em 1974, fui morar no Pará e no primeiro dia no ambulatório levei um susto: todas as crianças estavam desnutridas. “É sempre assim”, justificou uma enfermeira que trabalhava no lugar. Parti para um levantamento do número de crianças desnutridas naquele município, com 100 mil habitantes, e constatei que na área urbana 77,7% das crianças com menos de 5 anos sofriam de desnutrição. Os casos de desnutrição grave e moderada chegavam a 33% e, na época, não existia nenhum programa de suplementação alimentar. A partir desses números, com o apoio do voluntariado da LBA, montamos 13 creches, com um total de 390 crianças desnutridas, numa tentativa de reverter esta situação. Ainda assim, a verba para alimentação era muito pequena e as crianças continuavam a sofrer com a doença, cujo principal sintoma era a diarréia. Fiquei muito preocupada, pensei em fechar o local, pois vi que estava ajudando pouco e expondo as crianças a um risco maior de contaminação, dada a quantidade de diarréia na creche. A situação era desesperadora quando fui visitar uma plantação de pimenta-do-reino e vi um pozinho no pé da pimenteira e perguntei o que era aquilo. “Isso aqui é farelo de arroz que ninguém usa. É bom para a planta crescer e se fortalecer”, disseram. Fui pesquisar na tabela de composição de alimentos e vi que era uma grande fonte de minerais e vitaminas. Como se tratava de um produto inofensivo, mas muito rico nutricionalmente, testei o farelo num almoço com minha família e todos aprovaram o sabor. Comecei a usar nas refeições da creche e, em três dias, acabaram os casos de diarréia. Depois de um mês, as crianças estavam tão diferentes... Pareciam flores desabrochando.
Tudo começou assim.

2) RS – Quais as principais vantagens da multimistura?

CB – Hoje a multimistura é composta dos seguintes alimentos: farelo de arroz e/ou trigo, pó de folhas verdes (principalmente da mandioca, batata-doce ou abóbora, etc.), pó de sementes (gergelim, linhaça, semente de abóbora, melancia, melão ou girassol, etc.) e pó de casca de ovo. É um poderoso concentrado de minerais e vitaminas. Toda a metabolização de carboidratos, proteínas e gorduras depende de minerais e vitaminas para serem aproveitados pelo organismo. Com a multimistura, portanto, é possível maximizar o alimento disponível para a nutrição do corpo. A mudança acontece em questão de dias. Quanto mais grave a desnutrição e menor a faixa etária das crianças, melhor é a resposta ao tratamento com a multimistura. Posso dizer que numa média de três a quatro meses, a criança sai, totalmente, do estado de desnutrição. O melhor é que todos os componentes da multimistura estão disponíveis em qualquer lugar no mundo. A população sempre utiliza o que tem no local, basta aprender a técnica de sua preparação. Além disso, não custa caro implementar o programa. Só é preciso que algum técnico vá até o local pra formar multiplicadores e leve, com ele, o mínimo de material instrucional.

3) RS – Como a idéia se disseminou?

CB – Comecei a apresentar os resultados em congressos, simpósios. A Unicef levou muita gente para conhecer o projeto, inclusive o próprio representante da entidade no Brasil. Em 1983, enviamos duas pessoas do nosso projeto para oferecer treinamento à Pastoral da Criança, que estava começando a surgir. A Pastoral incorporou a idéia e, ao longo dos anos, conforme foi se expandindo por todo o país, a idéia foi indo junto. Praticamente todas as 20 mil comunidades atendidas pela Pastoral atualmente têm a multimistura. Várias outras Organizações Não-Governamentais, diversos municípios e estados adotaram a técnica, que também está presente em 12 países, como Estados Unidos, Angola, Moçambique, Timor Leste. Hoje é domínio público: aonde você vai tem gente usando farelo, as sementes, as folhas verdes e a casquinha de ovo. Belo Horizonte, por exemplo, está há nove anos usando a multimistura, consumindo uma média de mais de 340 toneladas.

