A cozinha é o lugar mais reconfortante da casa porque nele encontramos alimento para o corpo e para a alma. Deixe a Natureza entrar na sua e esqueça os produtos feitos pela indústria alimentícia em geral, que não coloca amor nesse ato nem está preocupada com a saúde do seu organismo e o de sua família!

Esse é um dos segredos de manter o bem-estar - não entregue essa função vital a terceiros - ponha a mão na massa, deixe a preguiça de lado e estabeleça como prioridade fazer a comida que vai mantê-lo longe das doenças!
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terça-feira, 16 de julho de 2024

Sábado de inverno


Sem ânimo pra ir à Feira, muito frio e umidade.
Vou de black coffee e uma pizza de tofu que comprei ontem.
E maratonando SUPERNATURAL, lá do início, que tinha as melhores temporadas e colecionando as várias citações de filmes de terror que eles fazem nos episódios.
Essa, por exemplo: "Muito trabalho e pouco lazer faz o Jack emburrecer." Quem lembra de que filme é?
Aliás, recentemente o revi, continua impecável. Fizeram uma "continuação" bem capenga, mas dá pra engolir.


 

domingo, 20 de agosto de 2023

ARROZ COM FEIJÃO







Quando criança, o arroz com feijão era meu prato preferido. 

Cresci e continuei amando essa combinação, que é considerada perfeita: os dois unidos fornecem diversos nutrientes (vitaminas do complexo B, ferro, fósforo, magnésio e manganês) e se complementam como AMINOÁCIDOS, que são as unidades formadoras das PROTEÍNAS. No caso de consumirmos o arroz com feijão, eles unidos formam uma PROTEÍNA DE ALTA QUALIDADE, ou seja, os aminoácidos que faltam em um, encontramos nos outros. 

Falei do VALOR NUTRICIONAL DA DUPLA, agora vamos conversar sobre SABOR! Vamos combinar que ARROZ+FEIJÃO é uma soma deliciosa! E de grande valia para quem não consome proteína de origem animal.  

Qualquer LEGUMINOSA/FEIJÃO  deve ficar 8 horas de molho em água fria; se puder deixar por 24 horas, ou até 48 (trocando a água de 8 em 8 horas), ajuda muito a digestão, principalmente a de quem possui problemas para digerir esses grãos, por exemplo, criando muitos gases. A boa notícia é que aprendi outra dica essencial para cozinhar feijões e ter uma digestão tranquila. 

Primeiro passo: deixá-los de molho, como dito acima, 

Tenha CÚRCUMA e COMINHO EM PÓ a mão para temperar, 

Após enxaguar bem os feijões que saíram do molho, prepare em uma panela o seguinte: coloque um pouco de azeite de oliva ou óleo de coco e refogue os temperos levemente. Adicione os grãos e refogue mais um pouco, mexendo sempre com uma colher e com a chama do fogo baixa. Então junte o LOURO (uma ou duas folhas), água já fervida e siga o cozimento normal, em panela de pressão, inox ou de ferro. O sal é adicionado na finalização. 

As imagens mostram o feijão que usei, o AZUKI, miudinho e muito benéfico para os rins. 

Agora vamos aos créditos: essa é uma receita Ayurvédica e aprendi a fazê-la seguindo o instagram @saudeelementar, que tem ótimas dicas e ensinamentos dessa ciência milenar, a Ayurveda. Outra página que trata desse assunto, que também sigo e recomendo é @danielapetrela. Penso que utilizar conhecimentos variados no seu estilo de viver (onde a alimentação é apenas um dos pontos) é a melhor alternativa na busca de resultados satisfatórios para nosso bem-estar. Só não abandono a resolução de não consumir animais, essa é uma decisão que tomei há uns 40 anos e não pretendo abandonar. No mais, se for para aprimorar, não me nego a transformar e acrescentar novas formas de manter a saúde. 

Usei o ARROZ CATETO INTEGRAL, que fica bem macio e cremoso ao ser cozido com bastante água. Essa cremosidade me levou a pegar uma parte dele e fazer um pouco de arroz doce, acrescentando leite de amêndoas, 2 cravos e açúcar mascavo, cozinhando um pouquinho mais nessa mistura e adicionando canela em pó na finalização. Lembrei da minha infância, era uma das sobremesas que minha mãe costumava fazer. E cozinhei esse arroz sem sal, quando fui consumi-lo salpiquei muito GERSAL nele. 

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Comida saudável e prática

Fazer uma refeição que seja saudável e de forma prática não é um bicho de 7 cabeças.

Nas imagens, vemos um prato único que contém uma quantidade suficiente de nutrientes para uma refeição: tofu (proteína), cebola (vitaminas B1 e B2), cenoura (vitaminas A e C), azeite de oliva (gordura), shoyu (proteína da soja fermentada), manjericão (vitaminas A, B, C, E e K), salsa (vitamina C), gersal (gergelim - que tem muito cálcio + sal) e espaguete de farinha integral (carboidrato). Se desejar, substitua a massa por arroz.

Como fazer?

Na água fervente com sal marinho, cozinhe o espaguete.

Em uma frigideira grande, coloque azeite de oliva e doure a cebola,  Adicione a cenoura cortada em tirinhas e refogue, o suficiente para deixá-la crocante.  Junte o tofu, também cortado em palitos e siga refogando. Ponha meia xicara de água, abafe com a tampa e cozinhe uns 5 minutos. Aí é a hora de colocar o shoyu, que não deve ser fervido pois é um alimento vivo (falo aqui do produzido pela Família Hattori, que é feito com soja não-transgênica e sem aditivos/conservantes).

Escorra bem o espaguete e coloque uma porção no prato.

Sobre ele, o refogado. E complete com a salsa e o manjericão picadinhos, mais uma boa porção de gersal e um fio de azeite de oliva.

Quer saber a quantidade de ingredientes para duas pessoas?

1 cebola média

6 cenouras médias

250 g de tofu

meio pacote de espaguete 

Os temperos, à vontade. Só não exagere no shoyu pois salga bastante.

SUGESTÃO 

Podem substituir a cenoura por brócolis, ou usar ambos. Ou couve-flor, milho, vagem, cogumelos. Esses vegetais substitutos devem ser cozidos no vapor antes de entrarem no refogado (menos os cogumelos). E como já citei acima, trocar o espaguete por arroz. O que não muda é o tofu e os temperos.







terça-feira, 5 de novembro de 2019

Bolo Salgado




Ingredientes

3 xícaras de farinha de trigo (uma da branca e duas da integral fina)
1 CS de cúrcuma em pó
1 cc de sal com ervas e pimenta moída a gosto
1/4 xícara de óleo
uma xícara de água (talvez use um pouco mais)
1 CS de fermento caseiro
2 CS de gel de linhaça (substitui 2 ovos)
azeite de oliva

Recheio: ele pode ser variado e com os itens de sua preferência, picados finamente não devem ultrapassar a medida de duas xícaras de chá. Nesse bolo, usei alho, cebolinha, tomate seco, azeitonas pretas, milho e ervilha.

Como fazer

Bem antes de iniciar o preparo, faça o gel de linhaça, colocando uma colher de sopa cheia de sementes em meia xícara de água e aguarde. Quando estiver pronto, coe e use duas CS dele. Se sobrar, utilize para outros fins, como misturar em um suco de frutas, mas faça isso logo.

Prepare o recheio, picando tudo miudinho e adicionando um pouco de azeite de oliva.

Já falei várias vezes aqui sobre o "fermento caseiro", sem alumínio, facílimo de fazer, basta unir cremor tártaro e bicarbonato de sódio. Duas porções de cremor para um do bicarbonato, faça até atingir o volume de uma colher de sopa. Se quiser faça maior quantidade e guarde em vidro bem fechado. Prefiro fazer sempre na hora do consumo.

Vamos então juntar todos os ingredientes.

Numa vasilha grande, misture as farinhas, devidamente peneiradas, a cúrcuma, o sal com ervas, a pimenta moída e o fermento.

Adicione o recheio e vá misturando tudo até conseguir uma massa coesa.

Adicione a água e o óleo, alternadamente, não coloque tudo de uma vez só, use a xícara de água e, se necessário, um pouco mais. A massa não deve ficar mole como a de bolos doces, mas bem encorpada, consistente e firme.

Por último, adicione o gel de linhaça.

Coloque a massa em assadeira untada e enfarinhada e asse por uns 45 minutos, é o tempo que leva no meu forno pra ficar bem dourada, mas já sabemos que cada forno funciona de forma diferente, pode ser necessário um pouco menos ou mais de tempo no seu.
Após 30 minutos da massa no forno, ele pode ser aberto para testarmos com o palito, nunca abra antes disso. Eu espero os 45 minutos e sempre está perfeito, nem testo mais, só de olhar já sei que está nos trinques.

Dá pra comer puro, com molho, com uma pasta ou até acompanhando uma sopa.


sábado, 26 de outubro de 2019

Hambúrguer de feijão azuki






Ingredientes

2 xícaras de feijão azuki cozido
uma cebola média
azeite de oliva
sal de ervas, páprica picante e fumaça líquida
farinha de mandioca suficiente pra dar liga
uma mão cheia de cebolinha verde picada

Como fazer

Refogar a cebola no azeite de oliva.

Temperar o feijão com o sal, a páprica picante e a fumaça líquida.
Pra quem não sabe o que é essa fumaça, ela deixa os alimentos com sabor defumado, basta pingar algumas gotas ou jatos do spray no ingrediente antes do cozimento.

Depois de refogar bem o feijão, retirar do fogo, deixar esfriar um pouco, juntar a cebolinha picada e ir adicionando a farinha de mandioca até que a massa fique coesa, perfeita para modelar os hambúrgueres. Dá pra fazê-os fofinhos ou mais espraiados.

Fritar em pouco óleo dos dois lados, só para deixar crocante.

Pra acompanhar, fiz um macarrão integral com tomate seco e azeitonas pretas.
A combinação ficou incrivelmente saborosa e perfeita - modéstia à parte!





Hambúrguer de feijão preto


Essa imagem é da página Cozinha Natureba lá no face, já temos aqui a receita do hambúrguer com feijão branco, é só substituir pelo feijão preto para termos o burger da foto.
E logo posto o hambúrguer que fiz usando o feijão azuki.
Alternativas vegetais para hambúrgueres - temos, sim!

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Bolinhas de aipim

















Receita facílima de fazer, cruelty free. Podemos usar outros tubérculos, como batata inglesa e batata doce, mandioquinha, inhame, cará, o segredo é não cozinhá-los demais para não ter que adicionar farinha às bolinhas.

Cozinhar 1 quilo de aipim com sal, não deixar macio demais, que fique numa consistência firme. Faça isso na véspera e reserve. Já prepare também o gel de linhaça, colocando as sementes de molho, ele irá substituir os ovos para fornecer a liga.

Coloque o aipim no processador até produzir uma massa homogênea. Passe para uma vasilha grande, use seus temperos favoritos (coloquei orégano, salsa picadinha e cúrcuma, para dar o tom amarelado) e junte aproximadamente 3 CS do gel de linhaça, misturando bem. Adicione leite vegetal (usei o de arroz) aos poucos, para encorpar mais a massa. Se desejar, adicione também "queijo vegano" ralado. A massa não pode ficar muito mole, isso acontecerá se cozinhar demais os tubérculos ou se exagerar na quantidade do líquido.

Passe azeite de oliva nas mãos e vá fazendo as bolinhas, colocando-as numa forma grande, forno pré-aquecido a 200º, retire quando ficarem douradas. Servem para um lanche, como aperitivo ou pra comer assistindo a um filme de suspense, que foi o que fiz! :)

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Pão de queijo sem queijo

Quase todo mundo que abandona o consumo de laticínios, sente falta de algum prato feito com eles, como o pão de queijo, por exemplo.
É uma tentação: fofinho, quentinho, fumegante e saboroso...
Algumas receitas de "pão de queijo sem queijo" dão um resultado bem satisfatório e muito próximo ao original: o sabor fica parecido, a textura e a aparência ficam iguais, como provam estas imagens.


Quando bate a vontade de saborear um pãozinho de queijo, faço essa receita, e o desejo vai embora, deixando a satisfação de tê-lo realizado - com prazer e sem laticínios.