4) RS – Na sua opinião, quais providências de maior emergência devem ser tomadas para solucionar a questão da fome, da subnutrição e desnutrição no país?

CB – Nutrição precisa ser trabalhada de duas principais maneiras. A primeira deve considerar a importância de prevenir o que chamamos de ‘origem fetal das doenças crônico-degenerativas’. A criança que nasce desnutrida, além de sofrer com todos os problemas comuns à desnutrição, tem maiores chances de ser diabética, hipertensa e ter doenças do coração na vida adulta. É preciso criar hábitos saudáveis, e não apenas encher a barriga do povo. É preciso fazer com que o povo aprenda a comer melhor dentro daquilo que pode e tem disponível – os elementos da multimistura, por exemplo, estão presentes em todos os cantos do país e são extremamente baratos. A segunda maneira deve considerar a existência dos ‘alimentos nutracêuticos funcionais’ ou alimentos inteligentes. São aqueles que podem não apenas manter a sua saúde, mas também previnem, retardam e curam doenças. Um exemplo: o ácido fólico pode evitar a ocorrência de fissura palatina. Imagine se esse elemento passasse a enriquecer a merenda escolar que é servida nas escolas – o Exército doa 300 mil refeições e o governo paga outras 40 milhões. Seria uma mudança significativa. Se nesse contingente fosse trabalhada a questão de se alimentar bem, a transformação seria incrível. Achocolatado, pão, açúcar – além de não serem saudáveis, custam caro. O leite líquido em crianças pequenas provoca microhemorragia intestinal e, por conseqüência, anemia. Se esses alimentos fossem substituídos por outros mais saudáveis e com base nos produtos que temos disponíveis, as crianças seriam mais saudáveis e o governo poderia aumentar a abrangência do programa,
dada a economia que faria. Outro exemplo, um levantamento feito em outubro de 2002, mostrava que no café da manhã daquele mês gastava-se 35% do salário mínimo para alimentar seis pessoas com um pão com margarina e uma xícara de café-com-leite. Se fizesse um café da manhã com cuscuz ou polenta e apenas uma xícara de café, gastaria-se apenas 10% do salário mínimo. Hoje, se 10% da farinha de trigo consumida no país fosse trocada por polvilho de mandioca, seria feita uma economia de R$ 20 milhões em importação de trigo. Além disso, seriam gerados quase 80 mil empregos no campo em um ano. Eu pergunto: por que as pessoas comem tudo à base de trigo e leite quando há tanta alergia a essas substâncias? O governo deveria estimular as pessoas a usarem o que o país produz. Por que comer bolo de trigo sempre e não bolo de mandioca? Ou mandioca frita ao invés de batata frita? Com tais informações, os brasileiros fariam isso e economizariam muito, além de estarem se alimentando muito melhor.

5) RS – O que a senhora entende por Responsabilidade Social?

CB – Creio que, individualmente, todos têm que fazer sua parte – isso é responsabilidade social. O governo tem que dar instrumentos aos voluntários para executar o voluntariado. Se cada um de nós não tomar uma atitude, pode estar fazer mal para o mundo inteiro. As atitudes boas também ecoam da mesma maneira, só que beneficamente. Por isso a importância de estar bem informado, para tomar a atitude certa.


Quem tiver interesse em aprofundar-se no assunto, há muitos outros textos, entre eles:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-59702002000100007&script=sci_arttext

domingo, 1 de março de 2009

Plantando a sua comida

O vídeo que segue é indicação de um amigo de longa data, Jivan, que conheci no orkut e com o qual troquei muitas informações (aliás, ainda trocamos...):


sábado, 28 de fevereiro de 2009

Medicina tradicional indiana ayurveda usa mais de 500 ervas



A medicina indiana ayurveda usa, na verdade, não apenas ervas, mas também especiarias e até frutos para a cura.
Sejamos gratos à Natureza que nos oferece essa diversidade!