"Pão de queijo" com mandioquinha e polvilhos

 Ingredientes (a medida da xícara é de 250 ml)

duas xícaras de polvilho doce
1/2 xícara de polvilho azedo
uma xícara e 1/2 de mandioquinha cozida e esmagada
1/3 de xícara de óleo vegetal
1/4 de xícara de água morna
sal a gosto
temperos a gosto, se desejar fazer uma parte da massa com outro sabor

Como fazer

Cozinhar a mandioquinha até ficar bem mole, amassar com um garfo
para que vire um purê.
Assim que ficar morno, adicione todos os outros ingredientes.
Coloquei nessa ordem, sobre o purê de mandioquinha: os polvilhos,
o sal, o óleo e a água.
Misturar com as mãos, criando uma massa homogênea.

















Divida essa massa ao meio, se quiser fazer diferentes sabores de pão.



















Coloquei numa das metades: cúrcuma, páprica, mangerona, salsa, alho e manjericão (as duas primeiras em pó, os demais bem picadinhos).


















Enquanto o forno aquece, faça as bolinhas e coloque numa assadeira, levemente untada.
Fiz 40 bolinhas de tamanho pequeno.
Pela lógica, deve render 20 pãezinhos de tamanho médio.

Assar por aproximadamente 45 minutos, em forno médio.
Eles ficam no ponto quando apresentam a casquinha crocante e a característica rachadura na superfície.

sábado, 6 de outubro de 2012

Hambúrguer de quinoa e a Dra. T. Bones Brennam

A quinoa (ou quinua) é um pseudo cereal que contém muita proteína, ideal para fazer parte de dietas vegetarianas: Quinua (Chenopodium quinoa)

Quem já me conhece bem, sabe que sou fã de séries televisivas e umas das minhas preferidas é Bones, onde a Dra. Temperance "Bones" Brennan investiga casos de assassinatos analisando ossos (a personagem é inspirada na vida da médica legista Kathy Reichs). A doutora Bones é casada com o agente do FBI Seeley Joseph Booth e eles, apesar de terem personalidades muito distintas, buscam atenuar suas diferenças e chegar a um consenso.

Bones é vegetariana. Booth, não é.
Nesse interessante diálogo entre os dois, ele fica conhecendo a quinoa, sendo apresentada pela esposa. Amei o interesse dele e a disposição de aceitar uma novidade na sua alimentação!


 


Aqui vai uma receita de hambúrguer de quinoa (Receitas GNT), para a Bones e o Booth e todos os leitores do blog:

Ingredientes

½ xícara de quinoa
½ cenora ralada
1 abobrinha verde ralada (só a casca)
½ xícara de brócolis
1 cebola picada
1 colher de amido de arroz ou milho
1 colher de óleo de coco

Modo de fazer

Cozinhe a quinoa em dois copos de água. Reserve. Doure bem a cebola no óleo de coco e coloque todos os legumes. Mexa deixando-os al dente.

Coloque a quinoa já cozida, acrescente o amido (se necessário, um pouco de água) mexendo sempre até criar liga. Espere esfriar e faça hambúrgueres do tamanho de um pires de xícara de café.

Grelhe em uma frigideira untada de óleo.Sirva com molho de tomate.

Foto ilustrativa: Getty Images

terça-feira, 8 de maio de 2012

Caldo de legumes

Maravilhoso e saudável caldo de legumes, preparação ensinada nesse excelente vídeo, pelo chef André Cantú, do restaurante vegano Broto de Primavera (São Paulo).

Quem disse que só a Knorr e a Maggi sabem fazer cubinhos de caldo de legumes? hahahahaha Sai pra lá, cubinho com glutamato monossódico!

Receita hiper natureba, fiquei apaixonada e vou fazer, logo após ir na feira desse sábado, comprar todos o ingredientes, orgânicos, certamente!

Fiquei fã do chef, parabéns a ele!

 

quarta-feira, 21 de março de 2012

O Verdadeiro Frango Falso

Um vegano criou carne de frango sem frango (é claro!), com ingredientes vegetais, entre eles, a soja, obviamente... mas é uma opção, para consumir ocasionalmente e ela poderá salvar muitas galinhas da morte! E é bastante convidativa para vegetarianos que acabaram de fazer a transição e sentem falta da textura da carne...
O produto ainda não foi lançado no mercado, mas em breve, teremos acesso a ele, já que vivemos numa aldeia global.

Assistam ao vídeo:

<a href="http://video.msn.com?vid=12fbcf32-b8c8-5c8d-860b-a850cc9135f9&amp;mkt=pt-br&amp;from=pt-br&amp;src=FLPl:embed::uuids" target="_new" title="O Verdadeiro Frango Falso">Vídeo: O Verdadeiro Frango Falso</a>

domingo, 22 de janeiro de 2012

Churrasco vegetariano do Anonymus Gourmet


Pra quem não conhece, esse é um programa de culinária muito famoso aqui no RS, assistido por milhares de pessoas. Por isso, acho que é mais uma conquista vegetariana o fato desse churrasco ter sido apresentado no Anonymus - mais uma brecha para mostrar o estilo de vida vegetariano!

A propósito, a receita dos pãezinhos não é vegana, pois usaram manteiga - mas dá para substituir perfeitamente por azeite de oliva, fica uma delícia e muito saudável! Por favor, não usem creme vegetal nem margarina...

Aqui estão os ingredientes, as receitas e as fotos do programa apresentado ontem, dia 21 de janeiro, às 8h30min, pela RBS TV.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Churrasco vegetariano na TV!

                                                                 Imagem do Vista-se

CHURRASCO VEGETARIANO É ATRAÇÃO NO "ANONYMUS"

O Anonymus Gourmet deste sábado (21/01/12) apresenta o Churrasco Vegetariano, um banquete saudável e saboroso.
O programa, que vai ao ar às 8h30min na RBS TV, mostra três pratos: espetinhos de legumes e frutas, pãezinhos assados recheados com alho e arroz à grega.
Tudo muito prático, inclusive para quem não tem churrasqueira.
(Publicado na edição de ZH de hoje)

Obaaaaa! Vamo engraxá os bigode de gordura vegetal!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Seitan/carne de glúten/passo a passo


O seitan não é difícil de fazer e usamos como ingredientes apenas a farinha de trigo branca e água (1 quilo de farinha necessita de 3 xícaras de água).

Para ficar mais fácil a compreensão da receita, sigam a postagem das fotos com as respectivas dicas. Depois de pronto, o seitan pode virar bife, guisado, assado, almôndega, enfim, pratos em que tradicionalmente usa-se a carne de animais; a textura e o aspecto ficam bem parecidos - já enganei muita gente oferecendo como carne e foi aceito como tal... rs

Sove a farinha de trigo com a água até construir uma massa consistente, macia e homogênea. Faça uma bola e coloque dentro de uma vasilha com água que cubra toda a superfície da massa (água morna/tépida).


Deixe de molho no mínimo 6 horas ou faça à noite para cozinhar pela manhã.

Após esse período de descanso, coloque a massa dentro de uma peneira com uma vasilha por baixo, para servir de apoio e vá lavando sob um fio de água da torneira. Esprema a massa delicadamente com as mãos para que o amido vá saindo.



Enquanto a água estiver branca, é necessário continuar lavando e modelando o seitan com as mãos, sob o jato de água da torneira.


A massa reduz bastante de tamanho mas seu volume aumenta quando for cozido na pressão, reidratando-se. A tonalidade final é meio amarelada e a consistência é parecida com a da borracha, bem elástica e macia.

Colocamos o seitan na pressão (pode ser numa panela comum, mas o cozimento irá demorar mais tempo, pois os temperos precisam entranhar bastante na massa) com 4 beterrabas médias, uma cebola média, folhas de louro, orégano, shoyu, pimenta e azeite de oliva. Na pressão, o seitan deve cozinhar 30 minutos (o dobro e mais um pouco para a panela sem pressão).


Após a panela esfriar, abrimos a mesma e... voilá! Está prontíssimo o seitan para ser usado em suas receitas - refogadinho na cebola e no shoyu fica uma delícia, vira estrogonofe, recheio para uma torta salgada, recheio de panquecas e pode ser cortado na forma que desejarmos: em fatias, em pedaços grandes para um assado, triturado num moedor para virar guisado, um burguer para o xis, enfim, use a imaginação, pois o seitan é como uma massa de modelar que se transforma em qualquer coisa em suas mãos!



quarta-feira, 21 de abril de 2010

Omelete sem ovos


Dizem que não é possível fazer uma omelete sem quebrar ovos!

Quando faço a omelete tradicional, com ovos caipiras, daqueles postos por uma galinha que não foi maltratada e ciscou no terreiro (mas atenção, tem que conhecer bem a procedência, não valem aquelas caixinhas do supermercado com o desenho de uma galinha sorridente... compro os meus numa feira ecológica e com certificação), prefiro usar mais claras do que gemas.
Mas, usualmente, faço omeletes sem quebrar ovos, o que pode ser um mistério para alguns (talvez para o autor da primeira frase). Naturalmente, o sabor não fica igual ao de uma omelete feita com ovos, já que esse é o principal ingrediente da receita.
A aparência e a textura ficam semelhantes, mas o sabor é diferente, pode lembrar o legítimo com um pouco de imaginação ou boa vontade... rs

Aqui vão duas receitas que já experimentei; como estou sem câmera para fotografar, ficam sem as devidas imagens, que ajudariam a mostrar o aspecto das omeletes veganas ou sem ovos:

OMELETE SEM OVOS 1

Ingredientes

100 g de tofu
1 CS de amido de milho
4 CS de farinha de trigo
2 CS de azeite de oliva
1/2 xícara de água
1 cc de fermento em pó
1/2 cebola média picada em tiras finas
1/2 cenoura picada em tiras finas
1/2 tomate sem semente picado em cubos pequenos
3 CS de milho verde cozido
salsinha e cebolinha picadas
sal marinho e pimenta a gosto
1 cc de cúrcuma

Como fazer

Coloque no liquidificador o tofu, o amido de milho, a farinha de trigo, uma colher de sopa de azeite de oliva, a cúrcuma e a água. Bata até obter um creme liso. Adicione o fermento em pó e sal a gosto. Bata e reserve.

Em uma frigideira, aqueça a outra colher de azeite de oliva e coloque a cebola com a cenoura, refogando até ficarem crocantes. Acrescente os tomates, tempere com sal e pimenta a gosto e misture bem.

Deixe cozinhar por um minuto e acrescente a salsa e a cebolinha.

Despeje o creme de tofu reservado sobre os vegetais refogados (antes de despejar, bata mais um pouquinho no liquidificador). Espere cozinhar por uns 2 minutos. Vire e deixe dourar do outro lado.

OMELETE SEM OVOS 2

Ingredientes

meia xícara de farinha de trigo
1 cc de sal marinho
1 cc de cúrcuma
1 batata média cozida e bem amassada
1 colher de sobremesa de levedura de cerveja
meia xícara de óleo vegetal ou água
vegetais picados e ervas a gosto

Como fazer

Numa vasilha, mexer a farinha, a cúrcuma, a levedura e o sal, misturando bem.
Juntar o óleo ou água e misturar até ficar com uma consistência idêntica a do ovo. Adicionar a batata amassada e mexer bem.

Aquecer um fio de azeite numa frigideira grande. Refogar os vegetais picados, colocar a mistura, salpicar as ervas e deixa dourar em fogo baixo.
Vire e deixe dourar o outro lado.

Particularmente, acho que essa omelete fica mais similar à "original", porque o sabor do tofu é muito saliente.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Gelatinas em pó têm muito açúcar e pouco colágeno

Algas, a opção saudávelTexto publicado na Folha de São Paulo, por Flávia Mantovani, edição de 03/03/09:

"Apesar de ser uma sobremesa muito consumida por crianças, a gelatina não deveria fazer parte da alimentação infantil. É o que afirma a Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) após avaliar 11 pós para preparo do produto sabor morango: quatro na versão tradicional, quatro na versão diet e três na versão zero.

Por conterem adoçantes, as versões sem açúcar já não eram recomendadas para crianças saudáveis. Mas o levantamento mostrou que mesmo as versões tradicionais não são indicadas.

Um dos problemas é que duas das marcas (Royal e Dr. Oetker) possuem adoçante mesmo nas versões tradicionais. Segundo a Pro Teste, a informação não tem o destaque necessário no rótulo. Nos dois casos, as embalagens trazem personagens ou promoções voltados para o público infantil.

"A quantidade de adoçante que cada um deve ingerir por dia é calculada com base no peso da pessoa. No caso da criança, é bem mais fácil atingir a dose máxima. Por isso, a não ser que ela seja diabética ou tenha acompanhamento de um especialista, não deve ingerir adoçantes", diz a nutricionista Manuela Dias, pesquisadora de alimentos da Pro Teste.

Outro problema detectado foi excesso de açúcar. A média nas versões tradicionais foi de 7,9 g por porção, que equivale a um copo, ou 120 g, de gelatina pronta. O valor ultrapassa até a quantidade que adultos devem consumir: no máximo 7,5 g em um lanche. Para crianças de um a três anos, o valor é de 3,9 g. O produto da Bretzke foi o mais açucarado: 10,9 g por porção.

A Pro Teste destaca outra questão que considera preocupante: todas as gelatinas tinham o corante artificial amarelo crepúsculo, que vem sendo relacionado à propensão à hiperatividade infantil. No Reino Unido, a substância é proibida.

As crianças são as mais vulneráveis aos corantes em geral, diz a nutricionista Edira Gonçalves, professora da UniRio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro). Segundo ela, o consumo excessivo pode debilitar o sistema imune, favorecendo doenças como gripes.

A nutricionista lembra que a gelatina é apenas um dos produtos ricos em corante no mercado. Ela orientou uma pesquisa, publicada em 2008 na revista "Ciência e Tecnologia de Alimentos", que avaliou o consumo de gelatina, refresco em pó e refrigerante por 150 crianças. Concluiu que esses alimentos são muito comuns na dieta infantil e introduzidos bem cedo: em relação à gelatina, até um ano de idade em 95% dos casos.

Pouco nutritiva

Se a presença de colágeno é o motivo para dar gelatina às crianças, Manuela Dias diz que não vale a pena. A quantidade encontrada não ultrapassou 2 g -apesar de não haver consenso, a Pro Teste diz que alguns estudos sugerem que seriam necessários 10 g diários para haver benefícios.

"Quem consumir com essa finalidade está se enganando. Uma pessoa saudável consegue repor o colágeno apenas com uma dieta normal, rica em proteínas."

Para Dias, a gelatina é "um pó de aditivos, corantes e edulcorantes", e os pais devem preferir alimentos mais saudáveis, como iogurte e frutas. "Como a gelatina é docinha e colorida, as crianças gostam. Mas é um alimento totalmente artificial, não tem nada de morango, por exemplo, só o aditivo."

Ela diz que não há problema na ingestão de gelatina por adultos -pode ser uma boa opção para quem quer emagrecer, por exemplo. "As pessoas só não devem pensar que estão ingerindo algo nutritivo."

Além das questões nutricionais, foram constatados problemas em rótulos, como falta de informação sobre a presença de sódio e falta da data de fabricação --o dado não é obrigatório, mas a Pro Teste recomenda. A associação defende que se crie uma norma para regular gelatinas que defina parâmetros como quantidade de açúcar e de colágeno."

Sugerimos, para crianças e adultos, o consumo de gelatina agar-agar (uma variedade de alga) - pode-se fazê-la da maneira simples, cozinhando o pó em água, deixando amornar e adicionando suco e pedaços de frutas de sua preferência.
A agar-agar também pode ser usada em musses e sorvetes, procure as receitas aqui no blog.


sábado, 18 de abril de 2009

Amaranto


"O amaranto, um dos vegetais mais importantes da América pré-colombiana, cujo consumo foi proibido pelos espanhóis por estar associado a práticas religiosas, começa a ser reabilitado por cientistas brasileiros com um nobre fim: pesquisas recentes mostram que, além de ser altamente nutritivo, o amaranto é um excelente redutor dos níveis de colesterol plasmático, que provoca o entupimento dos vasos sangüíneos." (Fonte: Revista Ciência Hoje)


"A humanidade consumiu mais de sete mil espécies vegetais em sua história. Mas, nos últimos cem anos, deixou de cultivar mais de três quartos, e depende de apenas três – milho, trigo e arroz – para atender quase 70% de suas necessidades calóricas, afirmam dados das Nações Unidas.
Muitos cultivos antigos, como o amaranto (do gênero Amaranthus) e a quinoa (Chenopodium quinoa), promissoras espécies latino-americanas, hoje são pouco exploradas diante da expansão de cereais como o arroz e o trigo.
Junto com essas culturas, também se perde conhecimentos a elas associados, empobrecendo a agricultura e a nutrição, afirmam especialistas.
O amaranto foi declarado “o melhor alimento de origem vegetal para consumo humano”, em 1979, pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, por suas proteínas e seus aminoácidos singulares e por não requerer cuidados especiais, muita água nem terra muito fértil.
Muito plantado por maias, astecas e incas, esteve esquecido até a década de 60, mas atualmente se limita a apenas dois mil hectares plantados." (Fonte: Envolverde)


Nutrientes:


fibras
vitaminas - A, B6, riboflavina (B2), folato (ácido fólico)
minerais - cálcio, ferro, magnesio, fósforo, potássio, zinco, cobre, e manganês

Salada de amaranto

Ingredientes

2 xícaras (chá) de amaranto em grãos

2 xícaras (chá) de água

2 dentes de alho (médios)

1/2 xícara (chá) de cebolinha (picada)

1/2 xícara (chá) de salsa ou coentro (picados)

1 colher (sopa) de suco de limão

3 colheres (sopa) de azeite de oliva


Como fazer


Deixe os grão de molho na véspera do consumo.
Lave-os bem, adicione água e coloque para cozinhar por cerca de 10 min.
Dez minutos após o início da fervura, desligue e espere esfriar.
Adicione os temperos, o suco de limão, o azeite, sal a gosto; misture bem e está pronta para servir.

Texto interessante sobre a quinoa e o amaranto, denominados pseudo-cereais:
http://foradomanual.blogspot.com/2009/04/filmes-biodegradaveis-de-quinoa.html

sábado, 7 de março de 2009

Multimistura

A nutróloga Clara Brandão, criadora da multimistura

Falamos em outros posts, sobre fontes de cálcio e ferro, a respeito do valor nutricional da multimistura, além de apresentar um texto mostrando sua exclusão de um programa do governo.

Agora nesse post, reproduzimos texto com a posição do CFN (Conselho Federal de Nutricionistas) sobre a multimistura, opinião partilhada pela Anvisa.
É uma questão polêmica, que parece estar bem além do valor da mistura em si...

CFN DEFINE POSIÇÃO SOBRE MULTIMISTURA
Multimistura: A Posição do CFN


Na década de 80, a partir de idéias e práticas preconizadas desde 1975, houve uma ampla difusão da utilização de recursos alimentares não convencionais, como forma de melhorar e/ou recuperar o estado nutricional especialmente de gestantes, nutrizes e crianças de baixo peso.

Tratava-se do emprego de um composto de baixo custo, obtido a partir de alimentos mais comumente utilizados na nutrição animal, como os farelos, adicionado de folhas e sementes secas e trituradas, denominado "multimistura" (M.M).

Somente no início da década de 90, houve a mobilização da comunidade científica na tentativa de avaliar a verdadeira eficácia do produto, ocasião em que várias entidades governamentais da área de saúde, instituições de pesquisa e ensino superior, divulgaram resultados de pesquisas básicas e experimentais que demonstravam a fragilidade dos argumentos utilizados em favor de supostos benefícios à saúde humana. Tais estudos podem ser resumidos nos seguintes pontos:

o 1 - A "multimistura" é apenas uma farinha elaborada a partir de subprodutos alimentares que contem características químicas muito próximas, senão similares, a outros farelos e cereais, não possuindo qualquer atributo que lhe possa garantir a riqueza nutricional alegada por seus adeptos;

o 2 - A quantidade de "multimistura" utilizada na alimentação, é muito pequena e pouco contribui para a melhoria da qualidade nutricional da dieta, apesar do conteúdo nutricional de cada um de seus componentes. Além disso, a presença de fatores anti-nutricionais como o ácido fítico, encontrado nos farelos, e o ácido cianídrico, encontrado nas folhas de mandioca, prejudicam a biodisponibilidade de minerais como o zinco, o ferro, o magnésio e o cálcio presentes na dieta habitual;

o 3 - Os farelos de trigo e arroz podem ser considerados boas fontes de fibras alimentares, com grande capacidade de absorção de água, além de representar uma fonte importante de vitaminas E e do complexo B, mas um aumento de ingestão de fibras por pessoas que ingerem quantidades insuficientes de proteína pode reduzir o balanço de nitrogênio, prejudicando ainda mais o estado nutricional;

o 4 - Em relação a folha de mandioca e da semente de abóbora, a maioria das pesquisas ressalta os elevados conteúdos protéicos desses produtos, não mencionando o seu conteúdo de oligoelementos, que foi o principal motivo da disseminação dos mesmos na alimentação humana.

o 5 - No farelo de trigo e de arroz, o ácido fítico está presente em grande concentração constituindo um fator anti-nutricional que interfere na biodisponibilidade de minerais, tais como zinco, cálcio magnésio, e provavelmente ferro.

o 6 - Em relação ao pó da casca do ovo destaca-se que, embora seja um produto rico em cálcio, não há pesquisas conclusivas quanto a biodisponibilidade deste elemento. Sabe-se apenas que a forma de preparo e de ingestão do produto interfere negativamente na absorção do cálcio;

o 7 - A concentração do ácido cianídrico é mais elevada nas folhas da mandioca do que na raiz da mandioca e a forma de reduzir de maneira significativa o teor dessa substância envolve técnicas demoradas, que não condizem com a forma de preparo do pó preconizado atualmente, podendo ser prejudicial à saúde da população;

o 8 - Foi observado processo de rancificação em amostras do produto, em decorrência do seu conteúdo lipídico e da carga microbiana indesejável que se apresenta muitas vezes em níveis inaceitáveis para o consumo humano;

o 9 - Várias pesquisas experimentais com animais e crianças de baixo peso constataram que a utilização do produto não foi capaz de promover a recuperação do peso corporal dos usuários.
Em 1996, com base nessas conclusões, o CFN, ciente de seu compromisso com a saúde da sociedade, emitiu um parecer sobre os aspectos técnicos e éticos envolvidos na questão, que teve grande repercussão entre os nutricionistas e as entidades que utilizavam ou recomendavam a "multimistura" em seus programas de assistência alimentar e nutricional. Já naquela época, o posicionamento do CFN indicava "a necessidade de se intensificar as pesquisas e o controle de qualidade do produto".

Ao longo desses anos o assunto continuou gerando diversas polêmicas, tanto do ponto de vista nutricional, sanitário e microbiológico, quanto do preceito na segurança alimentar, provocando a mobilização de diversas instituições governamentais, entidades cientificas, instituições de ensino superior através dos seus departamentos e centros de pesquisas, com o objetivo de alertar as entidades governamentais sobre a necessidade de se posicionar-se em com relação ao tema, o que redundou na criação do Grupo AD HOC de Multimistura, com objetivo discutir o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade para a MM, cujos subsídios foram encaminhados ao MS.
O CFN esteve presente de forma marcante em todo esse processo.
Dentre as repercussões desse trabalho, a ANVISA publicou a Resolução nº 53, de 15 de junho de 2000 (DOU de 19/06/2000), que fixa a identidade e as características mínimas de qualidade para a "mistura à base de farelo de cereais", abrangendo sua composição obrigatória e opcional, dentre outros itens.

NOTA: Essa Resolução 53, de junho de 2000, já foi revogada.
A que está em vigor hoje é a Resolução RDC nº 263, de 22 de setembro de 2005.
A nova Resolução diz, entre outras coisas, o seguinte:

"A utilização de espécie vegetal, parte de vegetal ou de produto que não são usados tradicionalmente como alimento, pode ser autorizada desde que seja comprovada a segurança de uso, em atendimento ao Regulamento Técnico específico."

E também:

"7. REQUISITOS ADICIONAIS DE ROTULAGEM:

7.1. Misturas à Base de Farelos:

a) deve constar, obrigatoriamente, a seguinte advertência, em destaque e em negrito: "O Ministério da Saúde adverte: não existem evidências científicas de que este produto previna, trate ou cure doenças"; e

b) é vedada a indicação do produto para suprir deficiências nutricionais."
http://e-legis.anvisa.gov.br/leisref/public/showAct.php?id=18822&word=

Após essa breve retrospectiva, o CFN entende que ainda existem diversos aspectos a serem considerados:

o1º - A difusão de alternativas alimentares, como qualquer medida compensatória, assistencialista ou paternalista para aplacar a fome, tem caráter imediatista, portanto, sua recomendação não pode perder de vista a necessidade de inseri-lá no âmbito das políticas estruturais e ser tratada na totalidade social e econômica que a originou;

o 2º - É necessário estabelecer a diferença entre aproveitamento integral dos alimentos e outras práticas alimentares de caráter discriminatório. A primeira prevê utilização de brotos, folhas e talos de vegetais, os quais, através de técnicas culinárias adequadas, podem contribuir para melhorar o aporte vitamínico e mineral das refeições, coerente, portanto, com os princípios da alimentação saudável;

o 3º - Considera-se pertinente, oportuno e atual o conteúdo do Informe Técnico da UNICAMP, quando afirma que "o valor nutritivo de qualquer alimento não pode ser estabelecido unicamente com base na quantidade (dosagem química) de seus nutrientes, uma vez que sua qualidade nutricional é determinada por uma série de fatores como: equilíbrio entre seus contribuintes, as interações entre os diversos compostos da dieta, o estado fisiológico do indivíduo, as condições de processamento e de armazenagem e a ocorrência de fatores anti-nutricionais";

o 4º - O declínio dos índices de desnutrição e mortalidade infantil que ocorreu no Brasil nas últimas duas décadas, deve ser creditado à melhoria das condições de saneamento básico, à ampliação do acesso da população às ações básicas de saúde, com destaque especial ao acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, controle das doenças diarréicas, vacinação, incentivo ao aleitamento materno, maior cobertura do atendimento pré-natal, e a efetividade de alguns programas sociais.

Diante disso, o Plenário do CFN conclui que, antes de qualquer ação pontual, é importante reforçar o cumprimento dos preceitos contidos na Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), o qual constitui uma estratégia adequada ao atendimento das necessidades alimentares e nutricionais da população brasileira, atendendo a amplitude da Segurança Alimentar e Nutricional.

Diante do exposto, orientamos os profissionais para a observância do código de ética, capítulo I, artigos 1º, 2º e 3º, não devendo a multimistura ser prescrita, nem recomendada pelo nutricionista.

http://www.cfn.org.br/novosite/conteudo.aspx?IDMenu=61


Em 2006, após a leitura desse parecer, mostrei-o à Cida Miranda (Instrutora de Alimentação Enriquecida), em sua comunidade no orkut, Alimentação Enriquecida, a fim de obter seu posicionamento:

A multi-mistura nada mais é do que um complemento alimentar. Enquanto a comunidade científica debate sobre seus efeitos benéficos ou colaterais, pessoas preocupadas com a comunidade como a Doutora Clara Brandão tomam a iniciativa e criam alternativas para os que sofrem com a desnutrição e a pobreza neste país.

"A nutróloga Clara Brandão, Coordenadora de Orientação Alimentar da Secretaria de Políticas de Saúde do Ministério da Saúde, trabalha há 30 anos na busca de uma infância brasileira menos desnutrida e subnutrida. Inventora da multimistura – uma farinha composta por farelo de arroz, pó de folhas verdes, de sementes e casca de ovo –, Clara é responsável pela recuperação de inúmeras crianças de todas as regiões do país." (do site http://www.responsabilidadesocial.com/)

No texto que você nos mostrou é mencionada a Resolução nº 53 da Anvisa (já informamos que essa resolução foi substituída por uma mais recente). Esta resolução subdivide os vários tipos de produtos alimentares em grupos e famílias. Com isso designou a Família 27 como sendo a família dos Cereais, Sementes e Seus Derivados e a Família 30 a das Folhas, Caules, Raízes, Temperos e Seus Derivados. Mas em momento algum se refere à não utilização destes produtos.

O Código de Ética do Nutricionista, também citado pelo texto acima, diz o seguinte:

“CÓDIGO DE ÉTICA DO NUTRICIONISTA
CAPÍTULO I
DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
Art. 1°. O nutricionista é profissional de saúde, que, atendendo aos princípios da ciência da Nutrição, tem como função contribuir para a saúde dos indivíduos e da coletividade.
Art. 2°. Ao nutricionista cabe a produção do conhecimento sobre a Alimentação e a Nutrição nas diversas áreas de atuação profissional, buscando continuamente o aperfeiçoamento técnico-científico, pautando-se nos princípios éticos que regem a prática científica e a profissão.
Art. 3°. O nutricionista tem o compromisso de conhecer e pautar a sua atuação nos princípios da bioética, nos princípios universais dos direitos humanos, na Constituição do Brasil e nos preceitos éticos contidos neste Código.”

Não creio que haja neste código alguma menção sobre a não utilização da multi-mistura.

Segue a entrevista concedida pela Drª Clara Brandão ao site responsabilidadesocial.com:

1) Responsabilidade Social – A senhora pode falar sobre como surgiu a idéia da Multimistura e um pouco da história de como foi implementada no país?

Clara Brandão – Em 1974, fui morar no Pará e no primeiro dia no ambulatório levei um susto: todas as crianças estavam desnutridas. “É sempre assim”, justificou uma enfermeira que trabalhava no lugar. Parti para um levantamento do número de crianças desnutridas naquele município, com 100 mil habitantes, e constatei que na área urbana 77,7% das crianças com menos de 5 anos sofriam de desnutrição. Os casos de desnutrição grave e moderada chegavam a 33% e, na época, não existia nenhum programa de suplementação alimentar. A partir desses números, com o apoio do voluntariado da LBA, montamos 13 creches, com um total de 390 crianças desnutridas, numa tentativa de reverter esta situação. Ainda assim, a verba para alimentação era muito pequena e as crianças continuavam a sofrer com a doença, cujo principal sintoma era a diarréia. Fiquei muito preocupada, pensei em fechar o local, pois vi que estava ajudando pouco e expondo as crianças a um risco maior de contaminação, dada a quantidade de diarréia na creche. A situação era desesperadora quando fui visitar uma plantação de pimenta-do-reino e vi um pozinho no pé da pimenteira e perguntei o que era aquilo. “Isso aqui é farelo de arroz que ninguém usa. É bom para a planta crescer e se fortalecer”, disseram. Fui pesquisar na tabela de composição de alimentos e vi que era uma grande fonte de minerais e vitaminas. Como se tratava de um produto inofensivo, mas muito rico nutricionalmente, testei o farelo num almoço com minha família e todos aprovaram o sabor. Comecei a usar nas refeições da creche e, em três dias, acabaram os casos de diarréia. Depois de um mês, as crianças estavam tão diferentes... Pareciam flores desabrochando.
Tudo começou assim.

2) RS – Quais as principais vantagens da multimistura?

CB – Hoje a multimistura é composta dos seguintes alimentos: farelo de arroz e/ou trigo, pó de folhas verdes (principalmente da mandioca, batata-doce ou abóbora, etc.), pó de sementes (gergelim, linhaça, semente de abóbora, melancia, melão ou girassol, etc.) e pó de casca de ovo. É um poderoso concentrado de minerais e vitaminas. Toda a metabolização de carboidratos, proteínas e gorduras depende de minerais e vitaminas para serem aproveitados pelo organismo. Com a multimistura, portanto, é possível maximizar o alimento disponível para a nutrição do corpo. A mudança acontece em questão de dias. Quanto mais grave a desnutrição e menor a faixa etária das crianças, melhor é a resposta ao tratamento com a multimistura. Posso dizer que numa média de três a quatro meses, a criança sai, totalmente, do estado de desnutrição. O melhor é que todos os componentes da multimistura estão disponíveis em qualquer lugar no mundo. A população sempre utiliza o que tem no local, basta aprender a técnica de sua preparação. Além disso, não custa caro implementar o programa. Só é preciso que algum técnico vá até o local pra formar multiplicadores e leve, com ele, o mínimo de material instrucional.

3) RS – Como a idéia se disseminou?

CB – Comecei a apresentar os resultados em congressos, simpósios. A Unicef levou muita gente para conhecer o projeto, inclusive o próprio representante da entidade no Brasil. Em 1983, enviamos duas pessoas do nosso projeto para oferecer treinamento à Pastoral da Criança, que estava começando a surgir. A Pastoral incorporou a idéia e, ao longo dos anos, conforme foi se expandindo por todo o país, a idéia foi indo junto. Praticamente todas as 20 mil comunidades atendidas pela Pastoral atualmente têm a multimistura. Várias outras Organizações Não-Governamentais, diversos municípios e estados adotaram a técnica, que também está presente em 12 países, como Estados Unidos, Angola, Moçambique, Timor Leste. Hoje é domínio público: aonde você vai tem gente usando farelo, as sementes, as folhas verdes e a casquinha de ovo. Belo Horizonte, por exemplo, está há nove anos usando a multimistura, consumindo uma média de mais de 340 toneladas.

4) RS – Na sua opinião, quais providências de maior emergência devem ser tomadas para solucionar a questão da fome, da subnutrição e desnutrição no país?

CB – Nutrição precisa ser trabalhada de duas principais maneiras. A primeira deve considerar a importância de prevenir o que chamamos de ‘origem fetal das doenças crônico-degenerativas’. A criança que nasce desnutrida, além de sofrer com todos os problemas comuns à desnutrição, tem maiores chances de ser diabética, hipertensa e ter doenças do coração na vida adulta. É preciso criar hábitos saudáveis, e não apenas encher a barriga do povo. É preciso fazer com que o povo aprenda a comer melhor dentro daquilo que pode e tem disponível – os elementos da multimistura, por exemplo, estão presentes em todos os cantos do país e são extremamente baratos. A segunda maneira deve considerar a existência dos ‘alimentos nutracêuticos funcionais’ ou alimentos inteligentes. São aqueles que podem não apenas manter a sua saúde, mas também previnem, retardam e curam doenças. Um exemplo: o ácido fólico pode evitar a ocorrência de fissura palatina. Imagine se esse elemento passasse a enriquecer a merenda escolar que é servida nas escolas – o Exército doa 300 mil refeições e o governo paga outras 40 milhões. Seria uma mudança significativa. Se nesse contingente fosse trabalhada a questão de se alimentar bem, a transformação seria incrível. Achocolatado, pão, açúcar – além de não serem saudáveis, custam caro. O leite líquido em crianças pequenas provoca microhemorragia intestinal e, por conseqüência, anemia. Se esses alimentos fossem substituídos por outros mais saudáveis e com base nos produtos que temos disponíveis, as crianças seriam mais saudáveis e o governo poderia aumentar a abrangência do programa,
dada a economia que faria. Outro exemplo, um levantamento feito em outubro de 2002, mostrava que no café da manhã daquele mês gastava-se 35% do salário mínimo para alimentar seis pessoas com um pão com margarina e uma xícara de café-com-leite. Se fizesse um café da manhã com cuscuz ou polenta e apenas uma xícara de café, gastaria-se apenas 10% do salário mínimo. Hoje, se 10% da farinha de trigo consumida no país fosse trocada por polvilho de mandioca, seria feita uma economia de R$ 20 milhões em importação de trigo. Além disso, seriam gerados quase 80 mil empregos no campo em um ano. Eu pergunto: por que as pessoas comem tudo à base de trigo e leite quando há tanta alergia a essas substâncias? O governo deveria estimular as pessoas a usarem o que o país produz. Por que comer bolo de trigo sempre e não bolo de mandioca? Ou mandioca frita ao invés de batata frita? Com tais informações, os brasileiros fariam isso e economizariam muito, além de estarem se alimentando muito melhor.

5) RS – O que a senhora entende por Responsabilidade Social?

CB – Creio que, individualmente, todos têm que fazer sua parte – isso é responsabilidade social. O governo tem que dar instrumentos aos voluntários para executar o voluntariado. Se cada um de nós não tomar uma atitude, pode estar fazer mal para o mundo inteiro. As atitudes boas também ecoam da mesma maneira, só que beneficamente. Por isso a importância de estar bem informado, para tomar a atitude certa.


Quem tiver interesse em aprofundar-se no assunto, há muitos outros textos, entre eles:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-59702002000100007&script=sci_arttext